Uma festa de Ano Novo em um popular bar na luxuosa estação de esqui de Crans-Montana, nos Alpes Suíços, transformou-se em uma tragédia sem precedentes. No dia 1º de janeiro, um incêndio de grandes proporções ceifou a vida de mais de 40 pessoas e deixou 115 feridos, muitos em estado grave. O incidente chocou a Suíça e a comunidade internacional, revelando cenas de pânico e desespero. As autoridades suíças enfrentam agora o desafio hercúleo de identificar as vítimas, um processo que pode se estender por semanas devido ao estado dos corpos. Enquanto a investigação avança, os primeiros relatos e imagens oferecem um vislumbre angustiante do rápido alastramento das chamas, levantando questões cruciais sobre a segurança em eventos de grande porte.

O Início da Tragédia e a Batalha Contra as Chamas

Momentos de Pânico e a Rápida Escalada do Fogo

As primeiras imagens do interior do bar Le Constellation, capturadas por frequentadores, revelam os instantes iniciais de um fogo que rapidamente consumiria o estabelecimento. O vídeo mostra um pequeno foco de incêndio surgindo em uma estrutura próxima ao teto do bar. Testemunhas oculares relataram que as chamas podem ter sido deflagradas por uma vela de aniversário do tipo sinalizador, acesa por uma funcionária em uma área perigosamente próxima ao revestimento do teto. A tentativa inicial de conter o fogo foi registrada nas imagens: um dos presentes, em um ato desesperado, utilizou uma camisa para golpear as chamas, buscando debelá-las. Contudo, essa tentativa revelou-se insuficiente, e o fogo, em vez de diminuir, expandiu-se com uma velocidade alarmante, engolindo o espaço em questão de segundos. Este momento crítico sublinha a imprevisibilidade e a letalidade de incêndios em ambientes fechados.

A velocidade com que o incêndio se espalhou gerou um caos indescritível. Descrições de sobreviventes narram cenas de pânico, com pessoas correndo em busca das saídas, algumas tentando quebrar janelas na esperança de escapar da fumaça e das chamas. Muitos foram vistos pelas ruas de Crans-Montana com queimaduras, pedindo ajuda desesperadamente. O bar, que tinha capacidade para mais de 300 pessoas no interior e outras 40 na varanda, estava lotado, exacerbando a dificuldade de evacuação. Especialistas em segurança contra incêndios apontam que a rapidez na propagação pode estar ligada a um fenômeno conhecido como “flashover”, onde o ambiente atinge um ponto de ignição súbita, transformando todo o material inflamável em combustível e espalhando o fogo de forma explosiva. Este tipo de evento é particularmente perigoso em estruturas com materiais de fácil combustão, como madeira, e ocorreu por volta da 1h30 da manhã, horário local, quando a festa atingia seu auge.

A Luta Pela Identificação e o Impacto Internacional

O Desafio da Identificação de Vítimas e a Angústia das Famílias

Após o fogo ser controlado, as autoridades suíças iniciaram uma das fases mais dolorosas da tragédia: a identificação dos corpos. O trabalho é arduamente dificultado pelo estado das vítimas, muitas delas carbonizadas, tornando o reconhecimento visual impossível. A promotora responsável pelo caso, Beatrice Pillout, e a polícia suíça alertaram que o processo pode levar dias, ou até semanas, uma espera angustiante para as famílias e amigos que buscam informações sobre seus entes queridos. A comunidade global se uniu na dor, com jovens usando as redes sociais para tentar localizar amigos desaparecidos, postando fotos e pedindo respostas, muitas vezes sem sucesso. A incerteza quanto ao número exato de pessoas presentes no bar no momento da trag tragédia e a dificuldade em identificar os mortos adicionam uma camada extra de sofrimento às famílias.

A natureza internacional da estação de esqui de Crans-Montana significa que muitos turistas estrangeiros frequentavam o Le Constellation. Esta característica adiciona uma camada de complexidade à identificação e ao apoio às famílias. Relatos confirmaram que cidadãos de diversas nacionalidades estão entre as vítimas. O governo italiano, por exemplo, confirmou que ao menos 16 de seus cidadãos faleceram no incêndio, e o governo francês registrou nove feridos e oito desaparecidos. O comandante da polícia local, Frédéric Gisler, confirmou que as autoridades estão em contato com diversas embaixadas para coordenar esforços. O governo brasileiro, por sua vez, informou que não há registros de cidadãos brasileiros entre as vítimas até o momento. Um dos primeiros nomes identificados foi o do jovem golfista italiano Emanuele Galeppini, de apenas 16 anos, que estava de férias com a família e havia ido ao bar com amigos, que por sorte conseguiram escapar.

