Às vésperas dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão–Cortina 2026, o Papa Leão XIV dirigiu um veemente apelo aos líderes mundiais para que aproveitem o espírito olímpico como catalisador da paz. Sua exortação, que ecoa a antiga tradição da trégua olímpica, surge em um cenário de crescentes tensões, notadamente os protestos em Milão contra a presença de agentes do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE) dos Estados Unidos, e preocupações internacionais sobre conflitos e políticas migratórias.

O Apelo do Pontífice pela Trégua Olímpica

Em sua tradicional oração semanal do Angelus, no Vaticano, o Papa Leão XIV sublinhou a profunda mensagem de fraternidade inerente aos grandes eventos esportivos. Ele ressaltou que a tradição da 'trégua olímpica', um costume milenar que acompanha a realização dos jogos, representa uma oportunidade singular para reavivar a esperança de um mundo em paz. O pontífice clamou aos líderes e a todos em posições de autoridade para que transformem essa ocasião em um momento de ação concreta, promovendo a desescalada de conflitos e incentivando um diálogo construtivo entre os povos.

Controvérsia em Milão: A Presença do ICE nos Jogos

A atmosfera de expectativa para os Jogos de Inverno foi marcada por significativos protestos em Milão, desencadeados pela notícia de que o Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE) dos Estados Unidos enviaria agentes para a segurança da delegação olímpica americana. Centenas de manifestantes expressaram sua indignação nas ruas da cidade italiana, questionando a presença de uma força controversa em solo europeu. É importante notar que os agentes destacados para Milão pertencem a uma unidade especializada em crimes transfronteiriços, distinta daquelas que atuam em questões de imigração interna nos EUA. Essa unidade frequentemente colabora em grandes eventos internacionais para garantir a segurança.

Repercussões Políticas e Tensões Geopolíticas

A decisão de incluir o ICE na segurança dos Jogos provocou forte reação na esfera política italiana. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, posicionou-se veementemente contra a medida, descrevendo o ICE como uma 'milícia que mata' e afirmando que seus agentes 'não são bem-vindos' na cidade. Sua postura foi ecoada por outros políticos, inclusive membros de partidos da coalizão governista, que classificaram a situação como uma 'completa idiotice', embora alguns reconheçam a necessidade de coordenação internacional de segurança. O partido de oposição Italia Viva chegou a defender o impedimento da entrada desses agentes no país.

Complementando as preocupações com a estabilidade global, o Papa Leão XIV, que no passado já criticou abertamente a política migratória da administração de Donald Trump e as ofensivas contra nações como Venezuela e México, aproveitou a ocasião para manifestar apreensão sobre as recentes tensões entre Estados Unidos e Cuba. Ele instou a um 'diálogo sincero e efetivo' entre os dois países, após as recentes medidas do governo Trump que declararam emergência nacional em relação a Cuba e impuseram tarifas, citando supostos laços da ilha com grupos considerados hostis aos EUA.

Conclusão

Os Jogos Olímpicos de Inverno, idealmente um símbolo de união e competição leal, tornam-se assim um palco complexo onde a aspiração à paz e fraternidade colide com realidades políticas e sociais. O chamado do Papa Leão XIV por diálogo e desescalada ressoa como um lembrete urgente da responsabilidade dos líderes em tempos de polarização, transformando o evento esportivo em um catalisador não apenas de proezas atléticas, mas de uma profunda reflexão sobre a coexistência pacífica e a resolução de conflitos globais.

Fonte: https://g1.globo.com

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