Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, registrou uma drástica redução de 44,8% no número de multas de trânsito durante o primeiro semestre deste ano. O declínio acentuado é um reflexo direto da atual fase de transição no sistema de fiscalização viária da cidade, caracterizada pelo encerramento das operações de radares móveis e pela progressiva instalação de novos equipamentos fixos, que ainda não estão em pleno funcionamento para autuações.

Análise dos Dados e Contexto da Redução

Os dados levantados pela RP Mobi, empresa responsável pela gestão da mobilidade urbana no município, revelam a magnitude dessa mudança. Entre janeiro e junho de 2024, foram contabilizadas 68.521 autuações. Esse número contrasta fortemente com o mesmo período do ano anterior, 2023, quando a cidade registrou 124.167 multas. A interrupção na fiscalização móvel, somada à inoperância dos radares fixos em fase de testes e homologação, criou um vácuo na aplicação de sanções, impactando diretamente esses resultados.

As Infrações Mais Comuns e o Impacto Financeiro

Apesar da queda geral nas autuações, o levantamento da RP Mobi detalha as infrações que persistiram como as mais recorrentes no primeiro semestre. As condutas impróprias mais frequentemente flagradas incluem estacionar em desacordo com a regulamentação, avançar o sinal vermelho, dirigir utilizando o aparelho celular, estacionar em local proibido e deixar de usar o cinto de segurança. Juntas, essas cinco categorias de violações representaram 57,9% do total das autuações aplicadas no período, com uma estimativa de arrecadação potencial superior a R$ 8,7 milhões, sublinhando a gravidade e a prevalência desses comportamentos no trânsito local.

O Alerta dos Especialistas: Riscos na Segurança Viária

Embora a redução no número de multas possa ser vista por alguns como um alívio, especialistas em trânsito expressam preocupação. Rodrigo Paschoalotto, advogado especializado na área, alerta para o lado negativo dessa diminuição na fiscalização. Segundo ele, a percepção de uma menor vigilância pode levar os motoristas a agir com maior negligência, contribuindo para um aumento preocupante de acidentes e fatalidades nas vias da cidade. A ausência de controle, argumenta Paschoalotto, incentiva comportamentos de risco, que podem ter consequências trágicas para a vida humana no trânsito.

O Futuro da Fiscalização: Novo Sistema de Radares Fixos

A transição para um novo modelo de fiscalização está em andamento. Em fevereiro deste ano, a RP Mobi homologou o Consórcio RP Vias Inteligentes como a empresa vencedora da licitação, encarregada da instalação e gestão do sistema de radares fixos. O consórcio terá um prazo de 30 meses, a partir da assinatura do contrato, para executar a totalidade do serviço, conforme o termo de referência. A prefeitura planeja uma substituição gradual dos equipamentos. O primeiro radar fixo para testes foi instalado em janeiro na Avenida Marechal Costa e Silva, na zona norte da cidade, marcando o início prático da modernização. A RP Mobi assegura que seus agentes continuarão atuando ativamente nas ruas enquanto os novos equipamentos são implantados, garantindo que os radares fixos serão visíveis, devidamente sinalizados e terão suas localizações determinadas por estudos técnicos rigorosos para maximizar sua eficácia e transparência.

Conclusão

Ribeirão Preto vive um período de adaptação em sua política de trânsito. A significativa queda nas multas do primeiro semestre, embora reflexo de uma lacuna temporária na fiscalização, traz à tona um debate crucial sobre segurança viária. Enquanto o novo sistema de radares fixos é progressivamente implementado, a cidade enfrenta o desafio de manter a ordem e proteger vidas. A expectativa é que, com a plena operação dos novos equipamentos, haja um reequilíbrio entre a fiscalização eficiente e a promoção de um trânsito mais seguro e consciente para todos os cidadãos.

Fonte: https://g1.globo.com

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