A comunidade de Sertãozinho, interior de São Paulo, foi palco de um crime chocante que culminou na confissão de um genro pelo assassinato brutal de sua sogra. Ygor Christian Felizardo, de 28 anos, admitiu à Polícia Civil ser o responsável pela morte de Leonice Aparecida Moscon, de 62. O caso, marcado por detalhes perturbadores revelados durante o interrogatório, aponta para um cenário complexo, com o suspeito descrevendo o tormento mental que o precedeu o ato fatal e as autoridades buscando desvendar todas as facetas da tragédia.

A Confissão e a Justificativa Apresentada

Durante seu interrogatório à Polícia Civil, imagens obtidas pela EPTV revelam o momento em que Ygor Christian Felizardo confessa o crime que tirou a vida de Leonice Aparecida Moscon. O autônomo, atualmente sob prisão preventiva e respondendo inicialmente por feminicídio, alegou ter agido para 'proteger' seu filho de supostos abusos que seriam cometidos pela avó paterna, Leonice. Em trechos da gravação, o suspeito relata a intensidade dos pensamentos antes de desferir os golpes: 'Na hora eu peguei, vinha na mente: acaba com isso logo', expressando um desespero que teria culminado na tragédia.

A Descrição Crua do Assassinato

Os detalhes do ataque, conforme descrito por Ygor Felizardo em depoimento ao delegado Igor Dorsa, são estarrecedores. O suspeito narrou ter entrado na residência de Leonice, localizada no Jardim Vitória, pego uma faca na cozinha e, em seguida, chamado a vítima. Ao encontrá-la, ele se dirigiu ao quarto e iniciou o ataque com múltiplos golpes. Mesmo após Leonice cair no chão, Ygor continuou as agressões, arrastando-a para a cama e desferindo mais facadas. Informações preliminares do Instituto Médico Legal (IML) indicam a extrema violência do ato, apontando que Leonice foi atingida por 38 golpes de faca, entre lesões profundas e superficiais.

Antecedentes e Contradições Iniciais do Suspeito

A trajetória de Ygor Felizardo revela um histórico conturbado. Antes da atual prisão, ele já havia sido detido sob acusação de tentativa de homicídio contra seu padrasto, embora tenha sido absolvido e liberado há cerca de um mês. Documentos médicos apresentados na época indicavam que Ygor possuía transtornos mentais, um fator que a Polícia Civil agora busca investigar novamente, solicitando um laudo de sanidade mental. Curiosamente, nos momentos seguintes à descoberta do corpo de Leonice e antes de sua prisão em flagrante, Ygor chegou a conceder entrevista a jornalistas no local do crime, negando qualquer envolvimento e afirmando ter uma boa relação com a sogra, contrariando a versão que apresentaria posteriormente no interrogatório.

A Linha de Investigação e Evidências Chave

Além da motivação inicial apresentada pelo confesso, a Polícia Civil de Sertãozinho continua a aprofundar a investigação, considerando outras hipóteses. Um dos focos é a possibilidade de um motivo financeiro, dado que Leonice havia sacado R$ 13 mil de um empréstimo pouco antes de sua morte. A coleta e análise de imagens de câmeras de segurança também são cruciais para o esclarecimento total dos fatos. A prisão de Ygor em flagrante foi fundamentada em fortes indícios: suas roupas estavam manchadas de sangue, ele apresentava um ferimento sem cicatrização em uma das mãos, e a ausência de sinais de arrombamento na residência da vítima reforçava a suspeita de que o crime foi cometido por alguém com acesso ou conhecido de Leonice.

Desdobramentos Legais e Ações da Defesa

Com Ygor Felizardo detido na Penitenciária de Pontal, o caso de Leonice Aparecida Moscon segue para as próximas fases do processo judicial. A Justiça já determinou a prisão preventiva do suspeito, assegurando sua custódia enquanto a investigação avança. A Defensoria Pública, responsável pela representação legal de Ygor, informou que, neste momento inicial, irá se manifestar apenas nos autos do processo, conforme os procedimentos legais. A Polícia Civil concentra esforços na análise de laudos e evidências, buscando desvendar por completo as camadas que envolvem este trágico episódio, a fim de garantir que todas as circunstâncias e motivações sejam devidamente apuradas.

Fonte: https://g1.globo.com

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