Autoridades indonésias anunciaram, neste sábado (9), a localização de dois cidadãos de Singapura que estavam desaparecidos após uma erupção do Monte Dukono, na ilha de Halmahera. A descoberta foi realizada com o auxílio de drones, que identificaram a posição dos indivíduos próximos à borda da cratera principal do vulcão. A confirmação sobre o estado de saúde dos turistas, no entanto, ainda não foi divulgada, mantendo o suspense em torno do desfecho dessa complexa operação de busca e resgate.
Localização Aérea e Relatos Iniciais
A identificação das coordenadas dos dois singapurenses foi um avanço crucial na missão, confirmada por Iwan Ramdani, chefe da agência de resgate da Indonésia. Segundo Ramdani, a vigilância por drone foi fundamental para precisar a área onde se encontravam, consistente com relatos de testemunhas. Eles estariam a uma distância entre 20 e 30 metros da borda do cume, um local de acesso extremamente difícil e perigoso. Embora sobreviventes do grupo de alpinistas tivessem relatado previamente que os desaparecidos poderiam estar mortos, as autoridades ressaltam que não há uma confirmação oficial, e as equipes de resgate continuam atuando na área.
A Complexidade da Operação de Busca e Resgate
A operação de resgate mobilizou um contingente robusto, com mais de 100 socorristas, militares e policiais, além da utilização de dois drones térmicos para varrer a área. O foco das buscas se concentra na região da cratera, abrangendo um perímetro de aproximadamente 700 metros. A tarefa é dificultada pelo terreno acidentado e pelas constantes erupções do vulcão, que emitem cinzas e gases. Inicialmente, o grupo de alpinistas era composto por 20 pessoas; 17 delas, incluindo sete singapurenses e dez indonésios, foram evacuadas com sucesso na sexta-feira. Além dos dois cidadãos de Singapura recém-localizados, as equipes ainda prosseguem na busca por um cidadão indonésio que continua desaparecido.
A Ameaça Constante do Monte Dukono e Restrições Ignoradas
O Monte Dukono, conhecido por sua intensa atividade vulcânica, entrou em erupção na sexta-feira (8), lançando cinzas a impressionantes 10 quilômetros de altura. Esta foi a sétima erupção registrada pelo vulcão em apenas uma semana. A agência de vulcanologia da Indonésia mantém o alerta para o Monte Dukono no terceiro maior nível da escala, o que implica restrições severas. Desde 2024, a escalada até o cume do vulcão estava proibida, e em abril deste ano, todas as atividades de escalada foram vetadas devido ao aumento da atividade. Moradores e turistas são orientados a não se aproximar de um raio de 4 km da cratera, ressaltando o perigo inerente à região.
Investigação por Negligência Contra Empresa de Turismo
Paralelamente aos esforços de resgate, a polícia indonésia iniciou uma investigação sobre a empresa de turismo responsável por organizar a expedição ao Monte Dukono. O chefe da polícia local, Erlichson Pasaribu, afirmou que a apuração busca determinar se houve negligência que colocou vidas em risco, especialmente considerando as proibições de escalada em vigor. Seis pessoas já foram interrogadas até o momento, mas nenhuma prisão foi efetuada. A investigação foca em por que a empresa continuou a levar turistas ao vulcão apesar das restrições oficiais, um fator que pode ter contribuído diretamente para a atual situação de emergência.
Suporte Consular e Contexto Geológico da Indonésia
O Ministério das Relações Exteriores de Singapura informou que sua embaixada em Jacarta está ativamente engajada, trabalhando em conjunto com as autoridades indonésias para coletar informações adicionais e fornecer assistência consular essencial aos cidadãos singapurenses afetados e suas famílias. Este incidente serve como um lembrete vívido da geologia dinâmica da Indonésia, país que se localiza no Círculo de Fogo do Pacífico, uma área caracterizada por intensa atividade sísmica e vulcânica devido à convergência de múltiplas placas tectônicas. A região, apesar de sua beleza natural, exige constante vigilância e respeito às normas de segurança.
Fonte: https://g1.globo.com

