O escritor Augusto Cury, que se lançou candidato à presidência da República pelo partido Avante nas eleições de 2026, obteve um resultado expressivo em sua cidade natal, Colina, no interior de São Paulo. Apesar de um desempenho modesto em nível nacional, a votação em seu berço eleitoral contrastou com a performance dos líderes na disputa, e foi acompanhada por um anúncio que marca uma reviravolta em sua breve incursão política: a decisão de se afastar do cenário eleitoral e não apoiar nenhum dos candidatos no segundo turno.

Desempenho Eleitoral: Colina e o Cenário Nacional

Em Colina (SP), na região de Barretos, Augusto Cury conquistou 1.784 votos válidos, o que representa 17,3% do eleitorado local. Este percentual o posicionou à frente de diversos outros candidatos, ainda que os nomes que avançaram para o segundo turno — Flávio Bolsonaro (PL), com 48,74%, e Lula (PT), com 31,42% — tenham dominado a preferência. É importante notar que o município registrou uma abstenção considerável, atingindo 22,91%.

No panorama nacional, Cury encerrou sua participação no pleito em terceiro lugar, acumulando 2,89% dos votos válidos, que totalizaram 3.448.569 eleitores. O resultado o colocou atrás dos dois principais contendores, que agora se preparam para o embate final no segundo turno, agendado para 25 de outubro.

O Adeus à Política e a Crítica à Polarização

Após a apuração de quase 100% das urnas no domingo (4), Augusto Cury anunciou publicamente sua intenção de não prosseguir na carreira política. A declaração foi feita à imprensa, onde o escritor manifestou sua firme convicção: 'Hoje eu tenho claro dentro de mim, 100% de convicção, que eu não vou continuar na política. Amanhã ninguém sabe, mas eu costumo não mudar de opinião quando eu tenho uma convicção muito grande, até porque nós temos vários projetos'.

Cury também se manteve neutro quanto ao segundo turno, recusando-se a declarar apoio tanto a Flávio Bolsonaro quanto a Lula. O ex-presidenciável teceu críticas contundentes à dinâmica eleitoral, destacando que 'a doença da polarização leva as pessoas a um superficialismo em relação à política de Estado'. Ele lamentou a prevalência da popularização em detrimento de propostas concretas e criticou o conceito de 'voto útil', que, segundo ele, 'é cruel, porque você retira das pessoas a liberdade delas poderem exercer o seu direito solene de votar'.

O escritor acompanhou a apuração dos votos em Ribeirão Preto (SP), sua cidade de residência, ao lado de seu companheiro de chapa, o candidato a vice-presidente Júlio Delgado (Podemos), ambos aceitando plenamente os resultados das urnas.

Reflexões e Propostas no Dia da Votação

No domingo pela manhã, ao registrar seu voto em Colina, Augusto Cury já havia expressado suas preocupações sobre a polarização política. Em um pronunciamento, ele criticou a postura de ambos os candidatos que seguiram para o segundo turno. Cury afirmou que 'Lula da Silva (…) fala que é o pai dos pobres, mas ele governa para os ricos, porque os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres'. Da mesma forma, questionou a capacidade de Flávio Bolsonaro para liderar o país, mencionando que ele 'nunca plantou uma horta, nunca colocou o seu dinheiro como capital de risco numa empresa digna'.

Durante sua campanha, Cury propôs que, caso fosse eleito, renunciaria ao salário de presidente e se comprometeria a convocar 'os melhores' profissionais para compor sua equipe de governo, visando uma gestão focada em competência e resultados.

Conclusão

A campanha presidencial de Augusto Cury, marcada por um notável desempenho em sua terra natal e uma presença mais discreta no cenário nacional, chega ao fim com sua decisão de se afastar da vida política. Sua postura crítica à polarização e ao 'voto útil' ecoa um descontentamento com os rumos da política tradicional, enquanto sua convicção em buscar outros projetos pessoais reforça uma preferência por arenas fora do embate eleitoral. O escritor, que se despediu da corrida presidencial aceitando os resultados, agora se volta para suas outras esferas de atuação, deixando para trás uma breve, mas reflexiva, passagem pela política brasileira.

Fonte: https://g1.globo.com

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