Um crime brutal chocou a cidade de Pontal, interior de São Paulo, em abril deste ano, quando Geniane Pereira, de 20 anos, foi morta a facadas. O réu confesso, Cleomar Borges Gomes, de 53 anos, pai de uma amiga da vítima, apresentou sua versão dos fatos à polícia, alegando ter agido por vingança após ser chamado de 'velho safado' pela jovem. Contudo, as investigações e depoimentos de testemunhas apontam para um cenário mais complexo, envolvendo assédio e interesse não correspondido.
A Versão do Réu: Uma Questão de Honra Ofendida
Em depoimento ao delegado Claudio Messias, Cleomar Borges Gomes detalhou que a suposta ofensa ocorreu na residência de sua irmã, em um momento não especificado dias antes do crime. Ele afirmou que Geniane o teria desrespeitado com as palavras: 'eu não sou nada sua e você toma vergonha na sua cara, velho safado'. O acusado declarou que essa fala o perturbou profundamente, levando-o a reviver a situação repetidamente e a se sentir traído, especialmente por ter oferecido ajuda à jovem. Cleomar negou qualquer interesse romântico por Geniane e sustentou que não tinha a intenção premeditada de tirar a vida dela.
O Ataque Brutal em Plena Rua
O assassinato de Geniane Pereira ocorreu na manhã de 24 de abril, na Rua Albano Meneghelli, enquanto ela e a filha de Cleomar seguiam para o trabalho. O acusado as abordou no meio da rua, questionando a vítima diretamente: 'oi, Geninha, quem que é velho safado?'. Testemunhas relataram ter ouvido gritos e pessoas correndo em busca de socorro no momento do ataque. Cleomar então desferiu múltiplos golpes de faca, atingindo Geniane pelo menos nove vezes no tórax, abdômen e pescoço. Após o ato, ele fugiu do local em uma bicicleta. A jovem foi socorrida e levada à Santa Casa de Pontal, mas não resistiu aos ferimentos.
Investigação Aponta Assédio e Motivações Profundas
Ao contrário da versão de Cleomar, a investigação policial e os relatos de testemunhas pintam um quadro diferente da motivação do crime. Testemunhas afirmaram à polícia que Geniane estava sendo assediada pelo réu, que nutria um interesse pela jovem que nunca foi correspondido. Segundo as apurações, Cleomar acreditava que a vítima era 'propriedade dele'. O descontentamento do acusado intensificou-se quando Geniane e sua filha manifestaram interesse em outros jovens e planejavam uma mudança para morar sozinhas, buscando independência. Essa situação, de acordo com a polícia, teria provocado a fúria de Cleomar.
As evidências indicam que Cleomar monitorava os passos das jovens. Um dia antes do crime fatal, ele já as havia abordado no mesmo local. No dia do assassinato, ele foi avistado encostado no portão de uma casa na esquina, encapuzado e já empunhando a faca, o que sugere premeditação. Câmeras de segurança registraram o momento do ataque, corroborando a dinâmica dos fatos.
Vítima e Amiga Buscavam Nova Vida e Independência
Geniane Pereira e a filha de Cleomar, ambas de Turmalina (MG), haviam se mudado para Pontal em 10 de abril, aproximadamente duas semanas antes do crime, impulsionadas por uma oportunidade de emprego em uma multinacional. Inicialmente, residiram na casa de Cleomar. No entanto, o comportamento do acusado, que passou a xingá-las com frequência devido ao interesse das jovens em outros rapazes, levou-as a se mudarem para a casa da irmã de Cleomar. O plano de Geniane e da amiga era conquistar total independência, morando sozinhas, um desejo que, segundo a investigação, parece ter acirrado a possessividade e a revolta do réu.
Desdobramentos Legais do Caso
Cleomar Borges Gomes foi detido cinco dias após o crime, em Ribeirão Preto (SP), onde confessou ter esfaqueado Geniane. Em maio, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) aceitou a denúncia, tornando-o réu por homicídio qualificado. A data para o julgamento ainda não foi definida, mas o caso segue em andamento, buscando justiça para a jovem vítima e esclarecendo as complexas motivações por trás do trágico evento.
Fonte: https://g1.globo.com

