Em um movimento estratégico para salvaguardar a lisura do pleito, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) instituiu, nesta sexta-feira (7), o Conselho Consultivo sobre Integridade Informacional. A nova estrutura tem como missão primordial monitorar e combater o uso indevido da inteligência artificial (IA) e a disseminação de informações falsas durante o período de campanha, visando garantir a normalidade e a transparência das próximas eleições.
O Conselho Estratégico para a Integridade Informacional
O recém-criado conselho atuará diretamente no assessoramento do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, subsidiando as decisões e ações que buscam preservar a integridade do processo eleitoral. Sua formação multidisciplinar reflete a complexidade dos desafios impostos pelo ambiente digital.
Profissionais de diversas especialidades comporão o grupo, incluindo especialistas em tecnologia da informação, segurança pública, relações internacionais e saúde pública, embora os nomes dos participantes ainda estejam em fase de definição pelo Tribunal. As reuniões estão programadas para ocorrer mensalmente, e a atuação do conselho está prevista para estender-se até 31 de dezembro deste ano, cobrindo todo o ciclo eleitoral.
O Arcabouço Regulatório da Inteligência Artificial nas Campanhas
A criação do conselho complementa as diretrizes já estabelecidas pelo TSE em março, que aprovaram regras específicas para o emprego da inteligência artificial nas eleições gerais de outubro. Essas normas, aplicáveis a candidatos e partidos, são um marco no enfrentamento dos riscos da tecnologia no contexto democrático.
Entre as proibições, destaca-se a vedação para que provedores de IA sugiram candidatos aos eleitores, mesmo que a pedido dos usuários. Essa medida visa impedir a interferência algorítmica na livre escolha popular, garantindo que a decisão de voto seja autônoma e informada. Adicionalmente, o TSE implementou proibições explícitas contra a misoginia digital, coibindo a postagem de montagens envolvendo candidatas, bem como fotos e vídeos com nudez ou pornografia nas redes sociais.
A Corte Eleitoral também reforçou a responsabilidade dos provedores de internet, que poderão ser responsabilizados judicialmente caso não removam perfis falsos e publicações ilegais de seus usuários, ampliando o alcance da fiscalização e punição sobre conteúdos nocivos no ambiente online.
O Horizonte das Eleições de 2024
Todas essas iniciativas do TSE ganham ainda mais relevância com a proximidade do calendário eleitoral. O primeiro turno das eleições está agendado para 4 de outubro, data em que os cidadãos brasileiros elegerão deputados federais, estaduais e distritais, governadores, senadores e o Presidente da República.
Caso seja necessário, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro, para a disputa pelos cargos de governador e presidente. Os eleitores retornarão às urnas se nenhum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos válidos — excluindo-se brancos e nulos — no primeiro escrutínio, sublinhando a importância de um processo eleitoral íntegro desde a campanha até a totalização dos votos.
Com a criação deste conselho e a robustez das regulamentações sobre IA, o TSE reafirma seu compromisso em proteger o processo democrático contra as ameaças da desinformação e do uso indevido da tecnologia, garantindo eleições justas e transparentes para todos os brasileiros.

