Uma nova pesquisa divulgada pelo centro de estudos AP-NORC revela que a maioria dos americanos considera que as ações militares dos Estados Unidos contra o Irã foram além do necessário. O levantamento, conduzido em meio à quarta semana de uma campanha militar conjunta entre EUA e Israel, também destaca uma preocupação ascendente com o custo da gasolina no cenário doméstico, apontando para potenciais desafios políticos para a administração em Washington.

Percepção Pública sobre a Intervenção Militar no Irã

Cerca de 59% dos entrevistados expressaram a opinião de que a intervenção militar dos EUA no Irã foi excessiva. Esta percepção surge em um momento em que a presença militar americana no Oriente Médio tem sido reforçada com o envio de navios e tropas, apesar de uma aprovação geral do presidente Donald Trump que permanece estável em aproximadamente 40%. A pesquisa sugere que, embora a base de apoio presidencial se mantenha, a condução do conflito pode se tornar um ponto sensível e gerar problemas políticos para o governo republicano.

A Crescente Preocupação com os Custos do Combustível

Paralelamente à desaprovação da escala da ação militar, a pesquisa aponta para uma elevação significativa na preocupação com o preço da gasolina. Atualmente, 45% dos americanos estão 'muito' ou 'extremamente' preocupados em arcar com os custos do combustível, um aumento considerável em comparação com os 30% registrados em uma pesquisa anterior, logo após a reeleição de Trump. Manter os preços da gasolina baixos emerge como um raro ponto de consenso na política americana, sendo considerado muito importante por três quartos dos republicanos e dois terços dos democratas, embora a intensidade da preocupação varie: aproximadamente 60% dos democratas estão muito preocupados, em contraste com cerca de 30% dos republicanos.

Objetivos Estratégicos e Divisões Partidárias

Apesar das críticas sobre a extensão das ações militares, há um apoio considerável a um dos principais objetivos do governo: impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. Aproximadamente dois terços dos americanos classificam essa meta como 'extremamente' ou 'muito' importante. Contudo, essa prioridade entra em conflito com o peso semelhante que a população atribui à necessidade de evitar a alta nos preços de petróleo e gás, criando um dilema para as decisões governamentais.

As prioridades também revelam divisões partidárias acentuadas. Enquanto cerca de 80% dos republicanos consideram a não proliferação nuclear iraniana muito importante, apenas cerca de metade dos democratas compartilha dessa visão. Além disso, a ideia de conter ameaças iranianas contra Israel é considerada prioritária por apenas 40% dos entrevistados, e a de derrubar o governo iraniano encontra ainda menos apoio, com aproximadamente 30% a considerando uma ação importante.

Desconfiança na Liderança e o Futuro do Conflito

Aproximadamente metade dos americanos expressa pouca ou nenhuma confiança na capacidade de Trump para tomar decisões corretas sobre o uso de força militar fora do país. A aprovação da política externa do presidente, em 34%, e a avaliação específica da condução do conflito com o Irã, em 35%, mostram-se estáveis mas relativamente baixas. O presidente, por sua vez, tem mantido uma postura ambígua, alternando entre ameaças e menções a possíveis negociações diplomáticas para o fim da guerra.

A rejeição a medidas mais agressivas é clara: cerca de 60% da população se opõe ao envio de tropas terrestres, incluindo 80% dos democratas e metade dos republicanos. Ataques aéreos, por sua vez, dividem opiniões: um pouco menos da metade se opõe, enquanto cerca de 30% apoia e outro terço permanece indeciso. Essas percepções coletadas pela pesquisa, que ouviu 1.150 adultos entre 19 e 23 de março, destacam um cenário complexo para a política externa e interna dos Estados Unidos.

Fonte: https://g1.globo.com

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