A história de Suélen Giron, uma jornalista de 43 anos, serve como um poderoso lembrete da importância da prevenção e da coerência entre o discurso e a prática. Em março deste ano, ela recebeu um diagnóstico de câncer de mama em estágio inicial, uma descoberta que veio no seu primeiro exame de mamografia. Após um período de tratamento intensivo no renomado Hospital de Amor de Barretos, a jornalista está agora em remissão, mas o episódio redefiniu completamente sua visão de vida e, especialmente, sua abordagem profissional.

O Estímulo Inesperado à Autocuidado

Até 2025, Suélen confessava ter exames de rotina atrasados há pelo menos três anos, uma postura que contrastava fortemente com sua prática diária. Como radialista na região de Araçatuba (SP), ela constantemente orientava suas ouvintes sobre a vital necessidade da prevenção. Acreditava firmemente não ter problemas de saúde, o que a levou a negligenciar o acompanhamento médico.

A virada de chave ocorreu após uma entrevista ao vivo, no ano passado, com uma médica especializada no Outubro Rosa. As palavras da especialista e a mensagem que Suélen transmitia ao público começaram a ecoar em sua própria consciência. Como professora de oratória, a jornalista sempre valorizou a coerência, e a dissonância entre suas orientações e suas ações pessoais tornou-se insustentável. Essa percepção foi o catalisador que a impulsionou a finalmente buscar a própria ginecologista para atualizar seus exames.

Do Adiamento ao Diagnóstico Preciso

Apesar da decisão de buscar acompanhamento, a jornalista ainda adiou a consulta por alguns meses, planejando realizar os exames no início de 2026, aproveitando a correria de fim de ano. Contudo, a chegada de janeiro deste ano e a proximidade do Março Lilás, mês dedicado à mulher e à conscientização sobre o câncer ginecológico, reforçaram seu compromisso. Em janeiro, Suélen finalmente realizou a consulta e, em março, agendou uma bateria completa de exames de imagem: mamografia, ultrassom da mama e da tireoide.

O diagnóstico não demorou: apenas duas semanas após os exames, a notícia de um carcinoma mamário invasivo. A partir desse momento, iniciou-se a busca por tratamento, que a levou ao reconhecido Hospital de Amor de Barretos. Ao compartilhar sua jornada com um círculo restrito de pessoas, Suélen ficou surpresa ao descobrir que muitas mulheres próximas, mesmo aquelas com fácil acesso à saúde — como irmãs e esposas de médicos, ou secretárias de consultórios — também estavam com exames preventivos atrasados, corroborando a percepção de que 'nunca acontece comigo' ou 'não tenho tempo'.

A Batalha e as Lições da Radioterapia

A biópsia revelou um nódulo de apenas sete milímetros, praticamente imperceptível ao toque, localizado na região do decote. Suélen recebeu o diagnóstico sozinha, dentro do carro, ao abrir o resultado do exame que acabara de buscar. O impacto emocional foi devastador; ela descreve a sensação de que o 'chão estava desabando'. Já familiarizada com a doença devido a leituras prévias, ela confirmou a gravidade da situação com o auxílio de inteligência artificial, antes de se permitir um longo período de choro e de contatar sua psicóloga e seu pai. A ironia de receber tal notícia justamente em 12 de março, no Mês da Mulher, que ela esperava celebrar com a tranquilidade de seus exames em dia, amplificou a carga emocional.

Exames adicionais, como o imuno-histoquímico, indicaram que o câncer de Suélen era de origem hormonal. Graças ao tamanho diminuto do nódulo e à sua natureza não agressiva, ela pôde ir diretamente para a cirurgia, evitando a quimioterapia. No entanto, precisou de três semanas de sessões de radioterapia em Barretos. Apesar de a quimioterapia ser amplamente associada à debilitação, Suélen descreve a radioterapia como o período mais difícil de seu tratamento. A distância da família e do filho, combinada com um cansaço que ela, como mãe solo e jornalista, jamais havia experimentado, tornou essa fase particularmente desafiadora.

Uma Nova Perspectiva e um Chamado Urgente

A jornada de Suélen Giron, de comunicadora de saúde a paciente e, finalmente, a vitoriosa, transformou-a profundamente. A experiência não apenas a fez reavaliar suas prioridades pessoais, mas também reforçou a responsabilidade de sua plataforma para amplificar a mensagem de prevenção. Sua história é um testemunho vívido de como a autocoerência pode, de fato, salvar vidas. Ela emerge desta experiência com uma voz ainda mais potente, agora munida de uma vivência que transcende a teoria, tornando-a uma embaixadora ainda mais convincente da saúde e do autocuidado.

O caso de Suélen serve como um alerta contundente: a ausência de histórico familiar ou a crença de que 'nada acontecerá' não são escudos contra a doença. A prevenção ativa e a realização regular de exames são passos indispensáveis para a detecção precoce e, consequentemente, para o sucesso do tratamento. Sua recuperação e seu testemunho são um convite irrecusável a que cada um de nós reflita sobre a importância de colocar a própria saúde em primeiro lugar, sem adiamentos.

Fonte: https://g1.globo.com

Share.

Comments are closed.