O cenário político paraguaio vivenciou uma madrugada de tensão e reviravolta na virada de sexta-feira para sábado (7 de novembro de 2026), com a transferência do ex-presidente Santiago Peña para uma instalação militar. A medida de segurança foi tomada poucas horas após sua destituição do cargo por impeachment e a decretação de sua prisão domiciliar, em meio a protestos crescentes que exigiam sua detenção imediata. Os acontecimentos recentes aprofundam a crise que assola o país, deflagrada pelo escândalo financeiro do banco ueno.

Movimentação Noturna e Questões de Segurança

A movimentação que levou Santiago Peña para fora de sua residência ocorreu nas últimas horas da sexta-feira, logo antes da meia-noite, conforme noticiado pelo jornal paraguaio 'ABC'. A decisão de transferir o ex-presidente, que já se encontrava em prisão domiciliar, foi motivada por preocupações com sua segurança. Uma multidão de manifestantes havia se aglomerado em frente à sua casa, no bairro Mbocayaty, em Assunção, exigindo sua imediata condução a uma prisão comum. Os protestos escalaram, resultando em confrontos com a polícia e acentuando a necessidade de um local mais seguro para sua custódia.

Peña foi levado para o Regimiento Escolta Presidencial (REP), uma infraestrutura militar estrategicamente localizada em Assunção. Esta unidade é tradicionalmente utilizada para a proteção do presidente paraguaio e de sua família, além de ser um ponto de acolhimento para autoridades estrangeiras durante visitas oficiais ao país, o que sublinha o caráter delicado da situação que envolveu a remoção de um chefe de Estado.

A Destituição do Cargo e o Escândalo Ueno

A série de eventos que culminou na transferência de Peña teve início na tarde de sexta-feira, quando o presidente, que governava o Paraguai desde 2023, foi alvo de um processo de impeachment e, consequentemente, destituído de suas funções. Imediatamente após a remoção do cargo, um decreto de prisão foi emitido contra ele, devido ao seu envolvimento direto no escândalo de corrupção que envolveu o banco ueno.

A quebra do banco ueno desencadeou uma severa crise econômica e política em todo o Paraguai, gerando indignação pública e intensas repercussões. O processo de impeachment e a subsequente ordem de prisão de Peña são reflexos diretos das investigações sobre as irregularidades financeiras e a má gestão que levaram à derrocada da instituição bancária, impactando significativamente a estabilidade financeira e a confiança pública do país.

Os Próximos Capítulos da Crise e a Transição Presidencial

Com a transferência para o Regimiento Escolta Presidencial, Santiago Peña aguarda os próximos passos do processo judicial que se desenrola contra ele. Está previsto que o ex-presidente compareça a uma promotoria federal já neste sábado, às 10h no horário de Brasília, para prestar depoimento no âmbito das investigações de corrupção que o incriminam. A audiência é aguardada com grande expectativa, podendo trazer novos desdobramentos para o caso e elucidar o grau de envolvimento do ex-mandatário no escândalo.

Paralelamente à crise jurídica e pessoal de Peña, o Paraguai já iniciou sua transição de liderança. Pedro Alliana, que ocupava o cargo de vice-presidente durante a gestão de Peña, assumiu a presidência do país na própria sexta-feira, buscando restaurar a ordem e a confiança em um momento de profunda instabilidade nacional. A chegada de Alliana ao poder marca um novo capítulo para a política paraguaia, embora o foco permaneça nas implicações do escândalo ueno e no futuro legal de seu antecessor, que segue sob custódia.

A série de eventos – da quebra bancária ao impeachment e, agora, à transferência sob custódia militar – ilustra a gravidade da crise que se abate sobre o Paraguai. A nação sul-americana enfrenta não apenas os desdobramentos jurídicos de um ex-presidente, mas também o desafio de reconstruir a confiança institucional e a estabilidade econômica em um cenário de forte polarização e incerteza política.

Fonte: https://g1.globo.com

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