Um incidente alarmante abalou uma escola particular na Zona Sul de Ribeirão Preto (SP) nesta sexta-feira (21), quando um adolescente de 14 anos esfaqueou um colega de 13. O agressor, em depoimento à Polícia Civil, alegou ter sido vítima de bullying contínuo, tanto em um grupo de WhatsApp quanto no ambiente escolar, o que teria motivado sua reação. O caso, que resultou em uma perfuração pulmonar na vítima, levanta questões sobre segurança, saúde mental e a eficácia das políticas de prevenção ao bullying em instituições de ensino.
O Incidente e a Versão do Agressor
A agressão ocorreu durante o intervalo, no pátio do Colégio Itamaraty, localizado no Jardim Irajá. O adolescente de 14 anos, que confessou a autoria, relatou às autoridades que a série de provocações e humilhações começou em um grupo de rede social entre estudantes, intensificando-se após ele pedir auxílio para um trabalho escolar. O delegado Haroldo Chaud destacou que o agressor agiu de forma inesperada, em resposta ao que descreveu como ofensas e bullying, que poderiam ter culminado em fatalidade para o colega.
A defesa do adolescente de 14 anos acrescentou que o jovem possui Transtorno do Espectro Autista (TEA) e alegou que a faca utilizada, uma lâmina de serra de 11 centímetros encontrada em uma área da cozinha da escola à qual alunos não teriam acesso, foi um meio de se defender de agressões físicas dos mesmos colegas que o humilhavam verbalmente. O advogado Daniel Rondi classificou o ocorrido como um ato infracional de ocasião, ressaltando o histórico de sofrimento psicológico e verbal de seu cliente.
Estado de Saúde da Vítima e Desdobramentos Legais
O aluno de 13 anos esfaqueado foi prontamente socorrido, consciente, e encaminhado a um hospital particular, onde passou por cirurgia devido a uma perfuração no pulmão. Felizmente, seu quadro clínico é considerado estável, e ele se recupera da intervenção cirúrgica. A Polícia Militar, que atendeu a ocorrência, confirmou que a faca ficou alojada nas costas da vítima e que os dois adolescentes frequentam a mesma turma.
No âmbito legal, o caso foi registrado pela Polícia Civil como ato infracional análogo a tentativa de homicídio. As autoridades policiais solicitaram o recolhimento do adolescente agressor à Fundação Casa, porém, o Juizado da Infância e Juventude decidiu que o jovem responderá ao processo em liberdade. A perícia técnica foi acionada para investigar as circunstâncias da agressão e a origem exata da arma.
A Posição da Instituição de Ensino
Em nota oficial, o Colégio Itamaraty afirmou não ter registro ou notificação prévia de episódios de bullying envolvendo o estudante agressor. A escola reiterou seu compromisso com a prevenção do bullying e a promoção de uma cultura de não violência, pautada pela convivência ética e escuta ativa, informando que mantém um programa permanente para esses fins. A instituição também confirmou que agiu imediatamente para conter a situação, acionar o atendimento médico necessário e que suspendeu as atividades letivas do período da tarde no dia do incidente. O colégio assegurou que está colaborando integralmente com as apurações das autoridades competentes.
Investigação em Andamento e Reflexões
A Polícia Civil prossegue com as investigações para detalhar as circunstâncias da agressão, incluindo a confirmação da origem da faca e as motivações completas que levaram ao ato. O delegado Haroldo Chaud ressaltou a natureza inesperada do incidente, que agora será objeto de uma apuração minuciosa. O caso de Ribeirão Preto lança luz sobre a complexidade das relações sociais no ambiente escolar, a importância da atenção à saúde mental dos adolescentes e a necessidade de estratégias eficazes para identificar e intervir em situações de bullying antes que escalem para atos de violência.
Fonte: https://g1.globo.com

