Seis mulheres foram formalmente indiciadas pela Polícia Civil de Franca (SP) por associação criminosa, roubo, sequestro e cárcere privado. Elas são acusadas de orquestrar o sequestro da família de Milton de Sousa Prado, um caseiro de 44 anos assassinado em junho, em uma complexa trama motivada por vingança e retaliação. A ação do grupo se destaca pela coordenação e clara divisão de tarefas, resultando em ameaças e coerção contra as vítimas.

O crime, que envolve uma série de desaparecimentos e mortes, tem como figura central Maria Isabel Prado, de 21 anos, filha do caseiro. Apontada como mandante do assassinato do pai, ela confessou ter solicitado a Rafael Vitor Silva de Sousa Rosa e Guilherme Henrique Melo da Cruz que aplicassem um 'corretivo' em Milton. Maria Isabel foi uma das vítimas do sequestro e está desaparecida desde 5 de julho, quando foi vista pela última vez em um dos cativeiros.

A Trama de Vingança e o Sequestro da Família

A investigação policial aponta que o sequestro foi uma resposta direta ao desaparecimento de Rafael e Guilherme, os dois homens contratados por Maria Isabel para agredir seu pai. Sem notícias do paradeiro deles após a morte de Milton, parentes dos jovens organizaram a retaliação. A família de Milton, composta pela mãe de Maria Isabel, sua irmã de 15 anos e sua sobrinha recém-nascida, foi mantida em cativeiro em diferentes endereços de Franca.

Durante o período em cárcere, as vítimas foram submetidas a ameaças e coação, sendo forçadas a entregar celulares e senhas. A busca incessante por informações sobre Rafael e Guilherme era o foco das sequestradoras, que agiam de forma agressiva. A mãe, a irmã e a sobrinha foram libertadas pela Polícia Civil dois dias após o sequestro, mas Maria Isabel já havia sido retirada do local antes da chegada dos agentes e seu paradeiro permanece desconhecido.

Papéis Definidos na Organização Criminosa

O inquérito detalha as funções de cada envolvida na ação. Noemi Vitória de Sousa Rosa, tia de Rafael, é apontada como a mentora e chefe do grupo, responsável por coordenar o sequestro e ameaçar diretamente Maria Isabel e sua família. Sua prisão preventiva foi decretada e ela é considerada foragida pela Justiça.

Marcela Eduarda Melo de Paula, mãe de Guilherme, teve participação ativa no crime, inclusive cedendo um dos imóveis utilizados como cativeiro temporário. Kelly Cristina Queiroz Cardoso era a proprietária do último imóvel onde Maria Isabel, a mãe, a irmã e a sobrinha foram mantidas. Ana Laura de Sousa Rosa Alves (irmã de Noemi e tia de Rafael), Kauany Eduarda Melo Cruz (irmã de Guilherme) e Larissa Jhenifer Melo de Paula (tia de Guilherme) participaram diretamente da remoção das vítimas de casa e do transporte entre os três endereços de cativeiro.

Além das mulheres, Wellington Amorim da Silva também foi indiciado e preso em 7 de julho, acusado de vigiar o cativeiro onde Maria Isabel e sua família foram mantidas. A Polícia Civil enfatiza a estrutura organizada da quadrilha, com cada membro desempenhando um papel crucial na execução do plano.

O Enigma das Mortes e o Paradeiro Incerto

A complexidade do caso se aprofunda com a série de mortes interligadas. Uma semana após o sequestro da família de Milton, os corpos de Rafael Vitor Silva de Sousa Rosa e Guilherme Henrique Melo da Cruz foram encontrados na zona rural de Sacramento (MG). As investigações indicam que as mortes de Milton, Rafael e Guilherme, e o sequestro da família, estão diretamente conectados.

O destino de Maria Isabel Prado, a filha do caseiro que encomendou o 'corretivo' no pai e foi alvo do sequestro de vingança, é o ponto de maior incerteza. A polícia não descarta a hipótese de que ela também tenha sido assassinada, dada a gravidade e a sequência dos eventos.

Cronologia dos Eventos Cruciais

<b>16 de junho:</b> O caseiro Milton de Sousa Prado é assassinado em uma chácara em Franca.

<b>25 de junho:</b> Maria Isabel Prado confessa à polícia que pediu a Rafael e Guilherme que agredissem seu pai, resultando em sua morte.

<b>Fim de junho:</b> Rafael e Guilherme desaparecem.

<b>5 e 6 de julho:</b> Maria Isabel, sua mãe, irmã adolescente e sobrinha recém-nascida são sequestradas por parentes dos jovens desaparecidos, sendo levadas a diferentes locais em Franca e pressionadas por informações.

<b>7 de julho:</b> A Polícia Civil resgata a mãe, a irmã e a sobrinha de Maria Isabel em um cativeiro no Jardim Aeroporto III. Maria Isabel não é encontrada no local. Wellington Amorim da Silva é preso, suspeito de vigiar o cativeiro.

<b>9 de julho:</b> Os corpos de Rafael e Guilherme são descobertos em Sacramento (MG).

Conclusão e Próximos Passos da Investigação

O caso de Franca revela uma intrincada cadeia de crimes, onde a vingança e a coerção se entrelaçam com múltiplos assassinatos. A coordenação e a determinação das mulheres indiciadas evidenciam a complexidade da rede criminosa desarticulada pela Polícia Civil. A investigação continua em andamento para localizar Maria Isabel Prado e Noemi Vitória de Sousa Rosa, considerada foragida.

As autoridades buscam elucidar completamente os fatos, conectando cada ponto desta rede de violência que chocou a região, e garantir que todos os envolvidos, incluindo os que ainda estão foragidos, sejam responsabilizados pela Justiça.

Fonte: https://g1.globo.com

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