A Nova Conexão Transfronteiriça e o Discurso Presidencial
Símbolo de União e Paz
Em meio a um cenário global marcado por tensões e tendências isolacionistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a plataforma da inauguração para proferir uma contundente mensagem sobre a importância da paz e da integração regional. “Há quem prefira edificar muros a construir pontes, gerando conflitos e impedindo a livre circulação. Nós, sul-americanos, brasileiros e paraguaios, enviamos uma clara mensagem ao mundo: somos defensores da paz e da colaboração”, declarou o presidente. A fala ressoa em um momento em que a cooperação internacional é vista como um pilar fundamental para o progresso sustentável e a estabilidade. A Ponte da Integração, com seus impressionantes 760 metros de extensão e um vão-livre de 470 metros – o maior do continente – transcende sua função estrutural para se tornar um ícone dessa filosofia de coexistência e prosperidade mútua. A estrutura, que conecta Foz do Iguaçu ao município de Presidente Franco, no Paraguai, é composta por duas pistas simples de 3,6 metros de largura cada, projetada para suportar o intenso fluxo comercial e de pessoas esperado para as próximas décadas. A expectativa é que a contraparte paraguaia da obra seja formalmente inaugurada pelo presidente Santiago Peña no próximo sábado, solidificando o compromisso bilateral com a infraestrutura.
Impulso Econômico e a Complexidade do Investimento
Acelerando o Comércio e a Logística Regional
A expectativa em torno da nova ponte não se limita apenas à sua função de interligar territórios; ela é vista como um catalisador robusto para o desenvolvimento econômico e a dinamização do comércio bilateral. O presidente Lula expressou grande entusiasmo com o potencial da via, antecipando que “bilhões de dólares transitarão por esta ponte, impulsionando as economias brasileira e paraguaia”. Essa visão é compartilhada por ambos os países, que enxergam na infraestrutura um meio para otimizar as cadeias de suprimentos e reduzir os custos logísticos, beneficiando diversos setores produtivos, desde a agricultura até a indústria e o turismo. A Ponte da Integração, uma estrutura do tipo estaiada, é sustentada por duas imponentes torres de 190 metros de altura, o equivalente a edifícios de aproximadamente 54 andares, conferindo-lhe uma presença marcante na paisagem fronteiriça. O investimento total na obra alcançou a cifra de R$ 1,9 bilhão, com recursos provenientes de ambos os países, evidenciando o comprometimento conjunto com o projeto. Parte substancial desse montante, especificamente R$ 712 milhões, foi financiada pelo governo brasileiro através da Itaipu Binacional, demonstrando o papel estratégico da empresa. Desse valor, R$ 372 milhões foram alocados diretamente para a construção da ponte estaiada, enquanto R$ 340 milhões foram direcionados para as obras da Perimetral Leste, um projeto complementar crucial que tem previsão de conclusão até novembro de 2025. O modelo de financiamento e execução foi tripartite, envolvendo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) como órgão proprietário, o governo do Paraná como executor e a Itaipu Binacional como a responsável pelos repasses dos recursos, garantindo a solidez e a transparência do empreendimento. Este complexo arranjo institucional e financeiro, que remonta a 2012 com sua inclusão como prioridade estratégica no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e subsequentes licitações e licenciamentos ambientais, culminou no início da construção em 2019 e na sua conclusão física em outubro de 2023.
O Legado de uma Nova Era na Fronteira
A concretização da Ponte da Integração representa mais do que a adição de uma nova estrutura física; ela simboliza uma evolução nas relações diplomáticas e econômicas entre Brasil e Paraguai, sessenta anos após a inauguração da icônica Ponte da Amizade, a primeira ligação rodoviária entre as nações sobre o Rio Paraná. Com a Ponte da Amizade registrando um fluxo diário de cerca de 100 mil pessoas e 45 mil veículos, a necessidade de uma segunda ligação era imperativa para desafogar o tráfego e otimizar a logística fronteiriça. A nova rodovia, que inclui a crucial Perimetral Leste de 14,7 quilômetros, conecta a BR-277 à Ponte da Integração, desviando o tráfego pesado de caminhões do centro urbano de Foz do Iguaçu, contribuindo assim para a mobilidade urbana, a segurança viária e a qualidade de vida dos moradores da região. A entrada em operação da ponte ocorrerá de forma gradual, uma medida planejada para garantir a segurança e a adaptação dos órgãos de fiscalização, como a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Receita Federal, que já contam com equipes designadas para a fiscalização da nova fronteira. Inicialmente, a travessia será permitida apenas para caminhões descarregados, os chamados “em lastro”, seguindo horários específicos coordenados pelas autoridades aduaneiras e de trânsito. A expectativa é que, em breve, ônibus de turismo fretados sejam autorizados a utilizar a via. Contudo, a liberação total para veículos de carga e o pleno aproveitamento do potencial logístico da ponte estão condicionados à conclusão do Corredor Metropolitano del Este, no lado paraguaio, projetado para o período entre o final de 2026 e o início de 2027. Essa interligação de projetos em ambos os lados da fronteira sublinha a complexidade e a visão de longo prazo que embasam a infraestrutura regional, prometendo uma nova era de prosperidade, segurança e conectividade para o Mercosul e toda a América do Sul.