A Resposta Oficial e as Questões de Segurança

O presidente suíço, Guy Parmelin, que assumiu o cargo no mesmo dia da tragédia, classificou o incidente como uma “calamidade de proporções sem precedentes e aterrorizantes”, uma das piores tragédias enfrentadas pelo país. Em sinal de luto nacional, as bandeiras foram hasteadas a meio mastro por cinco dias. Parmelin enfatizou a dimensão humana da catástrofe: “Por trás dos números há rostos, nomes, famílias, vidas brutalmente interrompidas, completamente paralisadas ou mudadas para sempre”. A resposta de emergência local foi rapidamente sobrecarregada, exigindo a transferência de muitos feridos para hospitais em cidades maiores como Lausanne, Genebra e Zurique, e até mesmo para centros médicos na França e na Itália, com a União Europeia oferecendo assistência em uma demonstração de solidariedade transnacional. O local do incêndio foi isolado pela polícia, e a rua da tragédia tornou-se um memorial espontâneo, adornado com fitas, flores e velas, evidenciando o luto coletivo.

A investigação sobre as causas do incêndio está em andamento. Embora a promotoria suíça tenha inicialmente descartado a hipótese de um ataque ou ato criminoso, tratando-o como um incêndio acidental, o foco agora se volta para a conformidade do bar com as normas de segurança. Depoimentos de testemunhas apontam para a possível causa em sinalizadores ou “sparklers” colocados em garrafas de champanhe, que seriam parte de um “espetáculo” rotineiro oferecido a clientes que faziam pedidos especiais. Um sobrevivente, Axel, relatou que funcionárias teriam aproximado as garrafas com sinalizadores acesos muito perto do teto, desencadeando as chamas. A procuradora-geral do cantão, Béatrice Pilloud, confirmou que a investigação irá determinar se o bar cumpria as normas de segurança e se possuía o número adequado de saídas de emergência, fatores cruciais para a mitigação de uma tragédia de tamanha magnitude e para a segurança de seus frequentadores.

Tragédia Conclusiva e os Desafios Futuros na Segurança de Eventos

O incêndio no Le Constellation, em Crans-Montana, marca uma das páginas mais sombrias na história recente da Suíça, deixando uma cicatriz profunda na comunidade e um alerta global sobre a segurança em ambientes de lazer e celebrações. A tragédia da Virada do Ano, que ceifou dezenas de vidas e feriu centenas, ressalta a importância vital da fiscalização rigorosa de normas de segurança, especialmente em estabelecimentos que promovem eventos com grande aglomeração de pessoas e elementos potencialmente inflamáveis. Enquanto as equipes de investigação trabalham incansavelmente para desvendar todos os detalhes e as famílias aguardam por respostas e pelo difícil processo de identificação, o incidente força uma reflexão sobre as práticas de segurança em bares e casas de show.

As suspeitas de que sinalizadores, usados para criar um efeito visual festivo, tenham sido a faísca inicial para o incêndio levantam sérias questões sobre a adequação de tais elementos em espaços fechados e a necessidade de treinamento para o pessoal que os manuseia. A rápida propagação do fogo, exacerbada possivelmente pela estrutura e materiais do local, destaca a urgência de avaliações de risco e planos de evacuação eficazes. A dor e a comoção se estendem para além das fronteiras suíças, mobilizando apoio internacional e reabrindo o debate sobre a responsabilidade de proprietários de estabelecimentos e autoridades reguladoras em garantir ambientes seguros para o público. A memória das vítimas e a angústia dos sobreviventes e de seus familiares se tornam um legado sombrio, mas também um catalisador para que medidas preventivas sejam fortalecidas, garantindo que festas e celebrações não se transformem novamente em cenários de tamanha devastação.

Fonte: https://g1.globo.com

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