O Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência) encontra-se sob intensa pressão do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que o intimou a prestar esclarecimentos detalhados sobre duas frentes críticas: negociações envolvendo empréstimos consignados e investimentos milionários em instituições financeiras sem credenciamento adequado. A autarquia, responsável pela gestão de aposentadorias e pensões de servidores estaduais, terá um prazo exíguo para justificar movimentações financeiras que levantam sérias questões sobre a segurança do patrimônio previdenciário do estado.

Investimentos Controversos Sob Análise do MPRJ

A demanda do MPRJ, formalizada por meio de ofício emitido na última terça-feira (7), foca inicialmente em aplicações financeiras que totalizam mais de R$100 milhões. Esses recursos foram direcionados para instituições financeiras não credenciadas para tal finalidade, especificamente nos fundos Linea Fundo de Investimento Financeiro Renda Fixa Prazo Longo Responsabilidade Limitada, R CAP Soberano e R CAP Alocação. O órgão ministerial exige que, em um prazo de cinco dias, o Rioprevidência apresente todos os estudos técnicos, atas de reuniões e procedimentos administrativos que fundamentaram essas decisões de investimento.

A preocupação se intensifica ao considerar o cronograma dessas operações. As aplicações ocorreram nos dias 24 e 29 de dezembro de 2025, um período notável por ser posterior à recomendação do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do MPRJ. Esta recomendação solicitava ao Rioprevidência a adoção de medidas protetivas ao patrimônio previdenciário estadual, visando a recuperação de eventuais perdas decorrentes da liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025 devido a grave crise de liquidez e severas violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.

O Emaranhado dos Empréstimos Consignados e a Proteção dos Beneficiários

Paralelamente à questão dos investimentos, o MPRJ também direciona seu olhar para a situação dos empréstimos consignados. A solicitação é que o Rioprevidência informe, no mesmo prazo, a real condição dos consignados realizados por servidores e pensionistas junto ao Credcesta, empresa que é administrada pelo Banco Master. A gravidade da situação do Banco Master, agora sob liquidação extrajudicial, levanta dúvidas sobre a integridade e segurança desses contratos de crédito.

Adicionalmente, o Fundo de Previdência deverá esclarecer se existe outro instrumento de crédito cuja carteira de direitos esteja atrelada a garantias de estruturas negociais firmadas pelo Rioprevidência com o Banco Master ou outros agentes financeiros, como o Banco Pleno, que igualmente se encontra em processo de liquidação extrajudicial. Diante deste cenário de incerteza e risco, o MPRJ foi categórico ao determinar a interrupção imediata de quaisquer novos contratos que se enquadrem nessas condições, com o intuito primordial de resguardar o patrimônio previdenciário e os recursos financeiros dos servidores e pensionistas do fundo.

A Missão do Rioprevidência e o Histórico de Investigações

O Rioprevidência desempenha um papel fundamental na administração e pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores públicos estaduais, centralizando recursos importantes, como os royalties do petróleo, para assegurar esses pagamentos. Contudo, a autarquia não é estranha a investigações relacionadas a investimentos de risco, que periodicamente colocam em xeque a gestão de seus recursos e a transparência de suas operações. As atuais demandas do MPRJ reforçam a necessidade de uma gestão ainda mais rigorosa e responsável, dada a natureza sensível e a importância social dos fundos que administra.

A proteção do patrimônio previdenciário é um pilar essencial para a estabilidade financeira de milhares de famílias no estado do Rio de Janeiro. As explicações solicitadas pelo MPRJ são, portanto, cruciais para restaurar a confiança na gestão do Rioprevidência e garantir que os recursos destinados ao futuro dos servidores e pensionistas sejam aplicados com a devida prudência e legalidade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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