A Polícia Civil de Ituverava, no interior de São Paulo, instaurou um inquérito para apurar a conduta de um empresário suspeito de disparar uma arma de fogo na direção de um cachorro comunitário. O incidente, ocorrido na madrugada de uma quinta-feira recente, foi capturado por câmeras de segurança, revelando o momento em que o animal, apesar de não ter sido atingido, correu assustado pela proximidade do disparo. O caso gerou ampla repercussão e mobilizou autoridades e a comunidade local, que pedem a rigorosa responsabilização do envolvido.
Detalhes da Investigação e Provas Apresentadas
O inquérito policial, liderado pelo delegado Jucélio de Paula Silva Rego, está focado na investigação de crimes de maus-tratos a animais e disparo de arma de fogo em via pública. Uma peça-chave para as autoridades foi a entrega, por uma testemunha, de uma munição compatível com o calibre 9 milímetros, encontrada no local do incidente. O delegado ressaltou a seriedade do achado, afirmando que uma arma desse calibre é de uso restrito, o que adiciona gravidade às acusações. As imagens de segurança também servem como prova fundamental, delineando a sequência dos acontecimentos e a interação do suspeito com o animal momentos antes do ato.
A Dinâmica do Incidente e a Versão do Suspeito
Por volta das 4h da manhã, em uma rua próxima à entrada de uma faculdade, as câmeras registraram o empresário Vinicius Henrique Pouças, que estava em grupo e consumindo bebidas, aproximando-se do cachorro que repousava tranquilamente. As imagens detalham a interação inicial do homem com o animal, antes que ele sacasse um objeto semelhante a uma arma e efetuasse o disparo. Embora o tiro não tenha ferido o cão, o susto foi evidente, fazendo-o fugir em disparada. Questionado pela reportagem, Pouças minimizou o ocorrido, alegando que tudo não passou de uma brincadeira e que a arma utilizada não seria de verdade. Essa defesa, contudo, é confrontada pela descoberta da munição de calibre 9 milímetros pelas autoridades policiais.
Repercussão Social e o Destino do Animal
O episódio provocou forte indignação, com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Ituverava emitindo uma nota de repúdio veemente. A entidade condenou a prática de maus-tratos e violência contra animais, destacando que tais condutas violam a legislação vigente, os valores éticos e o próprio senso de humanidade, cobrando a responsabilização dos envolvidos. A comunidade local, especialmente estudantes universitários, já conhecia o cachorro, descrito como dócil e frequentador assíduo da região. Diante da comoção e da necessidade de segurança para o animal, uma estudante se sensibilizou e o adotou, batizando-o carinhosamente de 'Berrante', garantindo-lhe um lar seguro após o trauma vivenciado.
A investigação prossegue para esclarecer as motivações e determinar as responsabilidades legais do empresário. O caso de Ituverava acende um alerta sobre a importância da proteção animal e a gravidade do uso indevido de armas de fogo, reforçando o compromisso das autoridades em coibir atos que atentem contra a vida e a segurança de seres vivos e da comunidade em geral.
Fonte: https://g1.globo.com

