A cidade de Pitangueiras, no interior de São Paulo, foi palco de momentos de pânico esta semana após dezenas de estudantes e funcionários da Escola Estadual Maurício Montecchi apresentarem um quadro severo e suspeito de intoxicação alimentar. O incidente, que envolveu um bombom de leite em pó servido na quinta-feira (15), desencadeou uma rápida mobilização de pais, equipes médicas e autoridades, que agora investigam a causa exata da contaminação que levou 27 pessoas ao atendimento de emergência.

O Drama das Famílias e a Resposta Médica Imediata

Familiares viveram instantes de angústia ao testemunhar a deterioração súbita da saúde de seus filhos. A auxiliar administrativa Fabiana Neves Martins descreveu o temor ao ver seu filho, Matheus, e outras crianças chegando à Santa Casa pálidas e com vômitos incessantes. “Fiquei com muito medo, porque ele nunca ficou daquele jeito. Na hora que eu vi outras crianças chegando daquela mesma forma, eu falei 'pode ser envenenamento, alguma coisa que ele comeu, né?'”, relatou. No total, 27 indivíduos, incluindo estudantes de 11 e 12 anos e membros da equipe escolar, necessitaram de atendimento médico urgente.

Diante do grande número de pacientes com sintomas gastrointestinais agudos, a Santa Casa de Pitangueiras precisou convocar equipes de sobreaviso para dobrar o contingente de médicos e enfermeiros. Todos os afetados receberam medicação adequada e hidratação venosa, sendo monitorados até que seus quadros clínicos se estabilizassem, resultando na alta de todas as vítimas após o tratamento.

Relatos de Sintomas Intesos e a Urgência do Atendimento

O estudante Matheus Segantine, de 11 anos, exemplifica a gravidade dos sintomas. Poucas horas após o almoço escolar, ao chegar em casa, ele começou a sentir-se mal com tonturas, fortes dores abdominais e náuseas persistentes. “Doía muito aqui, bem assim, em cima do umbigo aqui, pra cima. Eu estava bem ruim, eu estava mole, estava tudo branco. Eu quase desmaiei lá”, descreveu o menino. Sua mãe, Fabiana, ao levá-lo ao hospital, deparou-se com dezenas de outras crianças apresentando um quadro similar de prostração, vômitos ininterruptos e, em alguns casos, alteração na pressão arterial.

A urgência da situação era evidente, com muitos pacientes rejeitando medicamentos por via oral devido aos vômitos constantes, exigindo a administração de soro na veia. A rápida resposta do corpo clínico foi crucial para estabilizar os jovens e evitar complicações mais sérias decorrentes da desidratação e do mal-estar generalizado.

A Investigação Abrangente e os Primeiros Levantamentos

O foco da investigação recai sobre os bombons de leite em pó, preparados no próprio refeitório da escola e servidos como sobremesa junto à feijoada. A Polícia Civil, a Secretaria Estadual da Educação (Seduc-SP) e a Vigilância Sanitária do município estão atuando em conjunto para esclarecer o incidente. Uma perícia foi realizada na escola e o caso foi devidamente registrado em boletim de ocorrência.

Em uma vistoria técnica, a Vigilância Sanitária de Pitangueiras analisou a cozinha da instituição, verificando que a estrutura física, as condições de armazenamento dos ingredientes e os prazos de validade estavam em conformidade com as exigências sanitárias. Para determinar a causa exata da contaminação, amostras da água utilizada no preparo dos alimentos e dos ingredientes do bombom foram coletadas e encaminhadas para análise laboratorial minuciosa no renomado Instituto Adolfo Lutz, além de uma empresa terceirizada do estado. Os resultados dessas análises serão fundamentais para a conclusão das investigações.

Apoio Institucional e a Busca por Respostas Definitivas

A Secretaria Estadual de Educação emitiu uma nota lamentando o ocorrido e informou que acompanhou de perto os estudantes nas unidades de saúde. A pasta ressaltou que o evento foi registrado na Plataforma do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva-SP) e que está colaborando integralmente com todas as autoridades envolvidas para o esclarecimento completo dos fatos. A comunidade escolar e os pais aguardam com expectativa os laudos periciais para compreender o que exatamente causou a repentina e generalizada intoxicação.

O incidente em Pitangueiras reforça a importância da vigilância contínua na segurança alimentar em ambientes coletivos, especialmente escolas. Enquanto a ansiedade persiste entre as famílias, a transparência e a celeridade na apuração dos fatos são cruciais para restaurar a confiança e garantir que medidas preventivas eficazes sejam implementadas, evitando que situações semelhantes voltem a ocorrer.

Fonte: https://g1.globo.com

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