O autônomo Ygor Christian Felizardo, de 28 anos, que confessou ter tirado a vida de sua sogra, Leonice Aparecida Moscon, de 62 anos, em junho deste ano, foi o centro de uma importante audiência de instrução e julgamento nesta quarta-feira (16) em Sertãozinho, interior de São Paulo. Preso preventivamente desde a época do crime, Felizardo responde por feminicídio, um crime de grave repercussão que chocou a comunidade local.

O Desenrolar Judicial de um Crime Chocante

Esta audiência representa um marco crucial no processo judicial. Nela, a Justiça avalia as provas e os depoimentos para determinar o curso do julgamento: se o caso será levado a um júri popular, se o acusado poderá ser absolvido por falta de elementos, ou se novas diligências e a produção de provas complementares serão solicitadas. Desde sua prisão, Ygor Felizardo foi transferido para a Penitenciária de Pontal (SP), aguardando as decisões que moldarão seu futuro legal.

A Angústia e a Busca por Justiça da Família

Às vésperas da audiência, Marilene Schiavinato, uma das filhas de Leonice, expressou ao g1 a profunda dor e a pressão que a família tem enfrentado nos meses seguintes à morte da mãe. Ela reforçou a expectativa por justiça e a importância de que o crime não seja esquecido, buscando no acompanhamento do processo uma forma de luta para que a memória de sua mãe seja honrada e seu caso não se torne apenas mais uma estatística de violência. Marilene foi ouvida durante a sessão, compartilhando seu testemunho e a dor de uma perda tão brutal.

A Confissão e os Detalhes do Homicídio

Durante interrogatório à Polícia Civil, Ygor Christian Felizardo confessou o assassinato de Leonice. Imagens obtidas pela EPTV, afiliada da TV Globo, registraram o depoimento em que ele alegou ter agido para proteger seu filho de supostos abusos que seriam cometidos pela avó da criança. É importante ressaltar que as acusações de Ygor contra Leonice jamais foram provadas. Segundo a descrição do delegado Igor Dorsa, Ygor relatou ter entrado na residência da sogra, pegado uma faca na cozinha, a chamado e, ao se encontrarem na sala, a perseguiu até o quarto, onde desferiu os primeiros golpes. Mesmo após a vítima cair, ele continuou as agressões, a colocando na cama e aplicando mais facadas. Leonice foi encontrada morta em 15 de junho, com um total de 38 golpes de faca, entre lesões profundas e superficiais.

O Flagrante e as Pistas Irrefutáveis

A descoberta do corpo de Leonice ocorreu após uma das filhas, esposa de Ygor, desconfiar da ausência de respostas às tentativas de contato. No local, durante o atendimento da Polícia Militar, Ygor chegou a conceder entrevista a jornalistas, negando qualquer conhecimento sobre o ocorrido e afirmando ter um bom relacionamento com a sogra. Contudo, momentos depois, ele foi detido em flagrante como principal suspeito. Roupas com manchas de sangue encontradas em sua posse, um ferimento ainda não cicatrizado em uma de suas mãos e a ausência de sinais de arrombamento na casa da vítima foram evidências cruciais que corroboraram as suspeitas contra o autônomo, levando à sua prisão preventiva e posterior indiciamento por feminicídio.

Próximos Passos e a Expectativa por Justiça

Com a conclusão da audiência de instrução e julgamento, o processo segue para as próximas fases. A gravidade do crime e as evidências apresentadas colocam o caso de Ygor Felizardo em destaque, e a sociedade de Sertãozinho e região aguarda o desfecho de um processo que busca não apenas punir o responsável, mas também reafirmar o valor da vida e a inaceitabilidade da violência de gênero. A família de Leonice, por sua vez, mantém a esperança de que a justiça seja plenamente feita para mitigar, ao menos em parte, a dor de uma perda irreparável.

Fonte: https://g1.globo.com

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