Autoridades federais dos Estados Unidos desmantelaram um plano complexo e multifacetado que visava o evento do UFC realizado no gramado sul da Casa Branca em 14 de junho, data em que o então presidente Donald Trump celebrava 80 anos. A operação, que abrangeu diversos estados e foi coordenada pelo FBI, culminou na prisão de cinco indivíduos acusados de conspiração para cometer homicídio. O Departamento de Justiça (DOJ) anunciou a neutralização completa da ameaça, que incluía o uso de drones com explosivos e atiradores de elite contra o que os conspiradores consideravam 'alvos de alto valor'.
A Engenharia do Ataque: Drones, Atiradores e Caos Programado
Os promotores revelaram que o plano detalhado dos conspiradores envolvia uma sequência de ações destinadas a causar pânico e maximizar os danos. Inicialmente, drones carregados com explosivos seriam utilizados para atingir edifícios próximos à Casa Branca. A explosão e o subsequente caos tinham como objetivo direcionar a multidão, estimada em 4.300 convidados no local e 85 mil nas proximidades, para áreas específicas onde atiradores de elite estariam posicionados. Após essa primeira fase, uma 'segunda onda' de agressores avançaria contra os portões da residência presidencial, visando explorar a desorganização e a fuga em massa.
Os Suspeitos e a Ideologia Extremista por Trás da Conspiração
A investigação que levou às prisões teve início em 10 de junho, poucos dias antes do evento, quando a mãe de Tycen C. Proper, de 19 anos e residente em Ohio, alertou as autoridades sobre as compras de armas de grande porte feitas pelo filho e suas comunicações online com um grupo que se identificava como composto por ex-militares e indivíduos de orientação cristã. Proper foi o primeiro a ser detido, e a análise de mensagens criptografadas revelou a extensão da conspiração. Além dele, foram presos Bryan Omar Roa (24) e Michael Alan Thomas (32), ambos da Califórnia; Daniel K. Eskridge (32), do Missouri; e Abraham Hermosillo Alvarez (31), de Nebraska. Todos enfrentam acusações de conspiração para cometer homicídio.
Documentos judiciais indicam que os conspiradores nutrimm 'sentimentos ultrarreligiosos e antigovernamentais', acreditando que os Estados Unidos precisavam ser 'destruídos para que pudessem ser reconstruídos'. Eles citavam uma série de queixas, incluindo corrupção governamental, a gestão dos arquivos de Jeffrey Epstein e o consumo de água por centros de dados. O grupo visava 'dar início' a uma revolução atacando figuras que consideravam 'alvos de alto valor', como políticos e pessoas ricas presentes no evento do UFC. Entre os potenciais alvos considerados estavam o presidente Donald Trump, o vice-presidente J.D. Vance, o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu, o empresário Elon Musk, e outros políticos eleitos, alguns dos quais não estavam presentes no dia.
A Estrutura Interna e o Recrutamento da 'Vanguard of the Old'
Durante um interrogatório em 11 de junho, Tycen Proper confessou sua participação e descreveu a organização do grupo, que começou a se comunicar por volta de março por meio de uma comunidade no TikTok chamada 'Vanguard of the Old', também referida como 'Vanguard of the Old Republic'. A maioria dos integrantes teria sido recrutada por essa plataforma, e os membros aprovados passavam a utilizar o Signal para comunicações criptografadas. Os promotores revelaram a existência de um grupo principal com cerca de 19 participantes e outros grupos menores, segmentados por função ou localização geográfica, indicando uma estrutura organizada.
Michael Alan Thomas teria sido o idealizador de uma estrutura operacional em quatro níveis: um grupo de elite disposto a 'sacrificar-se pelo país', assumindo os maiores riscos e agindo na clandestinidade; e níveis subsequentes com funções de apoio, financiamento e influência, até um quarto nível menos ativo. Abraham Hermosillo Alvarez foi identificado como responsável pelo planejamento, organização e coordenação do ataque, incluindo a manipulação dos drones. Documentos do FBI ainda mencionam discussões sobre o assassinato de parlamentares e executivos de grandes empresas, alguns selecionados pela crença do grupo de que recebiam recursos de grupos de lobby pró-Israel. Não está claro se o grupo mantinha vínculos com alguma organização maior já estabelecida.
Conclusão: A Vigilância que Previne uma Tragédia
A ação rápida e coordenada das autoridades federais, desencadeada por um alerta crucial de um familiar, foi fundamental para desarticular um plano que poderia ter resultado em uma tragédia de grandes proporções. A complexidade do ataque planejado, a motivação extremista dos envolvidos e a abrangência geográfica da conspiração sublinham a persistente ameaça de grupos domésticos com ideologias radicais. A capacidade do FBI e do Departamento de Justiça de monitorar e neutralizar tais planos demonstra a importância contínua da vigilância e da cooperação entre cidadãos e forças de segurança na proteção contra atos de violência e terrorismo.
Fonte: https://g1.globo.com

