A Justiça de Ribeirão Preto (SP) decretou a manutenção da prisão preventiva do advogado Guilherme Menna Barreto Gentil, detido em flagrante durante uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A investigação, batizada de Operação Libelo, mira um sofisticado esquema de fraude envolvendo milhares de ações em nome de idosos aposentados na região. O magistrado responsável pela decisão citou a suspeita de que o advogado tentou destruir provas cruciais durante a ação policial, arremessando dispositivos eletrônicos pela janela de seu apartamento.
O Flagrante e a Decisão Judicial
Guilherme Menna Barreto Gentil foi preso em flagrante na terça-feira (20), com a prisão posteriormente convertida em preventiva pelo juiz Nemércio Rodrigues Marques, da Vara Regional das Garantias de Ribeirão Preto. A decisão judicial, que acolheu o pedido do Ministério Público, fundamenta-se em indícios de que o advogado buscou frustrar a coleta de dados durante a operação. A defesa do advogado, a cargo de Julio Mossin, havia declarado que seu cliente não admitiu ter jogado os equipamentos e que ninguém é obrigado a produzir provas contra si, questionando a necessidade da prisão.
A Tentativa de Obstrução no Apartamento
O desdobramento que culminou na prisão e na manutenção da custódia preventiva ocorreu quando policiais do Gaeco tentaram cumprir mandado no apartamento do advogado. Diante da recusa em abrir a porta, a equipe precisou arrombá-la. No interior do imóvel, apesar de inicialmente ser informada da ausência de Gentil, os agentes ouviram ruídos vindo de um banheiro trancado. Ao forçar a entrada, encontraram Guilherme próximo a uma janela aberta, com um celular no parapeito. Posteriormente, um notebook e outro aparelho celular foram localizados danificados na cobertura da piscina do prédio, sugerindo que haviam sido arremessados do quinto andar.
Embora ninguém tenha testemunhado o exato momento em que os aparelhos foram descartados, o juiz considerou a sequência de eventos como indício suficiente de uma tentativa deliberada de obstrução. A conduta foi vista como uma ação direta para destruir provas que deveriam ser apreendidas por ordem judicial, ultrapassando o direito de permanecer em silêncio ou não colaborar com as autoridades. O flagrante foi enquadrado na lei de organizações criminosas, que prevê sanções para quem dificulta investigações desse gênero.
As Razões da Manutenção da Prisão Preventiva
A custódia preventiva de Guilherme Menna Barreto Gentil foi mantida com base em três pilares fundamentais, conforme a decisão judicial. Primeiramente, para proteger a investigação, que ainda depende da recuperação de dados dos aparelhos apreendidos e de arquivos na internet, além da análise de movimentações financeiras e fiscais e da oitiva de centenas de potenciais vítimas. A liberdade do advogado poderia facilitar a eliminação remota de arquivos, a alteração de senhas e a influência sobre testemunhas e clientes.
Em segundo lugar, a medida visa garantir a ordem pública. O juiz apontou a existência de indícios de um esquema organizado e de grande porte, envolvendo milhares de processos, onde créditos de idosos eram negociados por valores irrisórios e saques eram concentrados em contas diretamente ligadas ao investigado. Por fim, a prisão preventiva busca evitar a fuga. O advogado possui visto válido para os Estados Unidos, onde esteve recentemente, e seu patrimônio ainda está sob rastreamento, aumentando o risco de que ele tente se evadir após a operação. O magistrado ainda concluiu que alternativas mais brandas, como o uso de tornozeleira eletrônica ou prisão domiciliar, seriam ineficazes, dada a tentativa do suspeito de se desfazer de provas na presença policial.
O Esquema Fraudulento Contra Aposentados
A Operação Libelo, coordenada pelo Gaeco em Ribeirão Preto e Altinópolis (SP), aponta Guilherme como figura central em um robusto esquema de fraude. A investigação identificou um volume impressionante de processos vinculados ao advogado: cerca de 1,3 mil em um dos sistemas do Tribunal de Justiça, centenas em outro e mais de 2 mil ações somente na comarca de Altinópolis.
O modus operandi revelado indica que muitos dos autores das ações, em sua maioria idosos, desconheciam a tramitação dos processos em seus nomes e o montante de dinheiro liberado. Em consultas a processos específicos, observou-se que créditos de beneficiários eram adquiridos por menos de 20% do seu valor real, com as solicitações de saque direcionando os valores para a conta pessoal do advogado, evidenciando um padrão de exploração financeira de indivíduos vulneráveis.
A seriedade das acusações e a firmeza da decisão judicial sublinham a gravidade do caso, que envolve não apenas a suposta fraude milionária, mas também a tentativa de obstar a justiça. A investigação prossegue para desvendar todos os detalhes do esquema e responsabilizar os envolvidos.
Fonte: https://g1.globo.com

