A Coreia do Sul testemunhou um desenvolvimento dramático em seu cenário político e jurídico com o pedido da pena de morte para o ex-presidente Yoon Suk Yeol. A solicitação, feita por promotores nesta terça-feira, refere-se à sua tentativa fracassada de impor a lei marcial durante seu mandato. O caso, que mergulhou o país em profunda crise, é um lembrete contundente da fragilidade democrática e da seriedade das acusações de insurreição contra um líder de estado.

O Pedido de Pena Máxima e as Graves Acusações

Durante a audiência final do julgamento por insurreição, realizada em Seul, promotores especiais solicitaram a condenação à pena capital para o ex-presidente Yoon Suk Yeol, categorizado como o 'líder da insurreição'. A agência de notícias sul-coreana Yonhap detalhou que os acusadores descreveram o ex-chefe de Estado como o mentor de uma tentativa de golpe, que visava consolidar seu poder ao assumir o controle dos poderes Judiciário e Legislativo. Esta medida, segundo a acusação formal perante o Tribunal Distrital de Seul, representou um ataque direto aos alicerces democráticos do país.

Cronologia de uma Crise Política Profunda

A sequência de eventos que culminou neste pedido sem precedentes teve início em dezembro de 2024, quando Yoon Suk Yeol decretou lei marcial, buscando fechar o Parlamento e restringir direitos civis. Contudo, a resistência imediata de legisladores e da população levou à derrubada da medida em poucas horas. Em janeiro do ano seguinte, 2025, o presidente afastado foi formalmente indiciado por insurreição, um dos poucos crimes para os quais a imunidade presidencial não se aplica. Apesar de uma breve soltura por motivos processuais em março, ele retornou à prisão em julho, após ter seu impeachment confirmado em 3 de abril. Este período de instabilidade se estendeu por quase todo o ano de 2025, culminando na eleição de um novo presidente e em esforços para estabilizar a nação.

A Defesa do Ex-Presidente e o Contexto Histórico

Yoon, de 65 anos, consistentemente refuta todas as acusações. Em sua defesa, ele alegou que a imposição da lei marcial seria uma ação necessária para conter a atuação de agentes pró-Coreia do Norte no país, ou, alternativamente, uma tentativa de 'advertência' para resolver um impasse político. No entanto, as investigações não encontraram evidências substanciais para sustentar suas alegações. O caso ganha ainda mais peso ao ser analisado no contexto da Coreia do Sul, uma nação com um longo histórico de golpes de Estado. Isso confere à acusação de insurreição – um crime punível com prisão perpétua ou morte, embora não haja execuções por essa infração há décadas – uma dimensão histórica e política significativa.

A audiência final do julgamento contra Yoon Suk Yeol representa um momento crucial para a democracia sul-coreana. O pedido de pena de morte ressalta a gravidade das acusações e o compromisso do sistema judicial em responsabilizar até mesmo os mais altos cargos políticos. Enquanto o país aguarda a decisão final, o desfecho deste caso certamente deixará um legado duradouro sobre o respeito ao Estado de Direito e a inviolabilidade das instituições democráticas na Coreia do Sul.

Fonte: https://g1.globo.com

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