Frederico Goz Biagi, um ex-assessor financeiro de Ribeirão Preto (SP), comparece nesta terça-feira (26) à Justiça Federal para depor em uma audiência de instrução. Ele é o principal acusado de orquestrar um esquema de fraude que, segundo as investigações, desviou cerca de <b>R$ 21 milhões</b> de clientes e sócios de um escritório de assessoria de investimentos. Biagi se encontra preso preventivamente desde a deflagração da Operação Stop Loss, em dezembro, sob a condução da Polícia Federal.

O caso, que chocou o meio financeiro da região, revela um complexo modus operandi, onde o assessor teria explorado relações pessoais e profissionais para lesar as vítimas. A expectativa dos lesados é que a audiência contribua para a condenação do réu e a recuperação dos valores desviados para benefício próprio.

A Operação Stop Loss e o Esquema de Atração de Vítimas

A Polícia Federal iniciou a Operação Stop Loss após identificar um padrão de desvios que se estendeu de 2020 a 2023, período em que Frederico Goz Biagi atuou em um escritório de assessoria e, posteriormente, constituiu sua própria empresa em maio de 2023. As investigações revelaram que Biagi empregava uma estratégia meticulosa para selecionar suas vítimas, focando em indivíduos com alto poder econômico e construindo relações de confiança.

De acordo com o delegado Marcellus Henrique de Araújo, o investigado utilizava sua rede de relacionamentos na sociedade de Ribeirão Preto para expandir sua atuação, conquistando a credibilidade de pessoas abastadas que, por sua vez, indicavam outras. Essa teia de confiança foi crucial para o sucesso da fraude, que incluía o uso de sua '<i>persona</i> de galanteador', chegando a envolver vítimas em relacionamentos amorosos, como no caso de uma ex-namorada, também lesada.

A Engenharia da Fraude: Documentos Falsos e Contabilidade Clandestina

Para manter o engodo, Biagi recorria a uma sofisticada manipulação de informações. Ele falsificava documentos e inseria dados inverídicos nos sistemas de gestão, dificultando o acesso dos investidores à verdadeira situação de seus patrimônios. O dinheiro dos clientes era, então, desviado para proveito pessoal do assessor, que realizava operações de 'day trade' – transações financeiras de curtíssimo prazo – resultando na perda dos recursos originalmente investidos.

Um dos pontos críticos da acusação do Ministério Público Federal (MPF) é a criação de uma conta em um banco digital sem a anuência dos demais sócios, para onde Biagi teria transferido aproximadamente <b>R$ 11 milhões</b> de investimentos. A fraude foi sustentada por notas de corretagem forjadas para simular lucros milionários inexistentes e até a criação de um e-mail de uma suposta funcionária de uma grande corretora, usada como pretexto para justificar a falta de acesso dos sócios aos relatórios de acompanhamento.

A magnitude da fraude era tamanha que, segundo a Polícia Federal, os clientes chegaram a declarar à Receita Federal ganhos fictícios sobre seus investimentos em suas declarações de Imposto de Renda. Biagi enfrenta uma série de acusações por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, incluindo gestão fraudulenta, apropriação de recursos de investidor, manutenção de investidor em erro por omissão ou falsidade, fraude à fiscalização com inserção de informações falsas, inserção de elementos falsos em demonstrativos contábeis e contabilidade paralela.

Desdobramentos Judiciais e a Busca por Justiça

Na audiência de instrução desta terça-feira, além do depoimento de Frederico Biagi, a Justiça Federal ouvirá testemunhas de defesa e de acusação, peças fundamentais para a elucidação completa dos fatos. A prisão preventiva do assessor no CDP de Ribeirão Preto ressalta a gravidade das acusações e a necessidade de garantir a integridade do processo judicial.

As vítimas, muitas das quais perderam o dinheiro de uma vida inteira, depositam grande esperança neste momento processual. Elas aguardam ansiosamente por uma condenação que possa trazer algum alívio e servir de precedente contra futuras fraudes no mercado financeiro. A defesa de Biagi, por sua vez, não se manifestou publicamente sobre o caso até a última atualização desta reportagem, mantendo o suspense sobre sua linha de argumentação.

O desenrolar do processo contra Frederico Goz Biagi é acompanhado de perto, não apenas pelas vítimas e autoridades, mas por todo o setor de investimentos, servindo como um alerta para a importância da diligência e da supervisão rigorosa no relacionamento entre assessores e investidores. A decisão da Justiça Federal moldará o desfecho deste caso de repercussão nacional, que expôs a vulnerabilidade de muitos diante de promessas de altos retornos e de uma confiança mal depositada.

Fonte: https://g1.globo.com

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