Em um movimento que promete redefinir o equilíbrio de poder no Oriente Médio e elevar as tensões com os Estados Unidos, o Irã está se aproximando de um acordo significativo para adquirir mísseis de cruzeiro antinavio supersônicos de última geração da China. A informação, revelada pela agência de notícias Reuters, aponta para a iminente compra dos mísseis CM-302, conhecidos por sua capacidade de ameaçar até mesmo porta-aviões, em um cenário de crescente presença naval norte-americana e escalada diplomática na região.
Mísseis CM-302: Uma Ameaça Direta às Frotas Navais
O núcleo deste acordo estratégico reside nos mísseis chineses CM-302, uma variante de exportação do temível DF-21D, popularmente apelidado de 'assassino de porta-aviões'. Fontes com conhecimento das negociações, ouvidas pela Reuters, indicam que o pacto está em estágio avançado, embora a data para a entrega dos armamentos ainda não tenha sido definida. Essas armas representam um salto qualitativo na capacidade militar iraniana, projetadas para evadir as mais sofisticadas defesas embarcadas.
Com uma ogiva de 290 kg e alcance de aproximadamente 290 quilômetros, os mísseis CM-302 se destacam por sua velocidade supersônica, atingindo Mach 6 (cerca de 7.400 km/h). Sua trajetória de voo baixa e alta velocidade dificultam imensamente a interceptação, tornando-os uma ferramenta de dissuasão extremamente potente. Especialistas em armamentos alertam que a aquisição desses mísseis aumentaria drasticamente a capacidade de ataque do Irã, configurando uma ameaça substancial às operações navais dos EUA nas águas próximas à costa iraniana.
O Cenário Geopolítico e a Aceleração das Negociações
As tratativas entre Teerã e Pequim ganham urgência em um momento de intensa mobilização militar norte-americana. Os Estados Unidos mantêm uma vasta presença naval na região, incluindo dois porta-aviões, múltiplos destróieres e dezenas de jatos de combate, a maior concentração desde a invasão do Iraque em 2003. Essa demonstração de força ocorre em meio às ameaças do presidente Donald Trump de atacar o Irã, caso o regime do aiatolá Ali Khamenei não aceite um tratado para limitar seu programa nuclear. Enquanto EUA e Israel acusam Teerã de enriquecer urânio para fins bélicos, o Irã reitera a natureza pacífica de suas atividades nucleares.
As discussões para a compra dos mísseis, que se estendem por pelo menos dois anos, foram aceleradas após períodos de intensificação de conflitos e tensões regionais. O envolvimento de altas autoridades iranianas nas negociações sublinha a prioridade estratégica que o acordo representa para o país. Danny Citrinowicz, ex-oficial de inteligência israelense, classificou a potencial aquisição como uma 'mudança completa de jogo', ressaltando a dificuldade de interceptação desses mísseis supersônicos.
Desafios às Sanções Internacionais e Ampliação da Parceria Militar
A aquisição dos CM-302 desafiaria diretamente um embargo de armas da Organização das Nações Unidas, inicialmente imposto em 2006. Embora as sanções tenham sido suspensas em 2015 como parte de um acordo nuclear, foram reestabelecidas no último mês de setembro, tornando a compra desses equipamentos um claro desrespeito às determinações internacionais. Um funcionário do Ministério das Relações Exteriores iraniano enfatizou que, neste momento, é 'apropriado fazer uso' dos acordos militares e de segurança que o Irã possui com seus aliados.
Paralelamente aos mísseis antinavio, o Irã tem buscado uma diversificação e modernização robusta de seu arsenal. O regime de Khamenei também negocia com a China a compra de sistemas de mísseis superfície-ar, sistemas portáteis de defesa antiaérea (MANPADS), armas antibalísticas e antissatélite. A extensão total do acordo com a China, incluindo o número exato de mísseis e o valor envolvido, permanece desconhecida.
Parceria Secreta com a Rússia: Expansão do Poder de Fogo
A estratégia iraniana de reforço militar não se limita à China. Recentemente, Teerã concluiu uma compra secreta de lançadores de mísseis da Rússia, conforme reportado pelo jornal britânico Financial Times. O acordo, avaliado em 500 milhões de euros e assinado em Moscou em dezembro do ano passado, prevê a entrega de 500 unidades de lançamento portáteis 'Verba' e 2.500 mísseis '9M336' ao longo de três anos, com entregas programadas entre 2027 e 2029. Essa transação, negociada entre a exportadora estatal russa Rosoboronexport e o Ministério da Defesa iraniano, representa um significativo incremento na capacidade de defesa antiaérea do Irã.
A aquisição de mísseis antiaéreos portáteis e o potencial acordo para os 'assassinos de porta-aviões' chineses sinalizam uma profunda transformação na doutrina de defesa iraniana, priorizando a capacidade de dissuasão e a projeção de poder contra alvos navais e aéreos, além de sistemas de defesa antimísseis e antiespaciais. A intensificação dessas parcerias militares, especialmente com a Rússia e a China, solidifica uma aliança estratégica que desafia a pressão ocidental e as sanções internacionais.
Conclusão: Uma Nova Era de Confronto e Capacidade Militar Iraniana
A iminente aquisição de mísseis 'assassinos de porta-aviões' da China e as recentes compras de sistemas de defesa aérea da Rússia marcam uma nova e perigosa fase na corrida armamentista global, com o Irã emergindo como uma potência militar regional cada vez mais equipada e desafiadora. Ao fortalecer suas capacidades militares com armamentos de ponta de seus aliados estratégicos, Teerã envia uma mensagem clara de sua determinação em resistir à pressão internacional e defender seus interesses. Este desenvolvimento, sem dúvida, intensificará a preocupação de Washington e seus aliados, elevando o risco de confrontos em uma das regiões mais voláteis do mundo e exigindo uma reavaliação das estratégias de segurança globais.
Fonte: https://g1.globo.com

