A paixão pelo cinema e o engajamento em premiações internacionais por vezes transbordam para cenários inesperados, especialmente na era digital. Recentemente, a comunidade cinematográfica brasileira se viu em meio a uma controvérsia que culminou em um caso notável de desinformação e ataques equivocados. Após uma declaração polêmica atribuída ao diretor espanhol Oliver Laxe, relacionada à votação brasileira no Oscar, a indignação online se voltou para a pessoa errada, expondo os perigos da ira digital sem a devida checagem e discernimento.
A Centelha da Controvérsia: Declarações e a Rivalidade no Oscar
A origem da agitação reside em supostas declarações de Oliver Laxe, cineasta conhecido por obras autorais como "Sirāt", um drama existencialista que explorou paisagens desérticas e a busca por sentido. Durante o período de campanha para o Oscar de Melhor Filme Internacional, onde "Sirāt" era um dos concorrentes notáveis, Laxe teria se manifestado sobre o perfil dos votantes brasileiros da Academia. As insinuações, amplamente divulgadas e interpretadas como uma crítica à sensibilidade ou aos critérios dos jurados nacionais, levantaram a hipótese de que suas escolhas poderiam ser influenciadas mais por fatores emocionais ou geopolíticos do que pela apreciação puramente artística, em detrimento de propostas mais vanguardistas. Tal percepção gerou um desconforto significativo entre os amantes do cinema nacional e profissionais da indústria, especialmente por contextualizar-se em uma corrida onde filmes como o aclamado documentário "O Agente Secreto" — uma produção chilena que ganhou forte simpatia no Brasil — eram considerados favoritos. A percebida crítica à visão cinematográfica brasileira acendeu o pavio da revolta.
O Alvo Inocente: Confusão de Identidades na Internet
A fúria digital, impulsionada por reportagens iniciais e a rápida disseminação de trechos da suposta fala de Laxe, não demorou a encontrar um alvo para a sua indignação. Contudo, em uma reviravolta lamentável, a raiva se direcionou erroneamente a outro indivíduo: o Dr. Olívio Lax, um respeitado professor de teoria do cinema e crítico cultural brasileiro, com um sobrenome notavelmente similar ao do diretor espanhol. Sem qualquer relação com a polêmica ou com as declarações de Oliver Laxe, o Dr. Lax teve suas redes sociais invadidas por mensagens de repúdio, críticas mordazes e até ameaças, proferidas por internautas que não se deram ao trabalho de verificar a identidade da pessoa. A confusão, que parece ter surgido de uma pesquisa rápida e superficial, ou da simples similaridade fonética dos nomes, transformou um profissional da academia em vítima de um linchamento virtual injustificado, evidenciando a fragilidade da informação no ambiente online e a impulsividade de parte do público, que priorizou a reação em detrimento da checagem.
Reações e Apelos à Responsabilidade Digital
A situação escalou rapidamente, com a própria vítima, Dr. Olívio Lax, vindo a público para esclarecer a confusão e pedir o fim dos ataques. A comunidade cinematográfica brasileira, após o choque inicial com a declaração original de Oliver Laxe, passou a condenar veementemente o ataque à pessoa errada, destacando a importância da responsabilidade na internet. Diversas personalidades do setor e veículos de comunicação se manifestaram em defesa do professor, apelando por discernimento e checagem de fatos antes de qualquer manifestação de ódio. O incidente provocou uma reflexão profunda sobre a cultura de cancelamento e o poder destrutivo da desinformação, que pode causar danos reputacionais e emocionais irreversíveis a indivíduos inocentes. Até o momento, Oliver Laxe não se pronunciou oficialmente sobre a confusão envolvendo seu homônimo brasileiro, nem fez um esclarecimento robusto sobre a interpretação de suas declarações originais, deixando um vácuo de comunicação que contribui para a persistência das discussões e a necessidade de mais transparência em discursos públicos.
Conclusão: O Alerta da Era Digital
O episódio envolvendo Oliver Laxe e a infeliz confusão com Olívio Lax serve como um alerta contundente sobre as consequências da desinformação e da polarização online. Mais do que uma simples gafe, ele sublinha a necessidade urgente de um comportamento mais consciente e crítico nas redes sociais. A paixão pelo cinema, que deveria unir e fomentar o debate saudável sobre a arte, acabou por gerar um cenário de ataques infundados, reiterando a importância da verificação de fatos e do respeito às individualidades, mesmo em meio à efervescência de uma corrida por um prêmio tão cobiçado quanto o Oscar. A lição que fica é a de que a verdade, antes de ser defendida e propagada, deve ser diligentemente confirmada, e que a impulsividade digital pode ter efeitos reais e devastadores na vida das pessoas.
Fonte: https://www.metropoles.com

