A Airbus anunciou uma das maiores ações de recall em seus 55 anos de história, determinando reparos imediatos em aproximadamente seis mil aeronaves da família A320. A medida, que afeta mais da metade da frota global do modelo, surge após a análise de um “evento recente” que revelou que intensa radiação solar pode corromper dados críticos aos controles de voo.
A empresa reconheceu que as recomendações podem levar a interrupções operacionais, pedindo desculpas pelo inconveniente e reafirmando a segurança como prioridade. A frota mundial da família A320 conta com cerca de 11,3 mil aeronaves em operação, incluindo 6.440 unidades do modelo A320. No momento do alerta, aproximadamente três mil aviões do modelo estavam no ar.
A correção envolve principalmente a reversão para uma versão anterior do software, procedimento que deve ser realizado antes que as aeronaves possam voar novamente. Estima-se que cerca de dois terços das aeronaves afetadas podem enfrentar paralisações breves para a atualização, enquanto mais de mil jatos podem exigir substituição de hardware.
A American Airlines, maior operadora mundial da família A320, informou que cerca de 340 de seus 480 aviões precisarão do reparo, com previsão de conclusão da maior parte do trabalho até o dia seguinte, estimando duas horas para cada aeronave. Outras empresas, como Lufthansa, IndiGo e easyJet, também retirarão temporariamente aeronaves de operação para realizar os ajustes.
A Avianca, da Colômbia, declarou que mais de 70% de sua frota, cerca de 100 aeronaves, foi afetada, provocando significativa interrupção em suas operações pelos próximos dez dias. A empresa chegou a suspender temporariamente as vendas de passagens para viagens até 8 de dezembro.
Fontes da indústria indicam que o incidente que motivou a ação ocorreu em 30 de outubro, envolvendo um voo da JetBlue de Cancún para Newark. A aeronave sofreu uma queda brusca de altitude após um problema no controle de voo, resultando em ferimentos a vários passageiros e um pouso de emergência em Tampa. O episódio desencadeou uma investigação da Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA).
O boletim interno da Airbus atribuiu o problema ao sistema Elevator and Aileron Computer (ELAC), responsável por transmitir comandos do side-stick dos pilotos para os elevadores, que controlam o ângulo de nariz da aeronave. O equipamento é fabricado pela Thales, que afirmou que o computador “cumpre as especificações da Airbus” e que a funcionalidade afetada é sustentada por um software que “não está sob responsabilidade da Thales”.
A Agência de Segurança da Aviação da União Europeia (EASA) emitiu uma diretriz emergencial obrigando a realização dos reparos, enquanto a FAA deverá adotar medida semelhante. A Airbus informou ter trabalhado proativamente com autoridades de aviação para solicitar ações preventivas imediatas.
Lançado em 1984, o A320 foi o primeiro jato comercial de grande porte a introduzir comandos computadorizados fly-by-wire. O modelo concorre diretamente com o Boeing 737 MAX, que sofreu escrutínio global após acidentes fatais em 2018 e 2019 ligados a falhas no software de controle de voo. A nova ação da Airbus deve aumentar a pressão sobre as companhias aéreas, que tentam equilibrar segurança e operações em um período de alta demanda global por viagens.
Fonte: olhardigital.com.br

