A cidade de Rifaina, no interior de São Paulo, foi palco de uma tragédia que chocou a comunidade e expôs a brutalidade da violência contra a mulher. Priscila Lacerda Custodio, uma jovem empresária de apenas 24 anos, natural de Perdizes (MG), foi assassinada a tiros na última terça-feira (27), em um crime que mobilizou as autoridades e desencadeou uma caçada a João Roberto Bolelli, um pecuarista de 62 anos com quem a vítima mantinha um relacionamento casual. O caso, investigado como feminicídio, ganhou contornos de urgência com a decretação da prisão preventiva do suspeito, que segue foragido.
A Vida e o Legado de Priscila: Uma Jovem Independente e Dedicada
Priscila Lacerda Custodio era descrita por seus familiares e amigos como uma mulher exemplar, dotada de uma notável ética de trabalho e um espírito empreendedor. Segundo Geovane Santana, seu irmão, Priscila iniciou sua jornada profissional aos 16 anos como bartender e, com o tempo, fundou sua própria empresa de marketing digital. Essa iniciativa não apenas a consolidou financeiramente, mas também a permitiu atuar na cobertura de eventos, auxiliando artistas e amigos, demonstrando sua paixão e competência na área.
Sua independência financeira era um traço marcante. Geovane enfatizou que a irmã nunca precisou do apoio material de terceiros e, ao contrário, era ela quem estendia a mão à família. A caçula entre os irmãos, Priscila era um pilar de suporte, revertendo seu sucesso em benefício daqueles que amava, características que tornam sua perda ainda mais dolorosa para os entes queridos, que a recordam como uma pessoa "maravilhosa".
Um Relacionamento Marcado por Ameaças e Violência
O relacionamento entre Priscila e o pecuarista João Roberto Bolelli, iniciado em julho deste ano, era casual, porém, conforme relatos de uma amiga próxima da vítima, rapidamente se tornou conturbado. A jovem expressava o desejo de encerrar o vínculo, mas enfrentava resistências e hostilidades por parte de Bolelli. Testemunhas indicam que o suspeito demonstrava um comportamento possessivo, desconfiando de Priscila e questionando seus deslocamentos, como uma viagem a Sacramento (MG), onde a acusava de encontrar outro homem.
As tensões se agravaram com o surgimento de ameaças explícitas. A amiga de Priscila revelou à polícia que a jovem havia relatado ter sido agredida por Bolelli na sexta-feira anterior ao crime, mostrando as lesões. Além disso, o pecuarista teria ameaçado Priscila de morte – especificamente, de "dar um tiro na cabeça dela" – e chegado a contratar pessoas para monitorá-la, aumentando o clima de medo e apreensão. Diante desse cenário preocupante, a amiga havia alertado Priscila sobre os riscos de viajar sozinha para Rifaina.
Os Momentos Fatais e o Cenário do Crime
Na terça-feira fatídica, Priscila viajou de Perdizes para Rifaina com o intuito de devolver uma caminhonete pertencente a Bolelli. Ela estava acompanhada do irmão, que dirigia o veículo a ser entregue, e de uma amiga, que a seguia em outro carro. O encontro foi marcado à entrada de uma propriedade rural, às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), onde Bolelli chegou em um carro branco, acompanhado por outras pessoas não identificadas.
A situação escalou rapidamente para uma discussão acalorada. Conforme o boletim de ocorrência, Priscila reiterou seu desejo de terminar o relacionamento. A disputa se centrou também na troca de aparelhos celulares: Bolelli exigia a devolução de um celular que havia dado à vítima, que por sua vez, condicionava a entrega à devolução de seu próprio aparelho. Foi nesse momento de tensão, em meio às acusações de infidelidade, que Bolelli sacou uma arma e atirou contra Priscila. Ele ainda apontou a arma para o irmão da vítima, que conseguiu fugir para buscar socorro.
Ferida gravemente, Priscila foi socorrida pelo irmão e levada ao hospital de Rifaina, mas, infelizmente, não resistiu aos ferimentos e faleceu. Após o disparo, João Roberto Bolelli empreendeu fuga imediata, deixando o local do crime.
A Fuga do Suspeito e a Busca por Justiça
A Polícia Civil iniciou imediatamente a investigação do caso como feminicídio. Com base nos depoimentos das testemunhas e nos indícios coletados, a Justiça decretou a prisão preventiva de João Roberto Bolelli na quarta-feira (28). No entanto, até a última atualização desta reportagem, o pecuarista não havia sido localizado, e sua defesa informou não ter tido contato com ele.
O histórico de Bolelli revela um padrão preocupante: ele já havia sido preso e condenado por descumprir uma medida protetiva concedida a uma ex-companheira. Esse precedente adiciona uma camada de seriedade à investigação atual, sugerindo um comportamento recorrente de desrespeito e violência em relacionamentos. As autoridades seguem em busca do foragido para que ele responda pelo grave crime que interrompeu precocemente a vida de Priscila Lacerda Custodio.
A perda de Priscila ressoa como um alerta cruel sobre a persistência da violência de gênero. Sua morte trágica, em meio a um relacionamento conturbado e marcada por ameaças prévias, destaca a urgência de combater o feminicídio e garantir a proteção de mulheres que buscam romper ciclos de abuso. A família, em luto profundo, anseia por justiça e que o responsável por essa brutalidade seja devidamente responsabilizado pela lei.
Fonte: https://g1.globo.com

