A tragédia que vitimou a brasileira Gabriela Querino Elorriaga, de 26 anos, em um acidente náutico na Lagoa de Veneza, Itália, transformou-se em um angustiante drama familiar. Sua mãe, Gisele Elorriaga, faz um apelo desesperado às autoridades e à sociedade, buscando apoio para o complexo e custoso processo de repatriação do corpo da filha, a fim de realizar um funeral digno em solo brasileiro.

O Clamor por Um Funeral Digno e a Burocracia Desafiadora

Através de um vídeo comovente compartilhado nas redes sociais, Gisele Elorriaga expressou sua profunda dor e frustração diante da demora e da complexidade burocrática para trazer a filha de volta ao Brasil. Em meio a uma espera angustiante, que já ultrapassa uma semana desde a recuperação do corpo, ela clama por auxílio, reiterando o desejo primordial de oferecer um velório e sepultamento dignos em sua terra natal, Ribeirão Preto (SP). A mãe ressalta a dificuldade de navegar pelo sistema legal e administrativo estrangeiro, apelando diretamente a líderes e órgãos governamentais de ambos os países.

Paralelamente ao apelo direto às autoridades, a família, incluindo o padrasto Jonas, lançou uma campanha de arrecadação online (vaquinha) para custear as elevadas despesas do translado do corpo de Gabriela e o retorno dos familiares que se deslocaram para Veneza. A iniciativa busca mitigar o pesado fardo financeiro que acompanha a tragédia, permitindo que a família se concentre no processo de luto e despedida.

A Tragédia no Canal de Tessera e a Investigação em Curso

A morte de Gabriela ocorreu em 12 de setembro, quando a embarcação em que estava com seu marido, o pescador italiano Sean Michieli, de 25 anos, colidiu tragicamente com um táxi aquático no Canal de Tessera. O corpo da brasileira foi encontrado três dias após o incidente, desencadeando uma profunda investigação por parte das autoridades italianas.

A Procuradoria de Veneza está tratando o caso como homicídio culposo e naufrágio culposo, e o condutor do táxi aquático figura como principal investigado. Informações divulgadas pela advogada da família de Sean Michieli, Mariarosa Cozza, indicam que o taxista estaria sob o efeito de álcool e drogas no momento da colisão, adicionando uma camada de complexidade e revolta à já dolorosa situação.

Posicionamento do Itamaraty e os Desafios da Repatriação

Diante da delicada situação, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por meio de seu Consulado-Geral em Milão, confirmou que está prestando assistência consular à família de Gabriela, mantendo contato com as autoridades italianas e auxiliando na emissão de documentos, como o atestado consular de óbito, após a conclusão dos procedimentos locais. No entanto, o Itamaraty esclarece que o translado de corpos de brasileiros falecidos no exterior é uma medida excepcional, restrita a situações devidamente motivadas e baseadas em decretos federais específicos de 2017 e 2025.

Essa postura oficial se contrapõe diretamente ao desespero de Gisele, que busca uma solução rápida e viável para o repatriamento da filha. Enquanto isso, aguardava-se a realização das autópsias nos corpos de Gabriela e Sean, um procedimento crucial para a definição dos próximos passos, incluindo o sepultamento. Embora houvesse especulações iniciais na imprensa italiana sobre um possível sepultamento conjunto em Veneza, o recente e emocionado apelo de Gisele reforça inequivocamente seu desejo de levar a filha para casa.

A Luta por Paz e Despedida

A história de Gabriela Querino Elorriaga é um lembrete pungente das complexidades e desafios enfrentados por famílias brasileiras em tragédias no exterior. Enquanto as autoridades italianas prosseguem com a investigação para elucidar as circunstâncias exatas do acidente, o foco principal de Gisele Elorriaga permanece inabalável: cumprir o último desejo de uma mãe, trazer sua filha para o merecido descanso em solo brasileiro e encontrar um mínimo de paz em meio a uma dor avassaladora e à incessante batalha burocrática.

Fonte: https://g1.globo.com

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