Fevereiro se consolida como um mês vibrante para a cena cultural brasileira, apresentando uma agenda recheada de exposições que convidam à reflexão sobre a arte contemporânea, a identidade nacional e as ricas manifestações da cultura popular. Com um panorama que abrange de Salvador a Curitiba, os visitantes terão a oportunidade de mergulhar em narrativas visuais diversas, explorando pinturas, instalações e esculturas, muitas delas com ingressos acessíveis ou entrada gratuita. Este roteiro especial destaca cinco mostras significativas que merecem sua atenção, prometendo experiências artísticas profundas e enriquecedoras.
A Profundidade do Cotidiano na Obra de Vik Muniz em Salvador
O Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC Bahia), em Salvador, é palco da monumental retrospectiva “A Olho Nu”, dedicada ao renomado artista brasileiro Vik Muniz. Com curadoria de Daniel Rangel, a mostra exibe mais de 200 trabalhos, distribuídos em 37 séries que percorrem diversas fases de sua carreira. Muniz, internacionalmente celebrado por sua habilidade de transformar materiais inusitados – como chocolate, açúcar e arames – em imagens de forte apelo visual e simbólico, estabelece um diálogo profundo entre suas criações e as culturas regionais, oferecendo ao público baiano e visitantes uma imersão gratuita em sua trajetória singular até março de 2026.
Design Sustentável em Destaque no Museu Oscar Niemeyer em Curitiba
Em Curitiba, o Museu Oscar Niemeyer (MON) apresenta os últimos dias da instigante exposição coletiva “Pure Gold: Upcycled! Upgraded!”. Com encerramento em 22 de fevereiro, a mostra reúne mais de 70 obras de 53 designers de diversos países, todas confeccionadas a partir de materiais reciclados. Sob a curadoria de Volker Albus e Adélia Borges, a Sala 2 do MON propõe uma reflexão universal sobre a intrínseca relação entre o ser humano e a natureza, através de soluções criativas e inovadoras no campo do design. A entrada é a partir de R$ 18, com gratuidade às quartas-feiras e no último domingo do mês.
Os Bastidores Invisíveis do Carnaval Brasileiro em São Paulo
A Pinacoteca Contemporânea, em São Paulo, convida o público a um olhar crítico sobre a maior festa popular do país com a exposição “Trabalho de Carnaval”. Esta coletiva reúne mais de 70 artistas, de diferentes gerações e regiões do Brasil, em 200 obras que incluem adereços, projetos de decoração, documentação histórica em fotografia e vídeo, além de comissionamentos inéditos de Adonai, Ana Lira e Ray Vianna. Dividida em quatro eixos temáticos – Fantasia, Trabalho, Poder e Cidade –, a mostra desvela a precariedade e a invisibilidade do trabalho manual que antecede e sustenta a grandiosidade do Carnaval, com ingressos a partir de R$ 20.
Espiritualidade e Território na Primeira Individual de Edgar Calel em Inhotim
No coração de Brumadinho, Minas Gerais, Inhotim celebra seus 20 anos com a primeira exposição individual do artista guatemalteco Edgar Calel em um museu brasileiro: “Ru Jub’ulik Achik’ – Aromas de um sonho”. Com curadoria de Beatriz Lemos e Lucas Menezes, a Galeria Lago foi completamente reconfigurada, utilizando a própria terra para construir o percurso expositivo. Esta abordagem singular conecta a paisagem vulcânica da Guatemala aos relevos mineiros, estabelecendo diálogos entre territórios e contextos políticos. A mostra apresenta 12 trabalhos em grande escala, comissionados por Inhotim, que entrelaçam arte contemporânea com a cosmovisão kaqchikel-maia, explorando temas espirituais e políticos. A entrada para Inhotim custa a partir de R$ 32,50.
A Celebração da Cultura Negra na Obra de Zéh Palito em Salvador
Retornando ao MAC Bahia, a mostra “Do pranto o oceano, e nadamos no amor” marca a primeira exposição individual de Zéh Palito em um museu brasileiro. Com curadoria também de Daniel Rangel, a exposição apresenta um conjunto diversificado de 21 pinturas, uma escultura, seis instalações, um mural e a ativação de uma escultura inflável. As obras, criadas entre 2022 e 2025, evidenciam a pesquisa do artista entre a pintura de rua e a de cavalete, celebrando a cultura negra através de uma iconografia própria e influências do tropicalismo. Além de séries já conhecidas, Zéh Palito lança uma série inédita concebida especialmente para a exposição, prestando homenagem a icônicos artistas baianos como Emanoel Araújo, Mestre Didi, Yedamaria, Estevão Silva e Rubem Valentim. A entrada é gratuita e a exposição permanece em cartaz até 22 de fevereiro de 2026.
Conclusão: Um Mês de Arte e Reflexão Acessível
A diversidade e a riqueza do cenário artístico brasileiro se manifestam de forma contundente neste mês de fevereiro. Das retrospectivas que revisitam trajetórias consagradas, às coletivas que provocam debates sociais e às individuais que exploram novas linguagens e cosmovisões, há uma oferta cultural vasta e democrática. Com opções de entrada gratuita ou a custos acessíveis, estas exposições representam uma oportunidade ímpar para o público de todo o país se conectar com a arte, expandir horizontes e desfrutar de momentos de inspiração e crítica construtiva.

