A cidade de Rifaina, no interior de São Paulo, foi palco de um brutal feminicídio na noite da última terça-feira (27), chocando a comunidade local. Priscila Lacerda Custodio, uma jovem de 24 anos, foi tragicamente morta a tiro às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), próximo a uma propriedade rural. O principal suspeito é seu companheiro, João Roberto Bolelli, um pecuarista de 62 anos, que se encontra foragido desde o crime.
O relacionamento entre Priscila, natural de Perdizes (MG), e Bolelli, que tinha uma diferença de 38 anos de idade, durava há quase quatro meses. A fatalidade ocorreu em um encontro para a devolução de um veículo, culminando em uma discussão que teve um desfecho trágico e é investigada pela Polícia Civil como feminicídio.
A Preocupação que Precedeu a Tragédia
A viagem de Priscila de Perdizes (MG) até Rifaina não era apenas para devolver uma caminhonete pertencente a Bolelli. A jovem, acompanhada por seu irmão e uma amiga, partiu com uma notável apreensão. Relatos à polícia indicam que Priscila havia compartilhado agressões e ameaças por parte do pecuarista nos dias anteriores, o que justificou a necessidade de não ir sozinha ao encontro.
A decisão de seus acompanhantes em protegê-la refletia a seriedade das denúncias. Durante o trajeto, a inquietação da vítima era perceptível, e seu irmão, ao receber o pedido de companhia, sentiu que ela poderia estar sendo intimidada. Esses indícios de vulnerabilidade pré-existente lançam luz sobre o contexto de violência que culminaria no assassinato.
O Histórico de Violência e Monitoramento
O relacionamento esporádico de Priscila com João Roberto Bolelli, que se iniciou em julho do ano corrente, já era marcado por um ciclo de violência. Apenas quatro dias antes do crime, na sexta-feira (23), a jovem teria sido agredida pelo pecuarista, com as lesões sendo testemunhadas pela amiga que a acompanhava na viagem fatídica.
Além das agressões físicas, Priscila confidenciou à amiga sobre ameaças graves, incluindo a promessa de um tiro na cabeça. O suspeito também teria contratado pessoas para monitorar a jovem, movido pela desconfiança de que ela estaria envolvida com outro homem. Bolelli, segundo os relatos, demonstrava um controle possessivo, chegando a afirmar que não permitiria que Priscila retornasse à sua cidade natal, Perdizes, intensificando o clima de medo que cercava a vítima.
A Dinâmica Fatal do Encontro e o Disparo
A sequência de eventos que levou à morte de Priscila começou com a chegada do grupo ao local combinado para a devolução da caminhonete. Priscila e o irmão conduziam o veículo de Bolelli, enquanto a amiga os seguia em outro carro. Para auxiliar a amiga no caminho até a propriedade rural, Priscila deixou a caminhonete e entrou no carro dela. Ao chegarem à entrada do local, João Roberto Bolelli surgiu em um veículo branco, acompanhado por outras pessoas não identificadas em diferentes carros.
A discussão rapidamente escalou quando Priscila expressou o desejo de terminar o relacionamento. O pecuarista, então, exigiu a devolução de um celular que havia dado a ela, enquanto Priscila, por sua vez, solicitava o retorno de seu próprio aparelho. Bolelli também confrontou a jovem sobre uma viagem a Sacramento (MG), acusando-a de infidelidade. Em meio à altercação, o pecuarista sacou uma arma e atirou contra Priscila. Após o disparo, ele apontou a arma para o irmão da vítima, que conseguiu se proteger, antes de fugir.
A Fuga do Suspeito e a Investigação Policial
Após atirar em Priscila, João Roberto Bolelli fugiu do local a bordo da própria caminhonete que a vítima havia ido devolver. Priscila foi prontamente socorrida pelo irmão e levada ao hospital de Rifaina, mas, infelizmente, não resistiu aos ferimentos e faleceu. Seu celular foi apreendido pela perícia, que buscará informações relevantes para a investigação.
A Polícia Militar, alertada sobre a mulher baleada, deslocou-se ao hospital para colher os primeiros depoimentos das testemunhas. Posteriormente, as equipes seguiram para a propriedade rural do suspeito, mas ele não foi localizado. A área do crime foi imediatamente preservada e submetida a perícia. A Polícia Civil de Rifaina prossegue com a investigação para esclarecer a motivação completa, a dinâmica exata dos fatos e as circunstâncias da fuga de Bolelli, que permanece foragido. A defesa do pecuarista informou que está analisando o caso e ainda não teve contato com seu cliente.
Este trágico episódio em Rifaina ressalta a urgência no combate à violência contra a mulher e a importância de denunciar ameaças e agressões. A busca por justiça para Priscila Lacerda Custodio continua, enquanto as autoridades trabalham para capturar o responsável e esclarecer todos os detalhes deste feminicídio, que deixa uma comunidade em luto e em alerta.
Fonte: https://g1.globo.com

