Elizabete Arrabaça, de 68 anos, que já enfrenta acusações graves pela morte de sua filha e nora, adicionou mais um capítulo à sua saga judicial nesta semana. A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público, e ela se tornou ré pela terceira vez, desta vez por tentativa de homicídio contra uma amiga, Neuza Ghiotto, em um incidente ocorrido em 2017 na cidade de Pontal, interior de São Paulo. Este novo processo intensifica o perfil de Arrabaça, que, segundo a polícia e o MP, age como uma potencial assassina em série.

A idosa, que está sob custódia preventiva desde maio do ano passado, é o centro de uma complexa teia de investigações que conectam três casos de envenenamento, todos com o uso de uma substância altamente tóxica. Enquanto a defesa nega veementemente as acusações, os detalhes que emergem dos processos pintam um quadro sombrio de premeditação e motivações consideradas torpes pela promotoria.

A Tentativa de Homicídio Contra a Amiga Neuza Ghiotto

O caso mais recente a ir a julgamento remonta a 2017, quando Elizabete Arrabaça teria envenenado sua então amiga, Neuza Ghiotto. Segundo as investigações, Neuza ingeriu um remédio para dor de cabeça fornecido por Elizabete, sem saber que estava consumindo uma substância letal. Os laudos médicos subsequentes confirmaram a presença de 'chumbinho' em seu organismo, revelando uma intoxicação por agente químico que causou diarreia, vômito intenso, falas confusas e sudorese.

Apesar da gravidade, Neuza Ghiotto foi a única vítima a sobreviver aos supostos ataques de Elizabete, permanecendo cinco dias internada, dois deles na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). O Ministério Público alega que a motivação para o crime foi torpe, caracterizada por um meio cruel e um recurso que dificultou a defesa da vítima. A Polícia Civil e o MP apontam que o motivo específico para o atentado teria sido a recusa de Neuza em comprar um colar oferecido por Elizabete, indicando uma desavença trivial como gatilho para a violência extrema.

As Acusações Anteriores: Morte da Nora e da Filha

Antes de se tornar ré pela tentativa contra Neuza, Elizabete já enfrentava sérias denúncias que a levaram à prisão preventiva. Os dois outros casos envolvem a morte de familiares próximos, ambos supostamente envenenados com 'chumbinho', reforçando um padrão de comportamento criminoso.

O Feminicídio da Nora, Larissa Rodrigues

Elizabete Arrabaça está detida desde maio do ano passado sob a acusação de ter assassinado sua nora, a professora de pilates Larissa Rodrigues, em março do mesmo ano, em Ribeirão Preto. As investigações indicam que o crime foi cometido em conluio com seu próprio filho, Luiz Antônio Garnica, marido da vítima. A motivação, segundo a polícia, seria financeira: Larissa havia descoberto uma traição do marido e planejava o divórcio, o que ameaçaria o patrimônio da família Arrabaça e Garnica, que se encontrava endividada. Mãe e filho foram denunciados por feminicídio e serão levados a júri popular.

A Morte da Filha, Nathália Garnica

Um mês antes do falecimento de Larissa, em fevereiro do ano passado, Elizabete também é apontada como responsável pela morte de sua filha, Nathália Garnica, na cidade de Pontal. Neste caso, a Promotoria sustenta que a motivação seria a herança da filha. A denúncia sobre o assassinato de Nathália aguarda decisão da Justiça para determinar se Elizabete Arrabaça também irá a júri popular por este crime, intensificando a gravidade das acusações contra ela.

O Padrão do 'Chumbinho' e a Percepção de Serial Killer

Um elemento comum e perturbador liga todos os casos: a presença de 'chumbinho' nos corpos das vítimas, conforme atestado pelos laudos toxicológicos. Essa repetição do método e a recorrência de atos violentos levaram a polícia e o Ministério Público a caracterizarem Elizabete Arrabaça como alguém que age de maneira análoga a um 'serial killer', embora o termo legal possa não ser diretamente aplicável. A frieza e a suposta premeditação em crimes tão próximos e com motivações diversas, porém sempre visando um benefício para a ré, consolidam essa percepção.

Se condenada por todos os crimes imputados, Elizabete Arrabaça pode enfrentar uma pena que chega a 30 anos de prisão, refletindo a gravidade e a natureza hedionda das acusações que pesam contra ela. A singularidade da sobrevivência de Neuza Ghiotto, a amiga, destaca a letalidade do agente químico utilizado nos supostos ataques.

A Posição da Defesa e os Próximos Passos Legais

A defesa de Elizabete Arrabaça, procurada pela EPTV, afiliada da TV Globo, nega qualquer envolvimento da acusada nos três crimes. Os advogados anunciaram que irão recorrer de todas as denúncias, buscando reverter as decisões judiciais e provar a inocência de sua cliente. Atualmente, Elizabete permanece em prisão preventiva, aguardando o desenvolvimento dos processos.

Com a aceitação da denúncia no caso da amiga Neuza Ghiotto, o cenário jurídico de Elizabete Arrabaça se torna ainda mais complexo. Enquanto o júri popular para as mortes da nora e da filha se aproxima para um dos casos e é aguardado no outro, um novo julgamento se inicia, adicionando pressão sobre a idosa e a justiça brasileira. A sociedade acompanha o desdobramento de um dos casos mais intrigantes e chocantes dos últimos tempos no interior paulista.

Fonte: https://g1.globo.com

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