Em meio a uma escalada de tensões entre Washington e Teerã, o Secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, lançou acusações contundentes nesta sexta-feira (13), afirmando que Mojtaba Khamenei, o recém-designado líder supremo do Irã, está ferido e "provavelmente desfigurado". As declarações, feitas durante uma coletiva de imprensa no Pentágono, pintam um quadro de desespero e fragilidade da liderança iraniana, que, segundo Hegseth, estaria se escondendo em bunkers localizados em áreas civis, comparando-os a "ratos".
A Condição do Novo Líder Supremo Iraniano
O secretário norte-americano fundamentou suas alegações na ausência da imagem e voz de Khamenei durante seu primeiro pronunciamento à nação, transmitido pela TV estatal iraniana na quinta-feira. Em vez de uma aparição tradicional, a mensagem do líder foi lida, gerando especulações sobre sua real condição. Hegseth descreveu o pronunciamento como "fraco", questionando a escolha por um texto escrito em vez de um vídeo ou áudio direto, sugerindo que Khamenei estaria com "medo, ferido e escondido", o que, segundo ele, compromete a legitimidade e clareza da liderança iraniana neste momento crítico.
Avaliação dos EUA sobre a Liderança e Capacidades Militares do Irã
Ampliando sua crítica, Pete Hegseth descreveu a cúpula do regime iraniano como "desesperada" e suas capacidades bélicas como "cada vez mais debilitadas" frente ao poderio dos Estados Unidos. Ele enfatizou a suposta inoperância da Força Aérea iraniana, a destruição da sua Marinha no Golfo Pérsico e o declínio da capacidade de mísseis do país. A liderança estaria, na visão do secretário, recorrendo a esconderijos subterrâneos, uma tática que ele usou para reforçar a imagem de um governo acossado e em clara desvantagem no conflito em curso.
O Estreito de Ormuz: Um Ponto de Tensão Crucial
No que tange ao estratégico Estreito de Ormuz, Mojtaba Khamenei havia declarado a intenção do Irã de manter o bloqueio e prosseguir com ataques a bases dos EUA na região, desafiando expectativas de uma rendição antecipada por Donald Trump. Contudo, uma autoridade iraniana de alto escalão, em declaração à AFP, indicou uma flexibilização, afirmando que Teerã permitiria a passagem de navios de "alguns países", sem especificar quais. Em resposta, Hegseth garantiu que os EUA "têm opções" para o estreito, assegurando que o Exército está preparado para todas as ações iranianas na região. Ele minimizou as ameaças iranianas, caracterizando-as como "desespero puro" e reiterou a capacidade dos EUA de lidar com a situação, embora reconhecendo que a mobilização de navios de guerra para escoltar petroleiros, uma opção considerada pelo governo Trump, ainda não é possível, mas poderá ser no futuro.
O Balanço do Conflito: Otimismo Americano e Contrapontos
Retomando a narrativa de superioridade dos EUA, Hegseth reiterou que os Estados Unidos estão "vencendo" o conflito, alegando estar "dizimando" as capacidades militares iranianas através de bombardeios intensos. O secretário prometeu um número recorde de ataques aéreos contra o território iraniano para o dia, afirmando que o Irã não possui defesas aéreas, Força Aérea ou Marinha funcionais. Além disso, destacou o objetivo de impedir a reconstrução da indústria militar iraniana, visando a destruição de todas as empresas do setor de defesa, incluindo suas sedes e locais de montagem. Hegseth aproveitou também para criticar a cobertura midiática do conflito nos EUA, negando que a guerra estivesse se expandindo ou que a retaliação iraniana tivesse surpreendido os americanos.
Apesar do tom otimista de Hegseth, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, adotou uma postura mais cautelosa. Ele admitiu publicamente que o Irã "ainda tem capacidade de prejudicar forças amigas e o transporte marítimo comercial". No entanto, para corroborar a eficácia da campanha militar dos EUA, Hegseth apresentou dados que indicam uma redução de 90% no volume de mísseis e 95% nos drones de ataque disparados por Teerã desde o início do conflito, sugerindo um impacto significativo nas capacidades ofensivas iranianas.
As declarações do Secretário de Guerra Pete Hegseth sublinham a intensidade da "guerra de informações" que acompanha o conflito militar entre EUA e Irã. Enquanto Washington busca projetar uma imagem de domínio e desmantelamento das capacidades inimigas, as reivindicações sobre a condição do novo líder supremo iraniano e a fragilidade de seu regime se inserem em um contexto de pressão máxima. A persistência iraniana em manter algumas de suas ameaças, mesmo que com sinais de flexibilização, e as observações mais ponderadas de outros oficiais militares dos EUA, revelam a complexidade de uma situação em constante evolução, onde a verdade dos fatos muitas vezes se mistura com a retórica política e estratégica.
Fonte: https://g1.globo.com

