O Secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, gerou controvérsia ao compartilhar uma montagem que utiliza um desenho infantil para zombar de ataques a embarcações no Caribe e de alegações de que tais ações constituem crimes de guerra. A publicação, feita no último domingo (30), mostra uma tartaruga verde, personagem de um desenho animado popular nos EUA há mais de 20 anos, disparando um lança-mísseis de um helicóptero contra barcos repletos de pacotes e indivíduos armados. A imagem é legendada com a frase “Franklin mira narcoterroristas”.
Desde setembro, o Exército dos EUA tem realizado bombardeios contra embarcações em águas internacionais próximas à costa da América do Sul, no Caribe e no Oceano Pacífico, sob ordens do presidente Donald Trump. Essas ações têm sido amplamente criticadas pela comunidade internacional, com a ONU expressando preocupação e identificando elementos que sugerem “execuções extrajudiciais”.
Hegseth, um dos principais defensores dos ataques, enfrenta acusações de ter dado uma ordem direta para matar todos os ocupantes de uma das embarcações alvejadas, o que, segundo o jornal “The Washington Post”, configuraria um crime de guerra. O incidente específico envolve um bombardeio onde, após um primeiro ataque, dois sobreviventes foram avistados agarrados aos destroços em chamas. A alegação é que Hegseth ordenou um segundo disparo com o objetivo de eliminar os sobreviventes. Uma fonte com conhecimento da operação confirmou que “a ordem era matar todo mundo”.
Políticos do Congresso, incluindo democratas e o republicano Mike Turner, expressaram preocupação, sugerindo que o incidente pode constituir um crime de guerra. Turner, uma figura influente no partido republicano, declarou que, se confirmado, o ato seria ilegal. O senador democrata Tim Kaine também comentou que, se a reportagem do “Washington Post” for precisa, o ataque “alcança o nível de um crime de guerra”. O legislativo americano está investigando os ataques realizados pelo governo Trump.
Funcionários do governo e especialistas em direito de guerra também manifestaram preocupação ao “Washington Post”, argumentando que a campanha letal no Caribe é ilegal e pode expor os envolvidos a futuras acusações. O Pentágono teria indicado que concederá imunidade judicial aos soldados envolvidos nos bombardeios, conforme comunicado interno.
Até o momento, 20 embarcações foram atacadas, resultando na morte de aproximadamente 80 pessoas. O ataque mais recente ocorreu em 13 de novembro. O governo Trump justifica os ataques alegando, sem apresentar provas concretas, que as embarcações pertencem a cartéis de drogas latino-americanos e transportam narcoterroristas e carregamentos de drogas com destino aos EUA.
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou haver “indícios” de que os ataques configuram execuções extrajudiciais, e a ONU já solicitou que os EUA interrompam as ações. O governo Trump alega estar em guerra contra os cartéis de drogas e mobilizou uma ampla presença militar na região da América Latina.
Os bombardeios também são vistos como parte de uma estratégia de pressão sobre o governo Maduro, acusado pelos EUA de liderar o Cartel de Los Soles. O presidente venezuelano acusa o governo Trump de conduzir uma campanha de pressão com o objetivo de removê-lo do poder.
Fonte: g1.globo.com

