A Polícia Civil de Ribeirão Preto (SP) intensifica as buscas por Larissa de Souza Batista, de 22 anos, que se encontra foragida desde a última segunda-feira (13). Ela é acusada de uma tentativa de homicídio contra seu então namorado, Adenilon Ferreira Parente, por meio do uso de açaí envenenado em fevereiro deste ano. O caso chocou a cidade e ganhou novos contornos com a decisão da Justiça de acatar a denúncia do Ministério Público (MP) e decretar a prisão preventiva da jovem.

As investigações, que se estenderam por meses, culminaram na expedição do mandado de prisão, transformando Larissa em alvo prioritário das autoridades. Enquanto o paradeiro da acusada permanece desconhecido, a vítima, que sobreviveu ao ataque, foi localizada após uma breve dificuldade inicial da polícia em contatá-lo durante as diligências.

A Busca e os Desdobramentos Legais

Desde a decretação da prisão preventiva, as equipes policiais têm realizado diligências em diversos endereços, incluindo a residência de Larissa e de seus familiares, na tentativa de localizá-la. O delegado Fernando Bravo, responsável pelo inquérito, confirmou que Adenilon Ferreira Parente, a vítima do envenenamento, também não havia sido encontrado inicialmente. No entanto, uma afiliada de TV local o localizou posteriormente, reafirmando seu status de vítima no processo e a necessidade de apurar todos os fatos.

A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público, que imputa a Larissa a tentativa de homicídio qualificado. A decisão de decretar a prisão preventiva foi embasada em diversos fatores, incluindo a gravidade do crime, cuja pena pode atingir 30 anos de reclusão, o que aumenta o risco de fuga. Além disso, a acusada possui ligações familiares em outro estado e há indícios de que tentou ocultar provas, como o 'reset' de seu celular dias após o incidente, o que reforça a necessidade de sua custódia para a instrução processual.

A Acusação do Ministério Público e a Prova do Veneno

O Ministério Público, em sua denúncia, sustenta que Larissa agiu com total premeditação e responsabilidade na tentativa de ceifar a vida de Adenilon. O promotor Eliseu Berardo Gonçalves foi enfático ao afirmar a autoria e exclusividade da jovem no planejamento e execução do crime, isentando completamente qualquer funcionário do estabelecimento onde o açaí foi adquirido. A acusação formaliza-se como tentativa de homicídio qualificado por emprego de veneno, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Laudos periciais foram cruciais para o avanço da investigação, confirmando a presença de uma substância tóxica no copo de açaí consumido por Adenilon. A análise identificou a substância como terbufós, um potente agrotóxico conhecido popularmente como 'chumbinho', frequentemente associado a casos de envenenamento. Embora Larissa tenha negado qualquer envolvimento durante as investigações, a Polícia Civil manteve sua convicção de que ela foi a autora do crime, mesmo após os pedidos de apurações complementares por parte do MP, que foram prontamente atendidos e confirmaram a linha de investigação inicial.

A Cronologia do Envenenamento e os Indícios Coletados

O episódio de envenenamento ocorreu em 5 de fevereiro, quando Larissa se dirigiu a uma loja na Avenida Barão do Bananal, em Ribeirão Preto, para retirar um pedido de dois copos de açaí. Câmeras de segurança de vizinhos do casal registraram momentos cruciais que subsidiaram a denúncia. As imagens mostram Larissa e Adenilon chegando em casa de carro, com a jovem carregando a sacola dos açaís. Ainda dentro do veículo, Larissa foi flagrada colocando algo em um dos copos, descartando em seguida um pequeno saco plástico em via pública. A acusada, em depoimento, alegou ter adicionado apenas leite condensado, que teria vindo separado.

Na sequência, Larissa entregou o copo ao namorado antes de entrar na residência. Adenilon, por sua vez, deixou o açaí no chão e saiu com o carro. Poucos minutos depois, a jovem retornou à garagem, pegou o copo e entrou novamente na casa. Adenilon retornou à residência e permaneceu no local por cerca de 20 minutos. Por volta das 20h, o casal foi visto retornando à loja de açaí para reclamar da compra. Nesse momento, Adenilon já apresentava sintomas como queimação na garganta, tontura, sonolência intensa e um gosto peculiar, descrito como 'óleo de motor de carro'. Ele foi posteriormente hospitalizado, mas felizmente conseguiu se recuperar, chegando a expressar sua crença na inocência da namorada durante as primeiras fases da investigação.

Investigação e o Próximo Passo

A Polícia Civil chegou a indiciar Larissa inicialmente, baseando-se nos laudos que confirmaram a presença de terbufós no copo da vítima. Mesmo com os pedidos de aprofundamento do Ministério Público, a convicção da polícia sobre a autoria da jovem permaneceu inalterada. A tentativa de ocultação de provas, como o reset do aparelho celular de Larissa dias após o crime, foi um dos elementos considerados pela Justiça para fundamentar a prisão preventiva.

Com a prisão preventiva decretada e a jovem considerada foragida, a Polícia Civil continua o trabalho ostensivo para localizá-la e cumprir o mandado de prisão. Enquanto isso, a defesa de Larissa não se manifestou publicamente até o momento da publicação desta notícia. O caso segue em andamento, e a expectativa é que, com a captura da acusada, a justiça possa prosseguir com a etapa de instrução do processo, elucidando todos os detalhes do ocorrido.

Fonte: https://g1.globo.com

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