Doniéber Alexander Marangon, mundialmente conhecido como Doni, ex-goleiro da Seleção Brasileira e de clubes renomados, encontra-se no centro de uma polêmica envolvendo supostas fraudes imobiliárias nos Estados Unidos. Diante de diversas denúncias e processos, o empresário usou suas redes sociais para se pronunciar, atribuindo os desafios financeiros de sua empresa, a D32, a um cenário econômico adverso, caracterizado pela elevação das taxas de juros no país norte-americano. Doni assegura que todos os compromissos com os investidores serão honrados.
A D32 e o Modelo de Captação de Investimentos
A D32 Wholesale, empresa que opera no setor imobiliário nos Estados Unidos, tem Doniéber Alexander Marangon e Werner Macedo como sócios. Com forte atuação na região central da Flórida, a companhia, segundo relatos, captava recursos de investidores no Brasil e no exterior, prometendo retornos anuais que poderiam chegar a 15%. O modelo de negócio consistia na construção de residências em condomínios de médio e alto padrão, focando em propriedades no estado da Flórida. Doni, em seu comunicado, destacou que a D32 atua há oito anos no mercado e já entregou mais de 250 unidades, seguindo padrões do mercado imobiliário norte-americano.
Impacto da Elevação dos Juros e a Crise Apontada por Doni
O ex-atleta explicou que os problemas da D32 tiveram início no começo de 2024, em um contexto de forte elevação das taxas de juros nos Estados Unidos. Esse cenário macroeconômico, segundo ele, gerou restrição de crédito, aumento significativo dos custos financeiros e uma pressão considerável sobre o fluxo de caixa de diversos empreendimentos no setor imobiliário. Doni ressaltou que ele e seu sócio buscaram intensamente alternativas para proteger os projetos e cumprir os acordos firmados com os acionistas, que incluem outros ex-atletas.
Ações Judiciais e Alegações de Prejuízos Financeiros
Apesar da justificativa do ex-goleiro, a D32 enfrenta um número crescente de processos judiciais. Levantamentos indicam que a empresa acumula pelo menos 29 ações em tribunais dos condados de Orange e Miami-Dade, na Flórida, a maioria delas relacionada a quebras contratuais. Denúncias veiculadas em um canal de televisão local, datadas de 2025, expuseram a existência de imóveis inacabados e abandonados em Palm Bay, gerando reclamações de moradores. Compradores alegam prejuízos significativos, tanto pela não entrega dos imóveis quanto pela falta de devolução dos valores investidos. Um caso notório é o do jogador Willian Souza Arão da Silva, que teria perdido US$ 200 mil em investimentos com a D32.
Estratégias de Reestruturação e o Compromisso com Investidores
Em resposta aos desafios, Doni informou que a empresa iniciou, em maio de 2025, um processo de reestruturação com a colaboração de um fundo investidor e uma incorporadora com mais de 25 anos de experiência nos EUA. Esta reestruturação societária e operacional, que inclui uma nova gestão, visa aprimorar a condução dos empreendimentos, com revisão e renegociação de contratos. O empresário garantiu que tem trabalhado ativamente para reorganizar as finanças, concluir as obras em andamento e, acima de tudo, preservar os ativos dos investidores. Ele afirmou categoricamente que os ativos já construídos e o valor de mercado dos projetos superam o volume das dívidas existentes, afastando qualquer cenário de insolvência. A maioria dos investidores, segundo Doni, já aderiu aos novos acordos propostos.
A situação de Doni, que trocou os gramados pelo mercado imobiliário, ilustra os riscos inerentes a grandes investimentos e a influência de fatores macroeconômicos. Enquanto as acusações de fraude persistem, o empresário reafirma seu compromisso em honrar todos os contratos, buscando reverter a imagem negativa e assegurar a conclusão dos empreendimentos, mesmo diante dos complicados desafios legais e financeiros.
Fonte: https://g1.globo.com

