O Irã sinalizou sua disposição em reduzir os níveis de seu urânio altamente enriquecido, mas impôs uma condição clara: a suspensão completa das sanções aplicadas pelos Estados Unidos contra o país. A proposta foi veiculada nesta segunda-feira (9) pelo chefe da agência de energia atômica iraniana, Mohammad Eslami, e surge em um momento de renovadas conversações com Washington, indicando uma potencial abertura para a desescalada em um dos pontos mais tensos das relações internacionais.
A Oferta Iraniana e o Impasse Diplomático
A agência de notícias estatal IRNA reportou as declarações de Eslami, que, em resposta a indagações sobre a possível diluição de urânio enriquecido a 60%, confirmou que tal medida seria viável somente em troca da anulação de todas as sanções. A ambiguidade, contudo, paira sobre o escopo exato dessas sanções, não especificando se a exigência se restringe apenas às restrições impostas pelos EUA ou se engloba um conjunto mais vasto de penalidades internacionais. Este posicionamento do Irã estabelece um ponto crucial nas negociações, vinculando diretamente um aspecto de seu programa nuclear a concessões econômicas e políticas por parte do Ocidente.
Entendendo o Processo de Diluição Nuclear
A diluição do urânio é um processo técnico que envolve a mistura do material enriquecido com outros elementos, seja urânio empobrecido ou uma substância inerte. O objetivo principal é reduzir a concentração do isótopo físsil (urânio-235) abaixo de um limiar crítico. Ao fazer isso, o urânio de alto enriquecimento, que poderia ser rapidamente convertido em material para armas nucleares, torna-se menos adequado para tais propósitos, diminuindo significativamente seu potencial de proliferação. É uma medida de desescalada que visa afastar o material nuclear de um patamar que gere preocupações quanto ao seu uso bélico.
Os Estoques de Urânio do Irã sob Análise Internacional
Conforme estimativas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o órgão de vigilância nuclear da ONU, o Irã acumula cerca de 440 quilogramas de urânio enriquecido a 60%. Este volume e nível de enriquecimento são monitorados de perto pela comunidade internacional, uma vez que se aproximam do grau necessário para a fabricação de armas nucleares, embora ainda não sejam diretamente utilizáveis para esse fim sem processamento adicional. A proposta de diluição, portanto, poderia representar um passo importante para aliviar as tensões e as apreensões internacionais sobre as intenções do programa nuclear iraniano.
A oferta iraniana coloca em destaque a complexidade das negociações nucleares e a interdependência entre os programas atômicos e as sanções econômicas. A concretização da proposta dependerá da capacidade das partes de conciliar seus interesses e definir os termos de um eventual acordo, que teria implicações significativas para a segurança regional e global. Os próximos capítulos das discussões entre Teerã e Washington serão determinantes para moldar o futuro do programa nuclear iraniano e as relações diplomáticas na região.
Fonte: https://g1.globo.com

