O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dirigiu-se à nação em pronunciamento oficial, marcando o encerramento de um ano considerado decisivo para o Brasil. A mensagem, transmitida em rede nacional, combinou votos de boas festas com uma retrospectiva detalhada das ações governamentais e uma projeção dos desafios que se desenham no horizonte para os próximos anos. Ao celebrar as conquistas obtidas, o mandatário enfatizou a superação de adversidades, declarando que, apesar das dificuldades enfrentadas, o povo brasileiro emergiu como o grande vencedor. Este balanço abrangente tocou em temas cruciais como a recuperação econômica, a implementação de políticas sociais robustas e a reafirmação do país no cenário internacional, sinalizando uma agenda ambiciosa para o desenvolvimento contínuo e a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, com foco na superação da desigualdade e na promoção de direitos essenciais.
Análise das Conquistas Sociais e Econômicas
Retomada de Programas Essenciais e Crescimento
Entre as vitórias destacadas no balanço governamental, a saída do Brasil do Mapa da Fome foi apontada como um marco significativo, refletindo os esforços em segurança alimentar e nutrição. A reestruturação e o fortalecimento do programa Bolsa Família, que voltou a ser uma ferramenta robusta de transferência de renda, foram cruciais para essa conquista, ao lado do apoio consistente à agricultura familiar, setor fundamental para o abastecimento interno e a geração de empregos no campo. A valorização do salário mínimo, que já registrou aumentos reais, e a proposta de um novo patamar para 2026, demonstram o compromisso com o poder de compra e a distribuição de renda da população trabalhadora.
No front econômico, o governo celebrou o fim da incidência do Imposto de Renda para cidadãos que recebem até R$ 5 mil mensais, uma medida que promete aliviar o orçamento de milhões de famílias a partir de janeiro. Essa isenção fiscal é vista como um importante estímulo ao consumo e à economia como um todo, injetando recursos adicionais no mercado e beneficiando diversos setores. Paralelamente, os dados de geração de empregos atingiram recordes históricos, com a criação de vagas formais e um cenário de menor taxa de desocupação, acompanhado pelo aumento da renda média dos trabalhadores. A inflação, projetada para ser uma das menores dos últimos tempos, complementa um panorama de estabilidade econômica, contribuindo para a redução dos índices de pobreza e desigualdade no país. Prova disso é a significativa marca de dois milhões de pessoas que deixaram de necessitar do Bolsa Família por terem melhorado sua condição de renda ao longo do ano.
Outra iniciativa mencionada foi a implementação da nova Carteira Nacional de Habilitação (CNH), que promete tornar o processo de obtenção do documento até 80% mais barato e significativamente mais acessível à população. Esta modernização busca simplificar a vida dos cidadãos, ampliando o acesso a um documento essencial para o trabalho e a mobilidade, com impactos positivos na inclusão e na dinâmica social.
Investimentos em Saúde, Moradia e Infraestrutura
Na área da saúde, a implementação do programa “Agora Tem Especialistas” representou uma ação estratégica para otimizar o acesso a consultas, exames e cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa visa reduzir as longas filas de espera, garantindo que os cidadãos tenham atendimento especializado de forma mais ágil e eficiente, um avanço crucial para a qualidade de vida e o bem-estar da população.
Programas de cunho social também foram realçados, como o “Pé-de-Meia”, focado na educação, o “Gás do Povo” e o “Luz do Povo”, que buscam aliviar os custos de vida e garantir acesso a serviços básicos para as famílias em situação de vulnerabilidade. A retomada e expansão do “Minha Casa Minha Vida” foi enfatizada, não apenas pela construção de moradias populares, mas também por alcançar a classe média, demonstrando um espectro mais amplo de atendimento às necessidades habitacionais. A iminente chegada do programa “Reforma Casa Brasil” reforça a visão de que a moradia digna é um direito fundamental, devendo ser assegurado a todos os brasileiros.
