Verona, a cidade imortalizada pela lenda de Romeu e Julieta, se prepara para um novo capítulo em sua rica história, desta vez com um toque olímpico. Em um aguardado domingo de fevereiro de 2026, a Arena di Verona, um majestoso anfiteatro romano com quase dois milênios de existência, será o cenário grandioso para a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milano Cortina. Este evento marca a fusão perfeita entre a antiguidade e a modernidade, celebrando o esporte em um dos palcos mais emblemáticos da Itália.
Beleza em Ação: A Cerimônia de Encerramento
A cerimônia de encerramento, que terá início às 16h30 (horário de Brasília), promete ser um espetáculo inesquecível, concebido para mais de 12 mil espectadores que preencherão as antigas arquibancadas. Sob o tema 'Beleza em Ação', o evento foi idealizado para transcender as expectativas, mergulhando profundamente na vasta herança cultural italiana. Conforme o Comitê Organizador de Milano Cortina 2026, o objetivo é "retratar a beleza sob uma perspectiva diferente, ligada à grande cultura italiana da ópera, do esporte, do atletismo e do território". Este conceito não só homenageia as raízes italianas, mas também estabelece um diálogo vibrante entre a história milenar da Arena e a vitalidade do esporte contemporâneo, elevando a experiência dos Jogos a um patamar artístico e cultural único.
Uma Janela para a Roma Antiga: A História e Arquitetura da Arena
Embora a data exata de sua construção permaneça imprecisa, historiadores estimam que a Arena di Verona foi erguida na primeira metade do século I d.C. Originalmente concebida para espetáculos de gladiadores e outros entretenimentos públicos, sua arquitetura imponente e funcionalidade são testemunhos da engenharia romana. A estrutura se distingue pela sua coloração bicolor, resultante do uso do mármore Rosso Ammonitico, que confere tons de branco e rosado ao edifício. Sua forma oval, com aproximadamente 31 metros de altura e dimensões de 140 por 100 metros, é um exemplo clássico da arquitetura anfiteatral romana, sendo considerada o terceiro maior 'Coliseu' da Itália em termos de proporção.
A configuração atual da Arena difere de sua concepção original. Inicialmente, contava com um anel externo que, ao longo dos séculos, se perdeu devido à ação do tempo e eventos naturais. Esta fachada externa monumental, outrora coroada por 72 arcos, hoje exibe apenas quatro de seus elementos originais, que resistiram ao passar de quase dois milênios, marcando visivelmente a passagem do tempo e as transformações sofridas pela construção.
Do Gladiador à Ópera: A Evolução e O Palco da Despedida Olímpica
O interior da Arena di Verona reflete a organização prática e eficiente da Roma Antiga. No centro, a vasta arena era o palco para as atividades, circundada por arquibancadas dispostas em níveis circulares, destinadas ao público. Inicialmente, um pequeno muro separava o espaço central das áreas de assento, garantindo a segurança dos espectadores. As arquibancadas eram divididas em três faixas principais, formando quatro setores distintos, e corredores circulares facilitavam a movimentação da multidão – elementos que foram adaptados e, em parte, removidos durante reformas substanciais ocorridas no período do Renascimento, visando modernizar e preservar a estrutura para novos usos.
Ao longo dos séculos, a Arena transcendeu sua função original. De combates de gladiadores, ela se tornou um renomado palco para óperas e grandes espetáculos culturais, consagrando-se como um dos mais importantes teatros ao ar livre do mundo. Agora, em 2026, ela abraça novamente um papel histórico, servindo como o grandioso palco para a despedida das Olimpíadas de Inverno. O design do palco para a cerimônia de encerramento é particularmente inovador, inspirado na forma de uma gota d’água. Este elemento simbólico visa conectar as localidades olímpicas nas montanhas ao Vale do Rio Pó, no norte da Itália, e serve também como um poderoso lembrete da influência das mudanças climáticas, tema de crescente relevância nos Jogos de Inverno.
A Arena di Verona, com sua profunda história e notável capacidade de adaptação, demonstra ser muito mais do que uma relíquia do passado; é um monumento vivo que continua a ecoar o espírito humano de competição, arte e celebração, agora unindo-se ao legado olímpico global.

