A Justiça paulista deu início, nesta terça-feira (1º), às audiências de instrução do processo que investiga a tentativa de homicídio contra Adenilson Ferreira Parente, ocorrida em Ribeirão Preto (SP). Larissa de Souza Batista, namorada da vítima, é a principal acusada de ter envenenado um açaí consumido por ele. O desdobramento judicial marca um passo significativo na apuração do caso que chocou a cidade, prometendo trazer novos elementos à tona.
O Início do Processo Judicial e os Depoimentos
No Fórum, cerca de dez pessoas foram ouvidas na primeira sessão das audiências. Entre os depoentes estavam o delegado responsável pela investigação, Fernando Bravo, membros das famílias envolvidas, representantes da loja onde o açaí foi adquirido, o próprio Adenilson Ferreira Parente, a vítima do envenenamento, e a ré, Larissa de Souza Batista. O delegado Bravo, após sua fala à Justiça, ressaltou que a etapa policial do inquérito foi concluída e encaminhada à juíza, que buscou detalhes sobre a metodologia e as conclusões da apuração, aguardando agora a decisão judicial.
As Acusações Formais e a Estratégia da Defesa
O Ministério Público (MP) formalizou a denúncia contra Larissa, acusando-a de tentativa de homicídio qualificado. A qualificação se dá por meio cruel, uso de veneno e por um recurso que dificultou a defesa da vítima. Larissa foi detida preventivamente em abril deste ano, estando atualmente na Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu (SP). Em contrapartida, a defesa da acusada nega veementemente as alegações e já ingressou com um pedido de habeas corpus, argumentando que o próprio MP teria concordado que Larissa não representa risco às investigações e poderia responder ao processo em liberdade.
Detalhes da Tentativa de Homicídio e as Provas Levantadas
O incidente que deu origem ao processo ocorreu em 5 de fevereiro, quando Adenilson, então com 27 anos, passou mal após ingerir o açaí. Ele relatou ter sentido um sabor incomum, semelhante a óleo de motor, apesar de ter adicionado apenas leite em pó ao produto. O jovem precisou ser internado por dez dias em uma unidade de terapia intensiva, mas felizmente sobreviveu. As análises realizadas durante o inquérito confirmaram a presença de terbufós, popularmente conhecido como 'chumbinho', na substância consumida. Além disso, as investigações policiais, corroboradas por imagens de câmeras de segurança, descartaram qualquer manipulação do produto dentro do estabelecimento, reforçando as suspeitas de que Larissa teria adulterado o açaí antes de entregá-lo ao namorado. Um detalhe crucial no inquérito foi a constatação de que a acusada teria 'resetado' seu aparelho celular dias após o envenenamento, um ato que, segundo a Polícia Civil, configura tentativa de ocultação de provas.
A Fundamentação para a Prisão Preventiva
Ao acatar o pedido de prisão preventiva do Ministério Público, a Justiça considerou diversos fatores que indicavam a necessidade da medida cautelar. O MP argumentou que Larissa teria arquitetado um plano para ceifar a vida do namorado com o veneno, e que o crime só não se consumou por circunstâncias alheias à sua vontade. A decisão judicial que decretou a prisão levou em conta, além da gravidade do delito – que pode resultar em pena de até 30 anos de reclusão –, o fato de Larissa possuir ligações familiares em outro estado, o que aumentaria o risco de fuga. A Justiça também ponderou sobre os indícios de que a ré tentou obstruir a justiça, como a formatação de seu telefone celular, conforme apurado pela Polícia Civil.
Contradições no Relacionamento e os Próximos Passos Judiciais
Um aspecto peculiar do caso é a afirmação da defesa de Larissa de que, mesmo diante das acusações de envenenamento, o casal Larissa e Adenilson continua junto. Contraditoriamente, durante as investigações iniciais, Adenilson chegou a expressar sua crença na inocência da namorada. Contudo, após prestar seu depoimento nesta terça-feira, a vítima optou por não se pronunciar à imprensa, mantendo silêncio sobre o andamento do caso e a situação do relacionamento. O pedido de habeas corpus formulado pela defesa de Larissa ainda aguarda análise da Justiça, o que determinará se a ré poderá ou não responder ao processo em liberdade. O desfecho dessas etapas será crucial para a sequência do julgamento e para a elucidação definitiva dos fatos.
Fonte: https://g1.globo.com

