O Festival João Rock, em sua 23ª edição, transcendeu a experiência musical ao consolidar um robusto compromisso com a sustentabilidade e a acessibilidade. Com um histórico de iniciativas ambientais significativas, incluindo a destinação correta de mais de 14 toneladas de resíduos e a redução de 46% no consumo energético por meio de créditos renováveis, o evento deste ano elevou ainda mais a sua régua. A edição mais recente implementou uma série de ações inovadoras, desde a gestão aprimorada de resíduos até a criação de espaços de acolhimento e a ampliação da infraestrutura para pessoas com deficiência, reafirmando seu papel como um marco de responsabilidade social e ambiental no cenário de grandes eventos.
Gestão Ambiental Integral: Da Montagem ao Desmonte
Diferentemente de edições anteriores, onde o controle ambiental se concentrava nos dias do festival, a 23ª edição do João Rock expandiu o rastreamento de resíduos para todo o ciclo do evento. Essa abordagem abrangente incluiu as fases de montagem e desmontagem das estruturas, garantindo que materiais como entulho de construção civil, madeira, ferragens, lonas, plásticos e metais fossem separados na origem e devidamente encaminhados para reciclagem. A meta estabelecida para esta edição ambiciosa foi o aumento em 30% no reaproveitamento de resíduos orgânicos por meio de compostagem, minimizando significativamente o impacto ambiental.
Nesse esforço, a parceria com a Cooperagir, uma cooperativa local de catadores, desempenhou um papel crucial. Responsável pela triagem de todo o material coletado, a cooperativa não só assegura o destino correto dos resíduos do festival, mas também fomenta a geração de renda e o desenvolvimento socioeconômico na região, criando uma cadeia de valor que vai além da reciclagem pura e simples.
Energia Limpa e Certificada: Um Futuro Sustentável
O João Rock solidificou seu compromisso com a energia limpa ao compensar 100% da eletricidade consumida durante o evento. Essa conquista foi possível graças à parceria estratégica com a Tereos, através de sua marca Guarani, que utilizou créditos internacionais I-REC (International Renewable Energy Certificate). Esses certificados garantem a rastreabilidade da energia, comprovando que ela foi gerada por cogeração a partir da biomassa da cana-de-açúcar, uma fonte renovável e de baixo impacto ambiental.
Gustavo Segantini, diretor comercial da Tereos, enfatizou a importância dessa iniciativa: “A emissão dos certificados I-REC reforça nosso compromisso com uma matriz energética mais sustentável, assegurando que o consumo do festival seja compensado por energia de fonte renovável certificada.” Essa colaboração não apenas neutraliza a pegada de carbono do evento, mas também promove a conscientização sobre o uso de fontes energéticas mais verdes e eficientes.
Acessibilidade Ampliada e Inovadora para Todos
A inclusão foi um pilar fundamental na 23ª edição, com o festival reforçando significativamente sua estrutura para pessoas com deficiência. Entre as melhorias, destacam-se a criação de uma Central de Acessibilidade, estacionamento e entrada exclusivos, plataformas elevadas para uma melhor visibilidade dos shows, banheiros adaptados e a disponibilização de tradução em Libras em todos os palcos, garantindo que a arte e a cultura fossem acessíveis a um público mais amplo.
A parceria com o Banco do Brasil foi crucial para inovações no quesito mobilidade. Foi disponibilizado um kit de mobilidade completo, incluindo o empréstimo de cadeiras de rodas e motorizadas, além de uma oficina para pequenos reparos e uma equipe especializada de apoio durante todo o evento. Até mesmo a roda-gigante, um dos ícones do festival e patrocinada pelo banco, contou com assentos adaptados, permitindo que pessoas com deficiência e mobilidade reduzida desfrutassem plenamente da experiência.
Espaços de Acolhimento e Conscientização Social
Visando o bem-estar e a segurança de seu público, o festival implementou a inédita Sala de Acolhimento. Este espaço foi projetado para oferecer um ambiente tranquilo e seguro para aqueles que precisassem de um momento de descompressão durante o evento. Contou com uma equipe multidisciplinar, ambiente sensorialmente amigável, kits sensoriais e ações de redução de danos, além de equipes volantes dedicadas a prestar apoio contínuo ao público em geral.
Pelo quarto ano consecutivo, o Greenpeace Brasil marcou presença no João Rock, reforçando a mensagem de conscientização ambiental. Com um iglu inflável interativo, o público teve a oportunidade de assistir ao documentário “Juruá: Soluções da Floresta” e participar de diversas ações educativas. Débora Borges, diretora de Captação de Recursos do Greenpeace Brasil, ressaltou: “A participação do Greenpeace Brasil em mais uma edição do João Rock é uma oportunidade de ampliar a conscientização sobre a importância de um mundo mais sustentável.”
A 23ª edição do Festival João Rock demonstra um modelo exemplar de como grandes eventos podem integrar entretenimento de qualidade com responsabilidade socioambiental. Ao expandir suas iniciativas de sustentabilidade para todas as fases da produção, inovar em acessibilidade e oferecer espaços de acolhimento, o festival não apenas proporcionou uma experiência memorável, mas também estabeleceu novos padrões para o setor. O compromisso contínuo com a gestão consciente e a inclusão reforça a visão do João Rock de ser mais do que um festival de música, consolidando-o como uma plataforma de transformação e conscientização para um futuro mais equitativo e sustentável.
Fonte: https://g1.globo.com

