O cometa interestelar 3I/ATLAS, o terceiro objeto confirmado vindo de outro sistema estelar, tem sido objeto de grande interesse tanto para astrônomos profissionais quanto amadores. Sua passagem pelo Sistema Solar gerou curiosidade científica, mas também uma série de especulações infundadas.
Durante a aproximação do cometa ao Sol, um período de paralisação do governo dos EUA coincidiu com a ausência de dados divulgados, o que acabou alimentando teorias de que o 3I/ATLAS seria uma espaçonave alienígena.
Após o fim da paralisação, uma coletiva de imprensa da NASA apresentou observações coletadas por mais de 20 missões espalhadas pelo Sistema Solar, oferecendo o panorama mais completo já obtido sobre o visitante interestelar.
Especialistas esclareceram que o 3I/ATLAS é um corpo celeste natural, sem sinais de tecnologia ou engenharia extraterrestre. Segundo Amit Kshatriya, administrador associado da NASA, o objeto é um cometa. Para os cientistas, o cometa representa uma oportunidade para analisar material formado ao redor de outra estrela, com indícios iniciais sugerindo uma origem em um sistema planetário mais antigo que o nosso.
Após sua descoberta, um artigo preliminar sugeriu que as características do objeto poderiam indicar tecnologia alienígena. A discussão ganhou força nas redes sociais e culminou com um pedido público para que a NASA revelasse informações sobre o cometa. A agência, então, tratou de desmentir as especulações.
Nicky Fox, administradora associada da Diretoria de Missões Científicas da NASA, reforçou que nenhuma assinatura tecnológica foi detectada nas observações realizadas e que o 3I/ATLAS não representa ameaça à Terra. A menor distância prevista entre o cometa e o nosso planeta será de cerca de 270 milhões de quilômetros.
A NASA organizou uma coordenação entre equipes de mais de 20 missões para rastrear o cometa a partir de diferentes pontos do Sistema Solar, já que o objeto era difícil de observar da Terra. Cada espaçonave, telescópio ou instrumento forneceu um ângulo complementar.
Em outubro, a sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) registrou a coma do cometa a 145 milhões de quilômetros. A sonda MAVEN detectou gás hidrogênio produzido pela vaporização do gelo de água, o que permitiu estimar a taxa de liberação desse material. Esses dados foram combinados com informações do telescópio Swift e do Telescópio Espacial James Webb (JWST).
A espaçonave Psyche captou o cometa como uma mancha distante a 53 milhões de quilômetros. A sonda Lucy observou a coma e a cauda por outro ângulo, ajudando a reconstruir sua estrutura tridimensional. O Observatório Solar e Heliosférico (SOHO) também conseguiu detectá-lo.
O Telescópio Espacial Hubble observou o 3I/ATLAS a 446 milhões de quilômetros e registrou uma coma em formato de pera. Os dados permitiram estimar que o núcleo mede entre 427 metros e 5,6 quilômetros. O JWST fotografou o objeto no infravermelho e identificou uma proporção elevada de dióxido de carbono, muito acima da encontrada em cometas do Sistema Solar.
A velocidade de entrada do 3I/ATLAS no Sistema Solar indica que ele viaja pelo espaço interestelar há eras, sugerindo uma origem em um sistema planetário extremamente antigo. O cometa pode carregar pistas de processos que ocorreram antes da formação da Terra.
O 3I/ATLAS apresenta detalhes incomuns. A proporção de dióxido de carbono em relação à água é mais alta que a encontrada em cometas locais. O gás liberado exibe quantidades relativamente elevadas de níquel em comparação ao ferro. A poeira ao redor do cometa também chama atenção, com um tamanho dos grãos diferente do padrão observado em objetos próximos da Terra.
Fonte: olhardigital.com.br

