O Grupo Fictor, um conglomerado empresarial com atuação em diversos setores, enfrenta um complexo processo de recuperação judicial, acumulando um passivo expressivo que mobiliza credores em várias localidades. Recentemente, a Justiça de São Paulo deferiu um pedido crucial para a empresa, concedendo um prazo de 30 dias para a suspensão de novos bloqueios de bens e processos de execução. Este alívio temporário surge em um cenário de dívidas que atingem cifras bilionárias globalmente, com um impacto direto e significativo em Ribeirão Preto e sua região.
O Vulto da Dívida em Ribeirão Preto e no Interior Paulista
Na cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, o Grupo Fictor possui 94 credores, aos quais deve a soma de R$ 53,4 milhões. A estrutura desse endividamento revela uma disparidade notável: seis desses credores detêm valores entre R$ 1 milhão e expressivos R$ 31,5 milhões, enquanto os demais têm créditos que variam de R$ 200 a quase R$ 900 mil, evidenciando uma base diversificada de investidores e parceiros comerciais.
A abrangência do impacto financeiro do grupo estende-se para além dos limites de Ribeirão Preto. Em outras 23 cidades da região, como Barretos, Batatais, Franca, Sertãozinho, Orlândia e Jaboticabal, o Fictor também acumulou um passivo considerável, totalizando mais de R$ 11 milhões em aplicações. Essa capilaridade de credores demonstra a vasta rede de operações e a confiança que o grupo conquistou ao longo dos anos, agora abalada pela crise de liquidez.
A Origem da Crise e a Tentativa de Aquisição do Banco Master
Fundado em 2007, o Grupo Fictor consolidou-se como um conglomerado brasileiro com presença marcante em segmentos estratégicos como agronegócio, energia e finanças. Contudo, o pedido de recuperação judicial, encaminhado ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), revela uma dívida total alarmante, superando os R$ 4,2 bilhões, concentrada nas empresas Fictor Holding e Fictor Invest. A alegação central para o colapso é uma severa crise de liquidez, precipitada por eventos complexos.
Um dos pontos cruciais que motivaram a solicitação de recuperação judicial foi a tentativa do grupo de adquirir o Banco Master. A transação, que visava expandir sua atuação no setor financeiro, ocorreu um dia antes de uma decisão drástica do Banco Central. O Grupo Fictor sustenta que a subsequente liquidação do Banco Master pelo Bacen, sob a justificativa de comprometimento econômico-financeiro da instituição, teve um efeito devastador.
O Impacto da Liquidação do Banco Master nas Finanças do Fictor
De acordo com a defesa do Grupo Fictor, a liquidação do Banco Master em novembro do ano passado gerou um impacto reputacional incalculável. As notícias sobre o encerramento das atividades do Banco Master, ocorrido logo após a tentativa de compra, teriam levado um grande número de clientes a solicitar o resgate de suas aplicações e quantias junto às empresas do Fictor. Esse movimento de saída de capital exacerbou a crise de liquidez, inviabilizando a manutenção das operações sem intervenção judicial.
A empresa expressou, em sua petição, a intenção de honrar integralmente os R$ 4,2 bilhões em dívidas declaradas, sem a aplicação de descontos. Este compromisso, no entanto, dependerá da aprovação e implementação de um plano de recuperação que reorganize suas finanças e permita a retomada da saúde econômica do conglomerado.
As Determinações Judiciais e os Próximos Passos
Em resposta ao pedido, a Justiça paulista agiu prontamente, determinando a suspensão, por um período de 30 dias, de todos os processos de execução e novos bloqueios de bens direcionados às duas empresas do grupo. Contudo, é fundamental ressaltar que esta decisão tem um caráter prospectivo: ela incide apenas sobre atos futuros. Bens e valores que já haviam sido bloqueados antes da decisão judicial permanecem retidos.
A liberação dos ativos já bloqueados está condicionada a uma perícia aprofundada, que investigará a situação financeira das empresas e buscará eventuais indícios de fraude. Antes de deliberar sobre a aceitação definitiva do pedido de recuperação judicial, o juiz responsável também exigiu uma verificação minuciosa das condições operacionais das empresas e a análise completa de toda a documentação apresentada, incluindo a vasta lista de credores. Não há um prazo estabelecido para a conclusão desta etapa analítica, o que mantém um certo grau de incerteza sobre o futuro do Grupo Fictor.
O Grupo Fictor, portanto, embarca em uma fase crítica de sua trajetória, buscando reestruturar-se para honrar seus compromissos e preservar suas operações. O desfecho deste processo judicial será acompanhado de perto por seus inúmeros credores e pelo mercado, que aguardam as próximas etapas para entender a viabilidade de sua recuperação.
Fonte: https://g1.globo.com