No setor de infraestrutura, grandes obras como a Transposição do Rio São Francisco, que avança em suas etapas de conclusão, e os projetos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foram citados como motores de desenvolvimento regional e geração de empregos. Tais investimentos são considerados essenciais para modernizar o país, expandir a capacidade logística e produtiva, e integrar regiões, impulsionando o crescimento econômico e melhorando a qualidade de vida das comunidades beneficiadas.
Perspectivas e Desafios Nacionais
Combate à Criminalidade e Violência de Gênero
Para os próximos anos, o governo reconhece desafios significativos, com destaque para a criminalidade e a violência. No enfrentamento ao crime organizado, as operações da Polícia Federal foram elogiadas pela sua eficácia, especialmente por, segundo o governo, atingir pela primeira vez o “andar de cima” do crime, ou seja, as grandes estruturas financeiras e de liderança. O presidente reafirmou o compromisso de que “nenhum dinheiro ou influência vai impedir a Polícia Federal de ir adiante”, sinalizando uma postura firme na luta contra a corrupção e a criminalidade.
A violência contra as mulheres foi outro ponto de grande preocupação abordado, com a promessa de liderar um esforço nacional abrangente. Este esforço envolverá diversos ministérios, instituições e a sociedade brasileira como um todo, visando a implementação de políticas públicas mais eficazes e a conscientização. A convocação específica aos homens para que se tornem aliados na causa demonstra a seriedade com que o tema é tratado, reforçando a necessidade de uma mudança cultural profunda para erradicar essa forma de violência.
Reafirmação do Brasil no Cenário Global e Econômico
No âmbito internacional, o Brasil celebrou seu retorno a um patamar de respeito e admiração global. O país registrou a visita de aproximadamente 9 milhões de turistas estrangeiros, impulsionados em parte pela realização da COP30 em Belém do Pará, considerado o maior evento climático do mundo. Este sucesso não apenas consolidou o Brasil como uma liderança global nas discussões climáticas e de sustentabilidade, mas também evidenciou a capacidade nacional de sediar grandes eventos internacionais, com impactos positivos na economia local e na projeção da imagem do país.
No cenário comercial, o governo enfrentou um desafio inédito com o que foi denominado de “Tarifaço contra o Brasil”, uma referência a barreiras comerciais impostas por outros países. A resposta do governo foi pautada na diplomacia e na proteção das empresas nacionais, com o objetivo de evitar demissões e assegurar a competitividade. Através de intensas negociações, o país conseguiu superar essas dificuldades, alcançando a marca de mais de 500 novos mercados abertos para os produtos brasileiros em dezembro. Essa expansão comercial é um indicativo do sucesso da política externa e da capacidade de diálogo do Brasil, garantindo a soberania econômica e fortalecendo a democracia em um contexto global complexo.
Visão de Futuro e Compromissos Sociais
Ao concluir seu pronunciamento, o presidente reiterou o compromisso de seguir combatendo “privilégios de poucos para garantir direitos de muitos”. Essa declaração encapsula a filosofia governamental de buscar a justiça social e a equidade, direcionando as políticas públicas para beneficiar a maioria da população, em detrimento de interesses específicos. A agenda futura, portanto, promete ser focada na ampliação de direitos e na redução das disparidades sociais e econômicas que ainda persistem no país.
Um dos pontos cruciais mencionados para o futuro diz respeito à jornada de trabalho. O presidente levantou a questão da escala de trabalho 6×1, que obriga muitos trabalhadores a seis dias de trabalho com apenas um dia de descanso. Ele defendeu que “não é justo que uma pessoa seja obrigada a trabalhar duro durante seis dias e que tenha apenas um dia para descansar o corpo e a cabeça, passear com a família, cuidar da casa, se divertir e acompanhar de perto o crescimento dos filhos”. A reivindicação pelo fim da escala 6×1, sem redução salarial, foi apresentada como uma demanda popular que cabe aos representantes do povo transformar em realidade, sinalizando um debate iminente sobre a melhoria das condições de trabalho e a promoção de um maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal dos cidadãos brasileiros, reforçando a importância dos direitos trabalhistas na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

