O caso de um homem investigado em Franca (SP) por aplicar o conhecido 'golpe do amor' ganhou novos e alarmantes contornos. Uma pessoa que se identificou como familiar de Thiago Cristiano Boch confirmou à mais recente vítima que ela não é a primeira a sofrer prejuízos financeiros com o suspeito, revelando um preocupante padrão de enganação que se estende por diversas localidades e se baseia exclusivamente em mentiras e manipulações.
A Confirmação de um Padrão de Enganação
A revelação veio à tona após a auxiliar de laboratório de 36 anos, que teria perdido R$ 15 mil durante o relacionamento com Boch, conseguir contato telefônico com o parente, residente na região sul do país. Em um áudio enviado à vítima, o familiar foi categórico ao descrever o *modus operandi* do suspeito. 'Ele só usa mentira, tudo que ele fala é mentira, sabe? Tudo enrolação, passa conversa nas mulheres e dá o golpe, pega carro das mulheres e some com os carros das mulheres. É assim que ele faz', declarou, reforçando que a atual denúncia se soma a um histórico de fraudes e de exploração financeira de mulheres.
O Esquema em Franca: Da Paixão ao Prejuízo
A moradora de Franca, que preferiu manter sua identidade em sigilo, iniciou seu envolvimento com Thiago após conhecê-lo em um aplicativo de relacionamento. O suspeito mudou-se para a cidade em abril, supostamente para trabalhar em uma churrascaria, e o relacionamento progrediu ao ponto de Thiago ser apresentado à família dela, criando uma falsa sensação de seriedade e confiança. Confiando nas promessas do então namorado, que alegava ter uma herança a receber, a mulher realizou empréstimos significativos, alugou um carro para ele supostamente usar no trabalho e até permitiu que ele utilizasse seu próprio celular para pagar contas, tudo sob a expectativa de um futuro reembolso que jamais viria.
A Descoberta da Fraude e a Ação da Vítima
A percepção de que algo estava errado começou a se concretizar durante uma viagem de Dia dos Namorados ao Paraná, quando a mulher relatou ter sido deixada sozinha no hotel durante a madrugada. A suspeita se confirmou de maneira inusitada e decisiva: ao pesquisar o sobrenome tatuado no braço de Thiago, ela descobriu a existência de outras vítimas em diferentes estados do país. Diante das evidências irrefutáveis, a auxiliar de laboratório rompeu o contato com o suspeito e formalizou a denúncia junto à Polícia Civil. Antes do término definitivo, ela conseguiu reaver o veículo que havia alugado para ele. Recentemente, o próprio Thiago teria enviado mensagens à ex-namorada, reclamando da repercussão das denúncias na mídia e nas redes sociais.
A Investigação Policial e a Definição de Estelionato
Thiago Cristiano Boch, que já é alvo de outras denúncias e processos em diferentes localidades, está sendo ativamente investigado pela Polícia Civil de Franca pelo crime de estelionato. Conforme o Código Penal brasileiro, estelionato se configura quando alguém obtém vantagem ilícita para si ou para outrem, em detrimento alheio, induzindo ou mantendo a vítima em erro por meio de artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento. A legislação prevê para esse tipo de crime uma pena de um a cinco anos de detenção, além de multa. Até o momento, o suspeito não se manifestou publicamente sobre as acusações, e as autoridades ainda não dispõem de informações sobre sua representação legal, dificultando a comunicação com a defesa.
O caso de Thiago Cristiano Boch serve como um alerta contundente para os perigos dos 'golpes do amor', onde a confiança e os sentimentos são explorados para obter ganhos financeiros ilícitos. A confirmação de um familiar não apenas reforça a gravidade e o caráter premeditado das ações do suspeito, mas também oferece um importante testemunho para as vítimas, que agora buscam justiça e a reparação dos danos em meio a uma investigação criminal em curso.
Fonte: https://g1.globo.com

