Uma onda crescente de furtos de placas de bronze e outros artefatos decorativos tem assolado o Cemitério Municipal de Pitangueiras, no interior de São Paulo, gerando profunda insatisfação e tristeza entre os moradores. A ação de criminosos não se limita ao prejuízo material, mas se estende ao valor sentimental e à memória dos entes queridos, violando um espaço de luto e homenagem. As famílias que visitam o local clamam por mais segurança e medidas efetivas para proteger o descanso dos seus familiares.
A Dor do Saque e a Indignação Familiar
Para as famílias afetadas, a perda vai muito além do custo financeiro de uma peça de bronze. Placas com décadas de existência, que carregam a história e a identidade dos falecidos, são levadas, provavelmente, para a venda como sucata. A jornalista Lis Canello expressa a frustração ao relatar o furto de uma placa com mais de 45 anos, destacando que, enquanto para os ladrões o valor é irrisório, para sua família, o impacto sentimental é imenso. A esperança de um espaço de recordação pacífico é substituída pela angústia e indignação.
O jornalista Thiago Carlos Bento, que também teve túmulos de entes queridos vandalizados, compartilha do sentimento. A meticulosa escolha de fotos e a confecção de molduras, feitas com carinho para preservar a memória, transformam-se em uma dolorosa ausência ao chegar ao cemitério e encontrar o espaço vazio. Esse ato de violação desrespeita a memória e causa um sofrimento adicional a quem já lida com a dor da perda.
Vulnerabilidades Estruturais Facilitam a Ação Criminosa
Os moradores de Pitangueiras apontam uma série de falhas na infraestrutura do cemitério que, segundo eles, facilitam a ocorrência dos furtos. A deficiência na iluminação noturna, a altura dos muros – considerados baixos para a segurança necessária –, e a localização do cemitério em uma área mais afastada da cidade são fatores críticos. Lis Canello sugere que medidas de baixo custo, como o aumento da altura dos muros e a instalação de serpentinas, poderiam coibir a entrada de criminosos.
Além disso, a presença de árvores altas dentro e nas proximidades do cemitério é vista como um elemento que pode auxiliar a ação dos ladrões, oferecendo cobertura e rotas de fuga. Diante da persistente insegurança, muitas famílias, como a de Lis, optam por não repor os itens furtados de imediato, aguardando que o poder público implemente melhorias substanciais na segurança do local antes de fazer novos investimentos em memoriais.
A Resposta da Administração Municipal e o Apelo à População
Em resposta às crescentes reclamações, a Prefeitura de Pitangueiras, por meio do secretário municipal de Segurança Pública, Junio Cesar de Araújo, informou que a administração está avaliando e implementando medidas para combater os furtos. Entre as ações planejadas e em andamento, destacam-se o reforço da iluminação em toda a área do cemitério e a elevação e укрепление dos muros perimetrais.
O secretário também salientou que o patrulhamento extensivo no cemitério é realizado diariamente pelas forças de segurança municipais. Além das iniciativas da prefeitura, Junio Cesar de Araújo enfatizou a importância da colaboração da população, orientando que todos os casos de furto sejam formalmente registrados por meio de boletins de ocorrência. Esse registro é fundamental para subsidiar as investigações e direcionar de forma mais eficaz as ações de combate à criminalidade no local.
Um Chamado à Proteção da Memória e da Dignidade
A situação no Cemitério Municipal de Pitangueiras evidencia a necessidade urgente de proteger os espaços de memória e honra. Enquanto a administração municipal se mobiliza para reforçar a segurança e a infraestrutura, a comunidade permanece vigilante, esperando que as promessas se traduzam em um ambiente verdadeiramente seguro e respeitoso. A preservação da dignidade dos túmulos e a tranquilidade das famílias em luto são premissas básicas que exigem atenção contínua e soluções duradouras para que o cemitério possa, de fato, cumprir seu papel como um local de paz e lembrança.
Fonte: https://g1.globo.com

