Em uma visita de Estado à Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou o engajamento do Brasil na manutenção da América do Sul como uma zona de paz. A declaração, feita ao lado do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, em Nova Délhi, sublinhou a visão brasileira para um cenário geopolítico mais equilibrado e cooperativo. A agenda diplomática culminou na assinatura de um acordo bilateral de grande relevância, focado em minerais críticos e terras raras, solidificando ainda mais a parceria estratégica entre as duas nações do Sul Global.
A Visão de Paz e a União do Sul Global
Durante seu discurso, o presidente Lula enfatizou a profunda similaridade entre Brasil e Índia, apesar das diferenças demográficas. Ele ressaltou que ambas as nações enfrentam desafios análogos e possuem conhecimentos científicos e tecnológicos convergentes. Essa proximidade, segundo o líder brasileiro, é um pilar fundamental para fortalecer não apenas a relação bilateral, mas também o conceito do Sul Global como um bloco coeso. O objetivo central dessa união estratégica é claro: prevenir a emergência de novas rivalidades geopolíticas que possam remeter a cenários de 'guerra fria' entre potências, promovendo um mundo mais multipolar e cooperativo.
O compromisso do Brasil com a estabilidade regional na América do Sul se insere nessa perspectiva mais ampla de construção de um ambiente internacional de paz. Ao alinhar-se com a Índia, o país busca ampliar sua influência e a voz dos países em desenvolvimento na arena global, defendendo soluções pacíficas para conflitos e a valorização do multilateralismo como ferramenta de governança global.
Acordo Pioneiro sobre Minerais Críticos e Transição Energética
Um dos pontos altos da visita foi a assinatura do acordo sobre minerais críticos e terras raras, anunciado conjuntamente por Modi e Lula. Este entendimento representa um avanço significativo na parceria estratégica, com implicações diretas para a economia global e a transição energética. A cooperação visa expandir investimentos em minerais essenciais para a fabricação de tecnologias avançadas, como veículos elétricos, painéis solares, smartphones, motores a jato e mísseis guiados.
O Brasil, que detém a segunda maior reserva global desses recursos estratégicos, encontra na Índia um parceiro que busca ativamente reduzir sua dependência de fornecedores tradicionais, como a China. A Índia tem investido na expansão da produção interna, em reciclagem e na diversificação de suas cadeias de suprimento. Essa colaboração é vista por Modi como um passo crucial para a construção de cadeias de suprimento globais mais resilientes e seguras. Para Lula, o acordo reforça a cooperação bilateral em energias renováveis e acelera a transição energética de ambos os países, alinhando-se com a Aliança Global para Biocombustíveis, onde as duas nações já são protagonistas na agenda climática e energética mundial.
Expansão Comercial e Agenda Diplomática Abrangente
Além do acordo sobre minerais, os líderes brasileiro e indiano abordaram a expansão das trocas comerciais, que já superaram a marca de US$ 15 bilhões em 2025. O Brasil figura como o principal parceiro comercial da Índia na América Latina, e a meta estabelecida é ambiciosa: elevar o comércio bilateral para US$ 20 bilhões até 2030. Essa projeção reflete o potencial de crescimento e a complementariedade econômica entre as duas nações, que buscam diversificar suas relações comerciais e fortalecer os fluxos Sul-Sul.
A visita de Lula à Índia, iniciada em Nova Délhi, incluiu a participação em uma cúpula global sobre inteligência artificial, demonstrando o interesse do Brasil em debater e se posicionar nas fronteiras tecnológicas. A agenda também contou com uma cerimônia oficial de boas-vindas, a prestação de homenagens a Mahatma Gandhi e reuniões de alto nível com o primeiro-ministro Modi. Após a conclusão de seus compromissos na Índia, o presidente Lula seguirá para a Coreia do Sul, onde manterá encontros com o presidente Lee Jae-myung e participará de um fórum empresarial, dando continuidade à sua extensa agenda diplomática na Ásia.
Conclusão: Parceria Estratégica para um Futuro Compartilhado
A visita do presidente Lula à Índia ressalta a importância crescente das relações bilaterais entre Brasil e Índia, não apenas para o desenvolvimento mútuo, mas também para a configuração de uma ordem global mais equitativa e pacífica. O acordo sobre minerais críticos e a defesa de um Sul Global fortalecido e livre de tensões geopolíticas marcam um período de maior alinhamento e cooperação estratégica. Essa parceria robusta é um testemunho do potencial que as economias emergentes possuem para moldar um futuro onde a paz, o desenvolvimento sustentável e a resiliência das cadeias produtivas são prioridades globais.
Fonte: https://g1.globo.com

