O presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Gianni Infantino, reafirmou nesta segunda-feira (26) o papel primordial do esporte como um catalisador de união global. Após um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, Infantino destacou que eventos como a próxima Copa do Mundo de 2026, a ser realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, oferecem uma oportunidade ímpar para aproximar povos e países, um imperativo ainda maior no cenário geopolítico atual.

A Visão da FIFA: Futebol Como Ferramenta de Unidade

Infantino enfatizou que a essência dos grandes torneios, sejam eles as Copas do Mundo Masculina ou a vindoura Copa do Mundo Feminina no Brasil, reside na capacidade de transcender barreiras. A celebração coletiva em torno do futebol serve como um poderoso elo cultural e social. Essa busca por conexão é evidente na colossal demanda por ingressos: para a Copa do Mundo de 2022, a FIFA registrou mais de 500 milhões de solicitações para um total de 6 milhões de bilhetes disponíveis, ilustrando o anseio mundial por participar e compartilhar a paixão pelo esporte. "As pessoas querem ir, e as pessoas vão celebrar conosco o futebol, sempre", afirmou o dirigente, sublinhando a necessidade de momentos que promovam a coesão.

Copa de 2026: Desafios Geopolíticos e Reafirmação da Autonomia Esportiva

A iminente Copa do Mundo de 2026, que inova ao ser sediada em três países e contar com 48 seleções, enfrentou especulações sobre um possível boicote de nações europeias. Essas discussões surgiram após ameaças do ex-presidente estadunidense, Donald Trump, de impor tarifas a países que não apoiassem seu plano de assumir o controle da Groenlândia, argumentando razões de segurança nacional dos EUA. Tal postura gerou tensões diplomáticas que se estenderam ao ambiente esportivo.

No entanto, a França, através de sua ministra dos Esportes, Marina Ferrari, rapidamente descartou qualquer intenção de retirada. Ferrari, citada pela agência Reuters, declarou: "Até o momento, não há qualquer intenção por parte do ministério de boicotar esta grande competição." A ministra reiterou a crença na separação entre esporte e política, defendendo a importância do Mundial como um evento essencial para os amantes do futebol, independentemente das disputas políticas internacionais. O torneio está programado para começar em 11 de junho de 2026, na Cidade do México.

O Brasil no Centro do Futebol Global: Copa Feminina e Ambições Futuras

O encontro entre Infantino e Lula também teve como pauta central a Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2027, que será sediada no Brasil. O evento é visto pela FIFA não apenas como uma celebração do futebol, mas como uma plataforma fundamental para impulsionar o desenvolvimento do esporte feminino e avançar em causas cruciais para as mulheres, incluindo o combate à violência e ao feminicídio. A expectativa é que o Brasil receba aproximadamente 3 milhões de torcedores de diversas partes do mundo, consolidando o legado social do torneio. Infantino garantiu que o país está preparado para sediar o evento, com o objetivo de promover educação e conscientização sobre essas temáticas.

Além da Copa Feminina, o Brasil demonstra ambições crescentes no cenário do futebol internacional. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, revelou que o país planeja se candidatar para sediar o Mundial de Clubes da FIFA em 2029. "A gente acredita que o Brasil está apto a receber esse evento grandioso, mas isso requer muitas conversas, muitos ajustes, mas o Brasil vai, sim, colocar a sua candidatura para 2029", afirmou Xaud, sinalizando o desejo de o país continuar sendo um polo para grandes competições futebolísticas.

Conclusão: O Futebol Como Horizonte Comum

Em um mundo frequentemente fragmentado por conflitos e divergências políticas, a mensagem de Gianni Infantino ressoa como um lembrete da capacidade intrínseca do futebol de transcender fronteiras. Seja na expectativa da inédita Copa de 2026, na promoção das causas femininas através do Mundial de 2027 no Brasil, ou nas ambições do país em sediar novos torneios, o esporte continua a ser um vetor poderoso para a união e a celebração, construindo pontes onde a política muitas vezes ergue muros.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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