A cidade do Rio de Janeiro será palco de um novo marco cultural com a construção da Biblioteca dos Saberes, um complexo de aproximadamente 40 mil metros quadrados idealizado para promover diálogo, reflexão e um senso de pertencimento. Localizada na Cidade Nova, adjacente ao Terreirão do Samba e ao Monumento a Zumbi dos Palmares, a biblioteca representa uma iniciativa ambiciosa para revitalizar a região.

O projeto é assinado pelo renomado arquiteto Diébédo Francis Kéré, laureado com o Prêmio Pritzker em 2022, em colaboração com Mariona Maeso Deitg e Juan Carlos Zapata, do escritório Kéré Architecture. Kéré destaca a importância de criar um espaço onde as pessoas possam se reunir para ouvir e compreender a história do Brasil, refletindo sobre os acontecimentos que moldaram a nação.

A Biblioteca dos Saberes integra o projeto Praça Onze Maravilha, um plano abrangente de ações urbanas que visa redesenhar a área do Sambódromo e seus arredores, conhecida como Pequena África, com um investimento previsto de R$ 1,75 bilhão. O novo espaço cultural abrigará diversas funções, incluindo teatro, anfiteatro coberto, cozinhas, salas de estudo, áreas expositivas, oficinas, café e espaços ao ar livre. A biblioteca também incorporará acervos já existentes, como o do Museu de Imagens do Povo, e adotará modelos de mediação cultural de instituições internacionais.

Kéré enfatiza que a estrutura não é apenas um edifício, mas uma extensão das favelas e da cidade, oferecendo uma visão panorâmica que transcende os limites geográficos tradicionais. O arquiteto visualiza um espaço aberto a todos, conectando diferentes realidades e integrando comunidades.

O ponto focal do edifício é a “árvore do conhecimento”, uma estrutura cilíndrica de quatro andares com iluminação natural, inspirada nas árvores nativas da Floresta da Tijuca e no papel social das árvores em Gando, a cidade natal de Kéré em Burkina Faso. A “árvore do conhecimento” atua como um núcleo vertical, organizando os diferentes níveis da biblioteca e permitindo uma variedade de atividades, desde leitura silenciosa até apresentações dinâmicas, encontros e oficinas.

A proposta arquitetônica valoriza elementos característicos da arquitetura tropical, como cobogós, pilotis, fachadas perfuradas, jardins suspensos, terraços ajardinados e pátios sombreados. Uma passarela para pedestres conectará diretamente a biblioteca ao Monumento a Zumbi dos Palmares.

O projeto reconhece a importância cultural da antiga Praça Onze, considerada o berço da primeira escola de samba, e ressalta as contribuições indígenas e afro-brasileiras na formação da identidade carioca. A Biblioteca dos Saberes é apresentada como um legado do título de Rio Capital Mundial do Livro, fortalecendo as políticas de democratização do acesso ao livro e a integração entre bibliotecas públicas e comunitárias.

Fonte: revistacasaejardim.globo.com

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