Para Rosana Almeida, o 12 de outubro transcende a celebração nacional para se tornar um marco de fé e superação. Naquela data, em 2002, sua filha, Lívia Almeida, vivenciava sua última crise convulsiva, um alívio após anos de incertezas e uma rotina marcada por desafios inimagináveis. Diagnosticada com a rara e grave Síndrome de West, autismo nível 3 e uma condição genética ligada à deleção do cromossomo 18, Lívia, então com dois anos, chegava a ter impressionantes <b>cem convulsões por dia</b>. Esta é a história de uma mãe que, movida pela fé, buscou incansavelmente um caminho para a recuperação da filha, unindo a medicina de ponta à intercessão divina.

O Início da Luta: Sinais Precoces e o Difícil Diagnóstico

Os primeiros sinais da condição de Lívia surgiram quando ela tinha apenas quatro meses de idade. Rosana recorda um episódio durante o banho, quando a menina subitamente ficou vermelha, encolheu braços e pernas, culminando em um grito que a fez parecer prestes a “explodir”. Inicialmente, este evento foi erroneamente atribuído a cólicas por um pediatra. Contudo, a persistência e a singularidade das manifestações levaram a família de Juiz de Fora (MG) a buscar novas opiniões médicas. Foi um neurologista quem sugeriu a investigação genética, revelando a deleção do braço curto do cromossomo 18 e, posteriormente, a confirmação da Síndrome de West, uma forma de encefalopatia epiléptica que impactava severamente o desenvolvimento da criança.

A Intensidade das Crises e a Busca por Alívio

Com a confirmação do diagnóstico, o principal desafio era controlar as crises convulsivas que, por volta do primeiro ano de vida de Lívia, alcançavam um pico assustador de 80 a 100 episódios diários. Rosana descreve como o padrão das crises mudava, caracterizado por lacrimejamento, movimentos de mastigação, estalar da língua e extremidades frias. A rotina da família transformou-se em uma incessante peregrinação por hospitais, exames e inúmeras tentativas com diferentes medicamentos anticonvulsivos. O problema era duplo: a intensidade das convulsões e os efeitos colaterais da medicação, que deixavam Lívia frequentemente sonolenta e debilitada, somando-se à flacidez muscular já associada à síndrome.

A Virada em Ribeirão Preto: Tratamento Especializado

Diante da gravidade do quadro e da dificuldade em estabilizar Lívia, a família descobriu o trabalho de um renomado médico ligado à Universidade de São Paulo (USP) e, por meio dele, foi indicada a uma neurologista especialista em epilepsia no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP). A partir de então, Rosana e o marido encararam a desafiadora jornada de <b>800 quilômetros</b> entre Juiz de Fora e Ribeirão Preto para as consultas e tratamentos da filha. Lívia chegou ao HC com um histórico vasto de tentativas de tratamento, e foi sob os cuidados dessa nova equipe que a esperança por um controle efetivo das convulsões começou a se materializar.

A Fé como Pilar: Nossa Senhora Aparecida e o Milagre Pessoal

Paralelamente à busca médica, a fé de Rosana em Nossa Senhora Aparecida se tornou um pilar fundamental de sua resiliência. Durante cada uma das longas viagens a Ribeirão Preto, a família fazia questão de parar na Basílica de Nossa Senhora Aparecida. Rosana recorda-se de escrever seus pedidos e depositá-los na caixinha do santuário, clamando à Mãe para que intercedesse junto a Jesus, guiando os médicos de Lívia a encontrar o tratamento adequado. A ligação entre a data da padroeira do Brasil e a última convulsão de Lívia, em 12 de outubro de 2002, solidificou essa crença.

Um dos maiores desejos de Rosana era ver Lívia, que na época precisava de auxílio para se locomover, subir a rampa da Basílica caminhando. Em cada visita, ela visualizava esse momento. Com o passar do tempo e a melhora progressiva do quadro de Lívia, esse desejo se tornou realidade. “Um dia ela vai entrar andando aqui”, prometia Rosana, e Lívia de fato “entrou andando, subiu aquela rampa”. Para a mãe, essa experiência reforça a verdade de que a fé move montanhas, embora ela ressalte que a vivência de sua filha não é um sinal de merecimento superior, mas sim uma inspiração e ajuda para outras famílias em situações semelhantes.

Legado de Esperança e Resiliência

Hoje, aos 26 anos, Lívia Almeida continua a precisar de apoio em suas atividades cotidianas devido ao autismo nível 3, mas o controle das convulsões representa uma vitória monumental. A história de Rosana e Lívia é um testemunho pungente da força inabalável de uma mãe, que combinou a perseverança na busca pelo tratamento médico mais avançado com uma fé profunda e transformadora. É uma narrativa que inspira a nunca desistir, mostrando que, mesmo diante das condições mais desafiadoras, a esperança, a dedicação e a crença podem abrir caminhos e operar grandes mudanças na vida.

Fonte: https://g1.globo.com

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