O Brasil registrou uma significativa redução nos roubos de celulares em 2025, com uma queda de 18,6% em comparação ao ano anterior. Os dados, divulgados na mais recente edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, revelam que essa tendência positiva foi observada em 26 das 27 unidades federativas, com exceção notável do Rio de Janeiro, onde o índice de roubos aumentou 19,4% no mesmo período. A diminuição é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo a expansão de programas governamentais de segurança e o aprimoramento das ferramentas de proteção implementadas pelas principais fabricantes de smartphones no país, como Apple e Samsung, conforme análises do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

A Contribuição do Celular Seguro na Desincentivação do Roubo

Uma das iniciativas apontadas como crucial para essa queda é o programa Celular Seguro, desenvolvido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Com mais de 3 milhões de dispositivos cadastrados, a plataforma atua rapidamente para reduzir a rentabilidade do crime. Ao ser acionado, o programa permite o bloqueio instantâneo de aplicativos bancários, da linha telefônica e do próprio aparelho, dificultando o acesso a contas e recursos financeiros das vítimas e, consequentemente, diminuindo o retorno para os criminosos. Este mecanismo, ao tornar o dispositivo roubado menos valioso ou utilizável, desincentiva a prática, embora seu impacto seja mais direcionado ao roubo, que visa o lucro rápido através do acesso a dados ou revenda do aparelho, do que ao furto, que muitas vezes depende mais da comercialização do hardware.

Tecnologia Contra o Crime: Inovações de Apple e Samsung

Além das iniciativas governamentais, a maior dificuldade em desbloquear e revender smartphones modernos também tem sido um fator decisivo. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública sugere que o avanço nos mecanismos de segurança dos próprios aparelhos tem um papel fundamental. Uma pesquisa na Austrália, por exemplo, demonstrou uma redução significativa no roubo de eletrônicos para revenda, caindo de 33% para 11% devido à proteção aprimorada dos dispositivos – uma tendência que o FBSP acredita replicar-se no Brasil.

A Proteção Avançada da Apple

Entre as funcionalidades de destaque, pesquisadores citaram a 'Proteção de Dispositivo Roubado' da Apple. Esta ferramenta exige autenticação biométrica para operações sensíveis, como a alteração da senha da conta Apple ou a desativação do recurso 'Buscar'. Além disso, pode impor atrasos na execução de determinadas ações se o aparelho for detectado em locais não seguros ou distantes das localizações habituais do usuário, criando uma camada extra de segurança contra acessos não autorizados.

Defesas Inteligentes da Samsung

A Samsung, por sua vez, contribui com sua 'Proteção contra Roubo'. Baseada em funções de segurança do sistema Android, essa tecnologia é capaz de bloquear o celular automaticamente caso detecte movimentos bruscos que sugiram o aparelho sendo arrancado das mãos do usuário. Outro gatilho para o bloqueio é a inatividade do aparelho offline por um longo período, dificultando a ação de criminosos que tentem desativar a conectividade para evitar rastreamento.

Furtos em Ascensão: Um Cenário Distinto

Enquanto os roubos diminuíram, o cenário dos furtos de celulares no Brasil apresenta uma tendência oposta. O país registrou um aumento de 0,9% nos furtos em 2025, totalizando 483.561 ocorrências, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. Essa diferença entre as dinâmicas de roubo e furto é atribuída principalmente ao risco inerente a cada tipo de crime. O roubo, por envolver contato direto entre o agressor e a vítima, muitas vezes com ameaça ou uso de violência, aumenta significativamente as chances de identificação do criminoso, reação da vítima, intervenção de terceiros, ação policial e registro por câmeras de vídeo. Por outro lado, o furto, que não envolve contato direto, é percebido pela vítima apenas posteriormente, reduzindo a exposição e o risco para o autor, especialmente em locais de grande circulação de pessoas e no transporte público.

Perfil dos Furtos e Estratégias Essenciais de Prevenção

O levantamento do FBSP detalhou que 45,6% dos furtos de celulares ocorreram durante o dia, entre 8h e 17h. Em relação às vítimas, 45,2% tinham entre 20 e 39 anos, e 27,5% possuíam 50 anos ou mais. Quanto aos locais, quase metade das ocorrências (49,3%) foram em vias públicas, seguidas por 15,2% em estabelecimentos comerciais e 6,1% no transporte público. Diante desse panorama, o anuário reforça estratégias cruciais para a prevenção. Uma delas é a implementação de mecanismos que tornem os dispositivos permanentemente inutilizáveis, mesmo após restauração às configurações de fábrica, inibindo a revenda e o lucro para criminosos. Outra medida essencial é a redução da demanda por aparelhos ilegais, através de políticas que intensifiquem o combate à receptação, com rigorosa fiscalização tanto em lojas físicas quanto online. Finalmente, o relatório sublinha a importância de fortalecer programas como o Celular Seguro e de estabelecer acordos internacionais para permitir o bloqueio de aparelhos levados para outros países, ampliando a eficácia das medidas de segurança.

A queda nos roubos de celulares é um sinal encorajador da eficácia de abordagens multifacetadas, que combinam iniciativas governamentais e avanços tecnológicos. Contudo, o aumento nos furtos revela que o desafio da segurança de dispositivos móveis é complexo e exige vigilância contínua e estratégias adaptadas. A colaboração entre o poder público, fabricantes de tecnologia e a conscientização da população são fundamentais para construir um ambiente mais seguro para os usuários de smartphones no Brasil.

Fonte: https://www.tecmundo.com.br

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