Um popular 'trenzinho' de passeio foi alvo de uma operação da Guarda Civil Metropolitana (GCM) na noite da última sexta-feira, dia 20, em Ribeirão Preto (SP). A apreensão, ocorrida na Avenida Lygia Latuf Salomão, no bairro João Rossi, levantou questões sobre a conformidade de veículos de transporte de passageiros na cidade e gerou um embate de versões entre os órgãos fiscalizadores e a empresa responsável.
Ação da Fiscalização e as Primeiras Contestações
A ação da GCM resultou na interdição do veículo após a constatação de diversas infrações. Segundo os agentes, o trenzinho circulava sem equipamentos de segurança obrigatórios, como faróis e extintor de incêndio. Adicionalmente, foi reportado que o condutor não possuía a habilitação adequada para operar um veículo com tais características. Após a identificação dessas irregularidades, a equipe da RP Mobi foi acionada para realizar a remoção do trenzinho da via pública.
O Contraponto da Empresa Responsável
Em resposta às alegações da fiscalização, a Meteoro, empresa que administra o trenzinho, apresentou uma versão divergente dos fatos. Em nota enviada à EPTV, a Meteoro afirmou categoricamente que o motorista estava devidamente habilitado no momento da abordagem, possuindo Carteira Nacional de Habilitação (CNH) regularizada e curso específico para transporte de passageiros. A empresa garante que toda a documentação necessária foi prontamente apresentada às autoridades no instante da fiscalização.
O proprietário do veículo, por sua vez, complementou que o setor tem investido significativamente na adequação dos trenzinhos às exigências do poder público. Contudo, ele manifestou frustração com o surgimento constante de novas regulamentações. Outro ponto de preocupação levantado pela empresa diz respeito aos 'seguidores' — pessoas que correm atrás do trenzinho. O dono argumenta que essa situação foge ao controle dos condutores e que, apesar de promessas de intensificação na fiscalização para coibir tal prática, a realidade tem sido a apreensão dos veículos, responsabilizando os operadores por um fenômeno que, segundo ele, não conseguem gerir.
A Posição da Prefeitura de Ribeirão Preto
A Prefeitura de Ribeirão Preto, por meio do Departamento de Fiscalização Geral, ofereceu uma perspectiva distinta sobre o caso. A administração municipal esclareceu que o trenzinho apreendido operava sem o necessário Alvará de Funcionamento e já havia sido autuado em ocasiões anteriores, além de apresentar outras pendências relativas à documentação e características do veículo.
Foi ainda destacado que, em uma reunião realizada recentemente com o prefeito Ricardo Silva, um prazo de 30 dias foi concedido aos responsáveis pelos trenzinhos para que regularizassem suas atividades. No entanto, as exigências legais não foram cumpridas dentro do período estabelecido. A prefeitura também reforçou que vídeos circulando nas redes sociais comprovam a formação de aglomerações perigosas de pessoas correndo atrás do trenzinho, configurando um risco à segurança pública. A orientação expressa aos proprietários para acionar a GCM nestes casos, visando a organização e proteção do público, não foi seguida, agravando a situação.
A apreensão do 'trenzinho' em Ribeirão Preto evidencia a complexidade da regulamentação de atividades de lazer que envolvem o transporte de passageiros e a segurança pública. Enquanto a fiscalização aponta para falhas documentais e operacionais, a empresa argumenta conformidade do condutor e dificuldades com as constantes mudanças nas exigências, além do desafio de gerenciar o comportamento dos 'seguidores'. O episódio sublinha a necessidade de um diálogo contínuo e eficaz entre o poder público e os operadores para garantir que a diversão seja sempre acompanhada da mais estrita observância das normas de segurança e legais, protegendo tanto os passageiros quanto o público em geral.
Fonte: https://g1.globo.com

