A confrontação entre Estados Unidos e Irã atingiu um novo patamar de gravidade, marcada por declarações alarmantes e uma intensificação de ataques militares recíprocos na região. Em meio a esta escalada, um porta-voz militar iraniano fez uma acusação sem precedentes, afirmando que Washington estaria empregando um arsenal que havia sido reservado para um conflito global de grandes proporções, a Terceira Guerra Mundial, contra o território iraniano. Essa alegação surgiu enquanto as forças de ambos os lados prosseguiam com ofensivas militares que ameaçam desestabilizar ainda mais o Oriente Médio.
Acusações Iranianas sobre o Arsenal Norte-Americano
Na quarta-feira (22), o general Abolfazl Shekarchi, porta-voz militar do Irã, concedeu uma entrevista a uma rádio iraniana, onde detalhou a natureza do armamento que, segundo ele, os Estados Unidos estão mobilizando contra seu país. Shekarchi afirmou que os EUA estão utilizando “todas as capacidades, todas as armas e todas as previsões” que foram acumuladas para um cenário de Terceira Guerra Mundial. Ele enfatizou que armamentos testados globalmente, mas nunca antes empregados em combate real, estariam sendo usados contra a República Islâmica. A declaração sugere que Washington estaria esgotando planos de contingência e equipamentos destinados a confrontos com as principais potências mundiais no atual conflito com o Irã.
Ciclo de Ataques e Retaliações na Região
As declarações do general Shekarchi precederam o que se tornou a 13ª noite consecutiva de ataques das Forças Armadas dos EUA contra alvos iranianos. Relatos indicaram explosões em diversas localidades estratégicas, incluindo a ilha de Qeshm, uma base naval crucial para o Estreito de Ormuz; na província de Isfahan, que abriga uma importante base aérea e locais de testes nucleares; e também nas províncias de Khuzistão e Fars. A ofensiva americana se estendeu até a manhã de sexta-feira (24), com agências de notícias iranianas semi-oficiais Fars e ISNA reportando que uma base naval da Guarda Revolucionária, no norte do Irã, também foi atingida.
Em resposta à ofensiva norte-americana, Teerã também lançou sua própria série de ataques. Na sexta-feira, o Irã retaliou, visando uma base militar no norte do Iraque que abriga forças dos EUA. Jornalistas da Associated Press em Irbil, capital da região curda semi-autônoma, relataram ter ouvido pelo menos sete explosões e observado quatro colunas de fumaça preta subindo de áreas próximas ou dentro da base localizada no aeroporto da cidade. Sirenes de alerta também foram acionadas no Bahrein, indicando a amplitude da tensão e do alcance dos conflitos na região.
Ameaças de Intensificação por Parte dos EUA
Em um tom de crescente belicosidade, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou as ameaças de uma escalada militar na quinta-feira. Trump afirmou que estava 'considerando seriamente retomar as grandes operações de combate no Irã', indicando que os iranianos 'ainda não sentiram dor suficiente'. Ele mencionou a possibilidade de um ataque 'massivo, maior do que qualquer outro antes', afirmando estar 'próximo de tomar uma decisão' e que 'está tudo pronto' para tal operação.
Trump também abordou a questão de um possível envolvimento de Israel no conflito, declarando que o país poderia participar 'em dois minutos' se solicitado. No entanto, ele ponderou que os Estados Unidos não necessitariam de apoio externo, mas alertou que a participação israelense poderia precipitar uma retaliação iraniana, sublinhando a delicada balança de poder e os riscos de uma expansão regional do conflito.
O Preço do Conflito: Custos Humanos e Financeiros
A intensificação dos confrontos traz à tona o elevado custo humano e financeiro para os Estados Unidos. Na mesma quarta-feira em que o general iraniano fez suas declarações, o presidente Trump participou da cerimônia de repatriação dos corpos de militares americanos mortos no conflito. Até o momento, a guerra já representou um ônus de pelo menos US$ 37,5 bilhões para os cofres públicos dos EUA. Além das perdas financeiras, o embate resultou na morte de 18 militares americanos e deixou mais de 450 soldados feridos, evidenciando o pesado tributo pago em vidas e recursos na prolongada confrontação com o Irã.
A retórica agressiva e as ações militares em andamento de ambos os lados sublinham um cenário de crescente imprevisibilidade no Oriente Médio. As acusações de uso de arsenal de 'Terceira Guerra Mundial' e as ameaças de ataques ainda maiores sinalizam uma espiral de violência que exige atenção global e levanta preocupações sobre as implicações de longo prazo para a segurança e estabilidade da região e do mundo.
Fonte: https://g1.globo.com

